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fevereiro 28, 2005

Eu ia só comprar cigarrilhas ...

vento11.jpg
...mas perdi a vontade de fumar num instante!!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:15 PM | Comentários (11)

Quais bloguistas, somos apenas nós a querer-nos escritos

Leio algures, já referências perdidas, que Portugal é um dos países do mundo com mais blogues, (não sei se proporcionalmente, se em termos absolutos, o que para o efeito não deprecia a constatação).

E nada disso me admira em nós. Não trazemos connosco afinal essa fama de poetas? Mas há exagero nisto diria. Somos apenas um povo que faz da forma escrita o seu grito, inexplicadamente, incontroladamente, um por um, a fazer-se assim mostrar ao mundo, para chegar a si, escrevendo o que normalmente cala.

Este anseio de nos expormos, como se só assim nos ouvíssemos. Como se só assim, pela vulnerabilidade, libertássemos a parte de dentro que se quer contar sozinha. Como se este coliseu onde depositamos as nossas palavras, fosse o palco escolhido para guerrearmos a nossa alma. Como se só assim, incomodando-a com o saber-se vista, a soubéssemos escrever, a soubéssemos compreender melhor.

Nada disto me admira em nós. Talvez nós tenhamos sido sempre um povo de “bloguistas”, não tínhamos era "blogues".

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:50 AM | Comentários (18)

fevereiro 27, 2005

A anedota do Diogo

Não pára de rir (e de a repetir à horas), e de dizer que não percebe porque eu não a ponho no “apenas mais um”. Aqui vai então:

"Dois dinossauros atravessam a cidade, entretendo-se a comer semáforos. Diz um para o outro:
- Não comas esse que está verde!"

E claro que achei piada Diogo. Acho mesmo que foi das melhores que ouvi ultimamente, assim, contada por ti.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:28 PM | Comentários (15)

Interrupções

(Há interrupções boas …)

Se há coisas com que gosto de me interromper é para ajeitar a lenha na lareira. E das coisas um pouco mais demoradas, para exemplo, lembro-me que também gosto de regar as plantas, normalmente intervalando o fim da tarde. São interrupções que esperam tranquilamente por mim, que aguardam mansas até que em mim ocorram.

(E também há interrupções más…)

Já outras há que me agastam, porque se atravessam à nossa frente, sobrepõem-se-nos, obrigam-nos ao recomeço. Assim de repente lembro-me por exemplo da mudança de uma lâmpada, que se funde a meio da página que líamos abstraídos.

(Mas as piores são as que apenas se interrompem a si mesmas)

Ah, e nestas, também as arreliadas explicações que têm de ser dadas por culpa de uma interpelação de alguém, alguém que se sobrepõe sempre ao que se conta, incapaz de esperar que as coisas se contem completamente. E as coisas que se contam, assim agitadas, ficam irremediavelmente entrecortadas. Metade dita mas aleijada, a outra metade riscada com as interrupções de alguém que nem por breves momentos é capaz de ouvir as coisas contadas por olhos que não são os seus.

(As desinteligências são o ajeitar desnecessário da lareira alardeada de fogo avivado, ou a rega das flores no pino da chuva. Interessam só a quem as comete.)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:45 PM

fevereiro 26, 2005

Estes torneios de sábado de manhã que tão bem fazem à saúde (deles) e ao (nosso) humor

Já num torneio de rugby anterior me tinha deliciado com isto. Hoje foi uma interjeição irritada de um “bambi” – mocito para 8 anos portanto.

Numa jogada casual, resultado de um pontapé de ressalto, um dos miúdos leva uma bolada em cheio no nariz. Pelo estouro e reacção dele nem tive duvidas que foi daquelas que nos metem a cana do nariz a furar em direcção ao cérebro, e nos injectam os olhos com lágrimas. O rapazito cai no chão, e o jogo é interrompido. Alguma preocupação amontoa-se em seu redor. Pouco depois levanta-se chorando do impacto, chorando da dor, e chorando da raiva com que recalcitrou irritado:

- Eu não disse? Eu não disse? Se houvessem boqueiras (*) para o nariz isto não tinha acontecido.

Remédio santo, tudo a rir. Ele ainda desagradado mas a ter de acatar, vítima do reparo de que afinal era autor. O apito a assinalar o recomeço.

