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fevereiro 21, 2005
Eu não quero desviar atenções dos assuntos de estado mas …
… anda aqui um planeta farto de gritar dor!
Há algo mais que nos deve preocupar para além dos desígnios do país, há algo mais para além de nós, da nossa casa, desta nossa terra, por exemplo: este planeta esgatanhado. Com enorme oportunidade e propriedade o Sharkinho dá eco às notícias alarmantes que quase passaram desapercebidas na semana passada, por culpa do ruído eleitoral, (ou desta imbecil mania de “depois logo se vê” com que esta nossa natureza humana se sabe aliviar tão bem). Porque agora o tentei mas não consegui lá comentar, e porque quero juntar a minha “voz” à dele, aqui me ocorre acrescentar.
Na última semana foi noticiado algo que é, sem exageros, um forte indício do princípio (fim) apocalíptico. Não a apocalipse divina, mas a perpetuada pelo Homem. O mesmo que a relativiza, o mesmo que não lhe vislumbra a angústia que ela transmite, e isto a pressentir pelo baixo eco que esta notícia teve na comunicação social e até na blogosfera. É vê-la tratada como mais uma questão que devemos saber discutir em jeito de artigo da “National Geographic”, que devemos saber vestir culturalmente, que devemos saber adornar com novas referências, mas que de forma alguma pode romper com esta nossa leviana atitude de “impermeabilidade”, este distanciamento de “controlo remoto” tão em voga, com que as questões verdadeiramente importantes são hoje “classificadas” por nós.
O Sharkinho aqui a agarra e transcreve, porque é mesmo assim: "Faltam apenas dez anos para que os danos provocados na nossa atmosfera atinjam o ponto sem retorno. Isto quer dizer que no nosso tempo de vida e, pior ainda, na juventude dos nossos filhos, o planeta estará irremediavelmente condenado a uma lenta e cataclísmica extinção...". Sem espinhas, sem adoçantes, com toda a evidência dramática da provável extinção deste planeta.
Isto Sharkinho, isto sim é verdadeiramente grave. Isto sim será provavelmente o mais grave que aconteceu na história do mundo e da humanidade. Isto sim, é mais do que a comichão do tempo presente. Porque isto é a visão do mundo que destruímos, já não o mundo distante, já não os vagos reflexos nas gerações futuras, mas o nosso mundo de hoje, já nem sei se o dos nossos filhos. E contudo passou tão a margem, e afinal está a ser tão relativizada como a extinção do urso pardo dos Pirinéus, tudo na mesma caixinha, a da “coitada da ecologia , mas olha que nós hoje já somos muito mais sensíveis a isto não achas?”
Estamos embrenhados a discutir as questões capitais do nosso País, agora os resquícios do acto eleitoral. É como se estivéssemos preocupados em escolher a nova mesa da sala de jantar, fingindo não ouvir a parede do quarto lá dentro, já a ruir.
Este é o verdadeiro caso político dos nossos tempos. Um caso sem partido, onde apenas se tem a humanidade contra si mesma, e cada um de nós contra si próprio, e que faz do acordo de Quioto uma obscenidade com a qual nos entretemos a relativizar, a desculpar-nos das chagas com que vamos liquidando este planeta.

Ei, estamos a falar daqui a 10 anos !!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às fevereiro 21, 2005 01:04 PM
Comentários
Subscrevo na sua plenitude.
Atitude no planeta! Quais vias do Infante qual carapuça!
Publicado por: bill em fevereiro 21, 2005 02:00 PM
Vim aqui parar através do Shark e do seu apelo angustiado e angustiante!
10 ANOS !!!!!
Está tudo doido em irresponsabilidade, em distanciamente cómodo e em suicídio total...
A Mãe-Natureza está em revolta total e tenta equilibrar-se da maneira que consegue... ou não.
É muito sintomático nestes blogs que pululam como cogumelos que os posts sejam às carradas quando assunto é saboroso.
ESTE NÃO È.
É incómodo.
Por isso quase não há posts....
Aí se vê a insconsciencia... casa de jantar nova e a parede do quarto a ir arriba abaixo...
xi
Publicado por: maria em fevereiro 21, 2005 07:27 PM
Estou chocado, amigo eufigénio. Amanhã vai lá para a minha janela, com a tristeza de saber ao que estamos a chegar...Aquele abraço.
Publicado por: Azenhas em fevereiro 21, 2005 09:32 PM
não é por acaso que estamos sem chuva há quatro meses, enquanto noutros locais do planeta há inundações que provocam destruição e morte.
Publicado por: cap em fevereiro 21, 2005 10:07 PM
É pertinente por isso transmitir aos nossos filhos o preservarem o que ainda resta e tornar hábitos diários em questões tão simples como a reciclagem e separação dos lixos.
Publicado por: Luna em fevereiro 21, 2005 10:31 PM
Lá deixo 2 post's acima algo. Uma aspirina apenas bem sei, mas qualquer coisa ...e todas as "qualquer" coisas são importantes, acho.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 22, 2005 01:55 AM