Estas manhãs de sábado, apesar de tudo, lá vão compensando. Hoje foram as improváveis “narigueiras” que aquele miúdo quase ia inventando. E o mais curioso é que, tanto quanto sei, elas até existem, mas ali foram apenas pretexto para alívio.


(*) Para quem está menos por dentro, a boqueira é uma peça de borracha como esta aqui em baixo, que se coloca envolvendo os dentes para os proteger das pancadas, a eles e aos lábios.

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Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:42 PM | Comentários (7)

fevereiro 25, 2005

E já agora para ti ...

Muitos Parabéns!!!

Uma bela idade ...
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... para uma bela mulher.

(bem, a continuar assim vão acabar por me faltar hoje mais 3 irmãos posts)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:16 PM | Comentários (4)

Para ti ... o que ainda não te tinha dito

Um dia parar, saber parar. Ter a coragem de não seguir por aí. Vender cada peça do nosso mobiliário, uma por uma, até já não sobrar o copo, o quadro, o tapete, e todos os pechisbeques do passado, nada. Ficarmos só nós, o mundo, e aquilo que queremos ter dele. É absolutamente importante não termos mais que isto para um dia escolher, poder escolher. Determinar que não é tarde, que nunca é tarde para nada, que nunca será tarde para vivermos como queremos. E afrontar-nos, sem piedade, mas sem pressas, sem alaridos, sem ligar à estranheza que possa causar ver-nos despir do que foi, do que fomos. Depois partir apenas, partir indómito para onde queremos e porque queremos. E se quisermos, viver cá e lá, quando por cá quisermos estar, quando por lá precisarmos de repousar. Porque não decidir assim é decidir, ousadamente. E ter a bravura de saber um dia parar assim. E desenhar de novo a vida. Com novas tintas. Com outros copos, outros quadros, outros tapetes. Com novas vontades.

Um dia ter essa coragem. Ou não a ter, não precisar de a ter. Mas poder saber que tu a tens.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:23 PM | Comentários (8)

Batatinhas congeladas? Bahhh ... as coisas que nós pensávamos!

Há pouco, a interpor o jantar com a futebolada (ah grande Sporting, ah que grande jogatana). Entretanto chegam os pratos pedidos, o odor quente a lembrar-nos da fome, a disputar a nossa atenção. Pouco depois a Eufigénia comenta, talvez com o propósito de nos aproximar ao talher:
- Que belas batatas. Estas são a sério, das genuínas!! - Abstraído, acabei a provar uma, tacteando-a com os dedos, que os olhos, esses presos na tela grande. Noto-me a assentir, mas achar aquilo estranho sem saber porquê (genuínas?). A expressão, depois a minha anuência, ficam-me como um despropósito. Impulsivamente lanço-me a rebobinar. Cinco anos, dez, vinte, vinte e cinco anos …

Estávamos por ali, no quarto da P., a acabar a tarde, longe ainda de acabar aqueles tempos de estudante que nos deixavam assim, entretidos a acabar a tarde assim. A irmã tinha acabado de chegar do primeiro ano matrimonial, vinha de um território nórdico e de um marido repórter. De férias de ambos, presumia. As nossas atenções viravam-se naturalmente para as suas histórias daquelas terras vickings tão distantes que quase místicas. Falava-nos de hábitos estranhos, agora, pormenores culinários. E desabafava
- … Mas o pior nem é isso. O pior é mesmo a comida. Aquela gente nem sabe cozinhar.” - E perante a nossa interpelação no olhar, calada, para não interromper
- Aquelas matronas suecas comem sempre o mesmo e compram sempre tudo feito. Vejam lá o ridículo, até as batatas fritas compram já descascadas!” Aí ninguém se conteve em largar um “Ãhh??”. E lá continuou detalhando
- A sério! Eles compram as batatas já descascadas, e congeladas. A única coisa que sabem fazer é pô-las a fritar, e mesmo isso … aliás, tudo aquilo é congelado.”

Pensarmos que aquele era um país bem mais avançado que o nosso, - e no que isso nos sugeria a probabilidade de tal representar, melhor, antecipar, o nosso futuro - e vermo-nos ali a comer batatas congeladas era inconcebível, ridículo até. Não alcançávamos a imagem de um belo bitoque ali esgalhado na molhança já usada da frigideira, que não viesse acompanhado daquelas batatinhas semi-queimadas-semi-cruas, cortadas pelo defeito e com aquele seu saborzinho de coisa que cresceu na terra. Era uma imitação tão surrealista que cada vez ríamos mais desprendidamente. Provavelmente alguém terá arriscado fazer humor ao antever-nos dali a 25 anos a lançar elogios por trincarmos uma batata frita das “nossas”. E ríamos do absurdo. Outro terá até imitado dentro desse registo de humor a nossa expressão a comentarmos espantados "- Que belas batatas. Estas são a sério, das genuínas!!”.

O que a gente ria naquela altura. Do que a gente ria naquela altura.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:20 AM | Comentários (6)

fevereiro 23, 2005

Há quem escreva o nosso desassossego

Sharkinho,

Tu despes-te e deixas-nos nus! Começa a ser demasiado inquietante ler esse teu blogue.

Esta incómoda sensação quando te lemos de nos sentirmos nós expostos ao mundo, este feitiço que as tuas palavras honestas retiradas em cru lá de dentro têm, de fazerem os outros ler como se o tivessem escrito, isso não é coisa para se arriscar todos os dias.

Terei de deixar de ir aí com tanta frequência. Torna-se doloroso esgravatar assim tanto em mim. Ou então, terei de saber fingir o sossego, de quem lê apenas, de quem não se sente escrito assim.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:30 PM | Comentários (18)

Confirmada desconexão neste “letroduto”

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Admite-se que os trabalhos curativos nas tubagens de escrita se possam prolongar por tempo ainda não determinado. O Piquete de canetas de emergência entretanto emitiu um comunicado onde fez saber que tudo fará para assegurar os serviços mínimos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:59 PM | Comentários (8)

fevereiro 22, 2005

Bom dia Mundo (1) , trata bem da gente

Junto segue um autoretratado sorriso (2) - de autor desconhecido - aqui para a rapaziada (3)

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Aqui está sol, prevejo trabalho frutífero e acredito que conseguirei chegar a casa a tempo de pôr o feijão de molho

(1) – já agora, já lá foi dar-lhe um abraço?
(2) - mais um mistério que se resolve?
(3) – não é abuso de intimidade, refiro-me ao Portugal segundo Ramalho Ortigão

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:25 AM | Comentários (10)

E a propósito destas minudências ali em baixo ...

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se quiserem colaborar:
- subscrevendo
- divulgando
- ou simplesmente tendo maior cuidado no dia-a-dia

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:09 AM

fevereiro 21, 2005

Hoje não

Não gosto do meu aspecto amargurado, e não gosto do sabor que sinto por dentro, e também não gosto da cara com que o mundo me acordou, envelhecido, o mundo, eu também. Hoje, não gosto do que me obriguei a fazer ontem, e também não gosto de me sentir obrigado a sentir obrigado. Hoje, também não gosto do que terei de fazer amanhã, e também do que não farei amanhã. E também não gosto do que leio por aí, não gosto de despudor nem de raivas nem do vício da crítica, nem do abuso da capa que a caneta nos dá. E não gosto também do que escrevo aqui por isso. Hoje não estou a gostar nada de mim, e também não vou gostar daqueles que não gostam de mim.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:05 PM | Comentários (11)

Eu não quero desviar atenções dos assuntos de estado mas …

… anda aqui um planeta farto de gritar dor!

Há algo mais que nos deve preocupar para além dos desígnios do país, há algo mais para além de nós, da nossa casa, desta nossa terra, por exemplo: este planeta esgatanhado. Com enorme oportunidade e propriedade o Sharkinho dá eco às notícias alarmantes que quase passaram desapercebidas na semana passada, por culpa do ruído eleitoral, (ou desta imbecil mania de “depois logo se vê” com que esta nossa natureza humana se sabe aliviar tão bem). Porque agora o tentei mas não consegui lá comentar, e porque quero juntar a minha “voz” à dele, aqui me ocorre acrescentar.

Na última semana foi noticiado algo que é, sem exageros, um forte indício do princípio (fim) apocalíptico. Não a apocalipse divina, mas a perpetuada pelo Homem. O mesmo que a relativiza, o mesmo que não lhe vislumbra a angústia que ela transmite, e isto a pressentir pelo baixo eco que esta notícia teve na comunicação social e até na blogosfera. É vê-la tratada como mais uma questão que devemos saber discutir em jeito de artigo da “National Geographic”, que devemos saber vestir culturalmente, que devemos saber adornar com novas referências, mas que de forma alguma pode romper com esta nossa leviana atitude de “impermeabilidade”, este distanciamento de “controlo remoto” tão em voga, com que as questões verdadeiramente importantes são hoje “classificadas” por nós.

O Sharkinho aqui a agarra e transcreve, porque é mesmo assim: "Faltam apenas dez anos para que os danos provocados na nossa atmosfera atinjam o ponto sem retorno. Isto quer dizer que no nosso tempo de vida e, pior ainda, na juventude dos nossos filhos, o planeta estará irremediavelmente condenado a uma lenta e cataclísmica extinção...". Sem espinhas, sem adoçantes, com toda a evidência dramática da provável extinção deste planeta.

Isto Sharkinho, isto sim é verdadeiramente grave. Isto sim será provavelmente o mais grave que aconteceu na história do mundo e da humanidade. Isto sim, é mais do que a comichão do tempo presente. Porque isto é a visão do mundo que destruímos, já não o mundo distante, já não os vagos reflexos nas gerações futuras, mas o nosso mundo de hoje, já nem sei se o dos nossos filhos. E contudo passou tão a margem, e afinal está a ser tão relativizada como a extinção do urso pardo dos Pirinéus, tudo na mesma caixinha, a da “coitada da ecologia , mas olha que nós hoje já somos muito mais sensíveis a isto não achas?

Estamos embrenhados a discutir as questões capitais do nosso País, agora os resquícios do acto eleitoral. É como se estivéssemos preocupados em escolher a nova mesa da sala de jantar, fingindo não ouvir a parede do quarto lá dentro, já a ruir.

Este é o verdadeiro caso político dos nossos tempos. Um caso sem partido, onde apenas se tem a humanidade contra si mesma, e cada um de nós contra si próprio, e que faz do acordo de Quioto uma obscenidade com a qual nos entretemos a relativizar, a desculpar-nos das chagas com que vamos liquidando este planeta.

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Ei, estamos a falar daqui a 10 anos !!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:04 PM | Comentários (6)

A minha última manifestação política

Eu votei assim ...

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... mas agora estou assim

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Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:52 AM | Comentários (4)

fevereiro 20, 2005

Porque ainda não consegui ver os resultados do meu voto?

É lamentável, e sinto-me profundamente insultado, como eleitor, e profundamente ultrajado como cidadão, ver branqueados, ignorados e desprovidos de análise política, os votos em branco. Afinal, e nisto terei de concordar com o outro, há um sistema. Um sistema que marginaliza todos os cidadãos que através do direito ao voto quiseram moldar assim a sua voz. Pior que as vitórias e as derrotas dos partidos, é a derrota deste sentir português, aqui chutado para canto, como se não relevasse na acção e nos resultados políticos.

Como pode alguem não sentir, não comentar e não respeitar o sentimento que esteve presente numa franja significativa de portugueses (e aqui especulo, pois ainda não consegui ver divulgado em nenhum lado o peso do voto em branco), no toque angustiado com que empurraram o seu voto para a urna. Haja respeito, aceite-se o nojo de quem como eu assim votou.

O resto ... seja o que Deus quiser.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:12 PM | Comentários (8)

fevereiro 18, 2005

Um “blogue” escrito a 3 mãos

Mar, desculpa-me que aproveite o facto de teres publicado o meu comentário. E também o abuso para reclamar os respectivos comentários para provar que há de facto “blogues dentro dos blogues

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:38 PM | Comentários (4)

Talvez o leitor mais arguto já tenha reparado que estou a aproveitar-me do facto de não ter comentários hoje me sentir destemido.

Spooorrtinngg!!
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Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:01 AM | Comentários (5)

fevereiro 17, 2005

Quem escreve assim escreve muito bem

"Neste cenário, e sendo eu, como é público, sócio do FC Porto, parece-me que o principal candidato à vitória final é... o Sporting."

Mas já que aqui os trago - e agora num registo mais sério - é devido que refira que este Terceiro Anel é para mim a melhor fonte de informação desportiva. É a perspectiva honesta de quem sabe ver futebol, e o escreve com elegância. Ficam os humildes parabéns deste leitor

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:07 PM

Este puto tem jeito para post’s

- Oh pai, eu às vezes gosto e não gosto da minha professora de história.
(- Está bem, mas agora come)
- Hoje estávamos a estudar a guerra civil e eu disse – “S’tora, tenho uma dúvida.”
- Sabe o que ela me respondeu? “És um homem feliz”.
- E depois tocou para sair.
- …
(- Franciiisco, come)

Ali sempre de blogue aberto, e eu tantas vezes sem o ler

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:37 PM | Comentários (2)

Opções

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a tinir são iguais, sobra-lhes a cor
para quando não servem

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:14 AM | Comentários (4)

fevereiro 16, 2005

Queria tanto poder dizer: "Não sei onde voto, só sei que não voto aí"

Depois de ter assumido o voto em branco. Depois de reconsiderar não o dever fazer. Depois de os querer mandar a todos à merda . Depois de ter a certeza que no “diabinho” nunca. Depois de perceber que seria incapaz de votar no “santinho” alternativo. Depois de constatar que pouco importa o que pensam já, se é que pensam alguma coisa. Depois das exclusões viscerais me deixarem apenas duas alternativas. Depois de lamentar ser forçado a olhar para dois extremos com que nunca me identifiquei. Depois de determinar que votaria no mais sério e hábil. Depois do debate de ontem … estou quase tentado a …

blcesq.jpg

…se o fizer, irei votar de alma vendada.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:12 AM | Comentários (17)

fevereiro 15, 2005

Eu sei que é uma repetição

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Mas um homem ter um trabalho destes aqui guardado, sem o ver de vez em quando, é como ter um Da Vinci lá em casa, arrumado na despensa

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:19 AM

fevereiro 14, 2005

Ufff

Para quem se fez prometer ser mais comedido nas postaduras não está mal não! Um padre que afinal é o pai de todos os lusitanos, uma descarada declaração de amor, uma história de incendios e bolos de bolacha, e uma pataruére para guardar o aparelho dos dentes. Não está mal não senhor! O autocontrolo a passear pela junqueira, e eu aqui sozinho a dar-me para a verborreia.

(embora lá editar isto antes que caia na estatística dos post's de amanhã. Ainda assim, mancha por mancha, antes manche tudo hoje do que esborratar o amor próprio de amanhã)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:45 PM

O "pataruéres" não são nada pedagógicos

- Oh Diogo, ontem foram os óculos, hoje foi a caixinha do aparelho dos dentes! Eu não posso andar a comprar óculos e caixinhas todos os meses. Mais cuidado sim?
- ‘tbem
- E estou mesmo a ver que ao almoço o guardaste no bolso não foi ? já deve estar todo deformado e assim não serve para nada.
- Não, não Pai, a Lígia deu-me um pataruére pequenino para o guardar
- Um quê?
- Um pataruére, uma caixinha de plástico com tampa

[É por esta e por outras assim que estes putos não têm uma educação decente. Um gajo quando se devia chatear desata-se a rir… ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:25 PM | Comentários (7)

Um "115" para este lanchinho por favor

A propósito deste post, e da atrapalhação humorada da Catarina, veio-me à memória um episódio da minha juventude, dramático mas caricato. De facto o pânico tolda-nos muitas vezes o discernimento. E se bem que em adultos, por culpa dos acidentes e incidentes da vida que vamos acumulando, nos tenhamos de alguma forma treinado para lidar com isso, quando ainda jovens, é natural que ocorram cenas tão caricatas quanto esta que agora recordo.

Teríamos aí uns 13-14 anos, idades sôfregas, em que as tardes pareciam intermináveis e a fome insaciável. Foi pela combinação destes dois factores que acabámos por alternar as nossas brincadeiras de todos os dias, na rua, com faustosos lanches em que nos esmerávamos não apenas na deglutição, mas também na confecção. Aliás, creio que em determinada altura esta terá sido mesmo a nossa actividade mais importante, ou pelo menos, encarada mais a sério. O deleite com os lanches era tal que rapidamente nos fizemos mestres da cozinha. Já não nos bastavam as carcaças com manteiga, nem mesmo se depois polvilhadas com “Milo” a fingirem-se de chocolate, nem já com o açucareiro generosamente despejado por cima considerávamos agora razoáveis estas variantes que durante anos nos haviam bastado. Não, os nossos lanches exigiam já um nível de sofisticação tal que aquele que não trouxesse consigo alguma arte culinária fatalmente se veria ostracizado daqueles repastos. Devo ainda dizer, para que melhor percebam a enorme avidez que por ali andava que na maior parte das vezes recorríamos ao estratagema de lanchar em casa de um, até sermos escorraçados da cozinha, para logo de seguida nos fazermos falidos de fome em casa de outro e assim repetirmos a dose. Com aquelas hormonas não havia fome que se saciasse ou gula que se atenuasse.

Estes nossos dotes, tinham sido treinados de forma esmerada e especializada, embora não se constituíssem em mais do que 3 ou 4 alternativas ao lanche. Foi por essa altura que me especializei no bolo de bolacha que ainda hoje sei fazer e vejo gabado, pois pudera. Era tal o gosto que tinha pelo mesmo que depois de feito o escondia com sovinice na arca frigorífica ao abrigo dos meus 5 irmãos. Ainda assim, numa tarde era bem capaz de o devorar todo, por vezes sem mesmo dar tempo a que este absorvesse o refrigério necessário para a sua consistência. Numa tarde comia-o sozinho e por inteiro, e nem por isso menos pronto para o reconfortante jantar que se avizinharia. Essa guloseima era a arte com que eu me apurara e que naturalmente partilhava naqueles lanches de grupo. Mas havia outras.

Estou a lembrar-me por exemplo que outro, o M. creio, se tinha especializado em fazer açúcar caramelizado. Bem sei que é coisa simples, mas ali a arte estava nas proporções do açúcar com a água, ou melhor na desproporção. Havia que abusar no açúcar de tal forma que o caramelo final nunca chegasse completamente a endurecer. (é isso que se chama de ponto de rebuçado?). Depois era só esperar pelo tempo certo (mais uma vez a técnica), deitar aquilo sobre o tampo de pedra da cozinha, chegar para junto os bancos e as colheres, e regalar-nos com aquele visco delicioso durante um conversado lanche.

Recordo que o F. se tinha especializado em ovos mexidos. Também aqui nesta arte aparentemente simples havia ciência, e muita. Os nossos ovos não eram iguais aos outros, e se bem que a técnica tivesse sido descoberta por mero acaso, muito nos orgulhávamos dela. A sua manufactura pressuponha uma intencional hesitação, para desta forma repetirmos com rigor o processo original, pelo qual, por mera casualidade, tínhamos descoberto tão apetitoso resultado. Assim, primeiro vertíamos o ovo como se o quiséssemos estrelar, depois, quando as suas claras começavam a esbranquiçar, mexíamo-lo rapidamente para que o mesmo resultasse numa mistura deliciosa entre as claras e a gema, entre o branco e o amarelo. Esta arte só podia ser executada na cozinha do F. pois era ali que se encontravam umas frigideiras de barro, estas suporte essencial para a nuance pretendida naqueles ovos com que depois encharcávamos os pães.

Pois bem, ou porque era isso que nos tinha apetecido inicialmente nessa tarde, ou porque muito provavelmente já tínhamos sido escorraçados de outras cozinhas (escusado será tentar descrever o estado lastimoso em que normalmente deixávamos as cozinhas, pelo que as repetidas retaliações das nossas mães tinham de ser geridas com parcimónia de entre as várias casas disponíveis), foi em casa do F. que aportámos o apetite desse dia.

Apesar das nossas preocupações quase profissionais nestas lides, nem por isso deixávamos de estar receptivos a alguma inovação. Foi assim bem acolhida a sugestão que alguém, creio que o irmão do F. trouxe de novo. Arriscámos experimentar então nova ementa. Esta variação passava por ser qualquer coisa como uma massa que se levaria ao óleo a fritar, para depois se fazer rolar em tanto açúcar quanto a conseguíssemos recobrir. Admito que o resultado final viesse a ser parecido com uma fartura, ou um churro como também se diz. Nunca o pudemos confirmar de facto.

Enquanto se preparava a massa deixáramos o óleo a aquecer, que se queria bem quente, ao que ele nos dizia. Depois, enquanto fazíamos os rolinhos continuámos a deixá-lo a ferver, aqui já por distracção. Entretanto borbulhava já, e nós continuávamos a preparar uma travessa inteira, com o devido vagar, com aqueles rolinhos que se haviam de fritar. O óleo zumbia. Nada que achássemos estranho. E lá emprestávamos os nossos cuidados culinários, com tanta calma quanto se queria, e abusando do facto de ali por casa, naquele momento, não haver nenhum adulto importuno.

Finalmente o J., o irmão do F., aquele que trouxera a receita, preparou-se para executar a parte mais complexa e que certamente lhe traria alguns créditos em futuras lancharadas. Pleno de confiança, com um ar exageradamente solene ia explicando a técnica enquanto deitava a uma vez todos os rolinhos que tínhamos acabado de arredondar. Assim que despejados estes, o óleo, que já de si se queixava borbulhando de tanto calor que lhe houvéramos dado, de imediato cresceu até verter para fora da fritadeira, respingando e zumbindo com uma raiva descontrolada.

A seguir tudo se desenrolou tão rapidamente que aqui o conto em três linhas. Assim que a espuma de óleo chegou junto do bico do fogão, de imediato ressaltaram labaredas. Nessa altura o nosso pânico era já mais que muito. Andávamos ali nos “ai, ai e agora” e já um mais expedito tinha agarrado num jarro com água e num gesto desembaraçado tinha deitado com ela para cima do óleo. Escuso de dizer o efeito que isso teve. Em dois segundos as labaredas daquela combustão precipitada chegaram ao tecto. O desacerto era de tal ordem que enquanto uns refilavam com o que tinha sido mais prestimoso, os outros corriam de um lado para o outro sem nada saberem que fazer. Entretanto os painéis de plastiglex da chaminé começavam a incendiar-se e contaminavam toda aquela atmosfera com um fumo negro e espesso. Tudo fora de controlo.

Finalmente alguém se lembrou que o melhor seria chamar os bombeiros - “alguém que telefone para o 115, rápido !! ”. O F. encaminhou-se então despachadamente para o telefone, eu seguindo-o solidariamente. De auscultador na mão, quase prestes a discar o número, ele hesita, olha para mim e pergunta: “Sabes qual é número do 115?”. Entretanto o fumo começava a alastrar pela casa inteira, e o barulho já ameaçador (e que gritos tem o fogo!) tinha afastado os outros da cozinha. Solícito, rapidamente retorno para junto deles e pergunto “Alguém sabe qual é o número do 115? depressaaaa”. Estávamos todos tão desesperados, tão imprestáveis, que quando o M. respondeu “Ó pá, vejam na lista telefónica caraças, e não se demorem. Rápido!!!”, o achámos com um enorme sangue-frio.

No dia seguinte, enquanto constatávamos que ainda assim aqueles churros apenas tinham custado afinal pouco mais do que o estuque do tecto da cozinha e uma pintura em algumas assoalhadas, e apesar do ar compadecido que tentávamos junto dos adultos, ainda ouvíamos entre nós alguém a rir baixo “qual é o número de telefone do 115? Qual é o número de telefone do 115? …eheheh


NOTA: Naquela altura o número 115 era um número universal que se prestava para qualquer tipo de emergência. Mais tarde foi mudado para o 112, este vocacionado ao que creio só para atendimento de urgência médica. Quer isto dizer que se tiverem um incêndio durante o lanche é mesmo aconselhável irem procurar o nº tel. à lista.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:25 PM | Comentários (9)

Porque hoje é dia dos Namorados

Estas memórias dedico-as à minha primeira namorada...

A primeira vez que me apaixonei foi há quase 30 anos atrás. Era uma loirinha magricela, que eu entrevia pela janela da minha sala de aula. Profundamente tímido, demorei quase um período escolar até ao primeiro “olá” num intervalo das aulas. Foi coisa engasgada, enrubescida, e pouco retribuída. (Na verdade nunca chegou a ser minha namorada, mas apenas porque na altura ela não o sabia.)

Uns meses depois vim a descobrir que ela morava a uns escassos duzentos metros de mim. Foram os melhores dias do meu cão, ele que nunca terá passeado tanto. Era um enorme pastor alemão, que me arrastava desvairadamente por todo o bairro. Ainda assim, quase sempre o conseguia domar até junto da janela dela. Nos melhores dias ficava ali amansando-o nos degraus do seu prédio, noutros, menos bem sucedidos, mais não conseguia do que esquiá-lo em redor do quarteirão inteiro. Certo é que ele nunca tinha passeado tanto e eu nunca tinha estado até então tão perto dela.

A persistência com que combatia aquela profunda timidez trouxe os seus frutos. Primeiro um enorme “ah, vives aqui” com que disfarcei a coincidência. Depois começou a tornar-se frequente o quase entrechocarmos, e então ríamos da forma como aquele animal me rebocava. Era contudo uma situação lamentável para os meus intentos. Trazia-me inconsolável o ver-me abruptamente arrastado pelo cão para longe dela. Ainda desferia uma graça qualquer a esse propósito, mas já raramente lhe conseguia ouvir resposta, eu já longe.

Passaram-se meses. Paciente e escrupulosamente fui mudando de estratégia. Decidi acercar-me do círculo de miúdos que todos os dias cirandavam lá pela rua. Num bairro jovem, com níveis etários muito próximos e tanta miudagem, essa era tarefa fácil. Rapidamente constatei que muitos deles eram afinal nossos amigos comuns. A nossa aproximação, ajudada pelos episódios anteriores passou a ser algo já natural.

Passámos então a fazer parte do mesmo círculo de amigos. Mas curiosamente, à medida que lhe ia sendo mais próximo e crescia uma forte amizade, esta, de forma inexplicada, aos poucos, absorvia aquele encantamento passional. O meu acanho poderá ter sido a causa para essa paixão, depois de tanto esforço, de tanto estratagema, de tantas expectativas, nunca se ter declarado de forma aberta entre nós.

Ou algo mais a terá escondido dentro de mim, àquela paixão, ainda afogueada, mas refundida lá fundo, afastada até dos meus pensamentos. Ceio hoje que, e embora o não soubesse então, estaria a resguardá-la para outros tempos, mais próprios, nos quais me fosse possível poder alimentá-la, à paixão, e fazê-la continuar comigo. Definitivamente, não permitir que ali se consumasse como coisa fugaz, como uma peculiar experiência de amor de um rapaz púbere, algo que se tornaria irrecuperável no tempo e que mais não seria que coisa episódica, e que hoje apenas recordaria vagamente.

Certo é que a nossa amizade se manteve, e acabámos por crescer juntos. A adolescência e depois os acasos da vida já adulta fizeram com que nos passássemos a ver com menos frequência, mas a nossa relação manteve-se, apesar de já só ocasionalmente a ver.

Um dia, 15 anos depois desta minha primeira paixão, apaixonei-me de novo. Casei pouco depois. Ainda hoje, quase 15 anos depois do nosso casamento, quase 30 depois daquele dia em que eu espreitava escondidamente aquela miúda magricela da janela da minha sala de aula, ainda hoje estou a reconstruir aquela minha primeira paixão, um bocadinho todos os dias. Pelo meio houve outras paixões, naturalmente, em que confesso ter-me saído sempre um pouco desajeitadamente, mas o meu primeiro e último amor, o mesmo, esse soube-o tomar bem para mim.

… e à mulher que amo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:09 PM | Comentários (16)

Ó pá, um homem também não é de ferro

SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5.º, maço 7) (*)

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres.

El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487 e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".

(*) Não confirmado, ou seja, a mim custa-me um pouco a acreditar mas há cada líbido

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:37 AM | Comentários (6)

fevereiro 13, 2005

Coisas que me irritam

... ler por aí (aqui):

“As minhas desculpas, mas agora tenho andado carregado de trabalho …”

Mas se não têm tempo porque se dão ao trabalho de o desperdiçar assim, justificando-o? E porque nos levam a perder tempo para os ler a dizer que não têm tempo para perder? Vício de se verem escritos ou pretensão?

Não estou obviamente a insinuar alguém em particular. Senão teria de começar por mim mesmo, aqui, agora.

(e pronto, hoje já está)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:07 PM | Comentários (10)

fevereiro 12, 2005

Há Homens que sustêm arribas

Porque … para aqui translado o comentário que deixei nas “Azenhas do Mar

"Amigo Azenhas, Pedro se posso
Primeiro que tudo dizer-te que estou profundamente solidário contigo , e sem jeito, ou com jeito de filosofia barata, dizer que se estas coisas nos acontecem é para mostrarem um qualquer significado, do qual aliás nem nos lembraremos uns anos depois.
Depois para te dizer ainda que um homem que faz de um quixotesco apelo (não te ofendas, é um elogio) uma causa vencedora, é um homem de fé, daqueles que erguem arribas ou pelo menos não as deixam cair, de quem se confia ter as rédeas do destino,
e a quem deixo a minha sincera admiração."

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:50 AM | Comentários (3)

Não gramo o frio e pronto

Que bela lareira eu arranjei, sim senhor! Designer de Barcelona, da mais fina nata e coiso e tal, sim senhor! … eu também não disse que aquilo era para funcionar, nãaaa snhôr.
questoes1.JPG

(Catarina desculpa, depois mando outro)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:07 AM | Comentários (1)

fevereiro 11, 2005

As palavras do Alexandre …

… são também as minhas (e aqui abuso)

"Escuto-a, escuto-me, escuto-te e não encontro palavras melhores... talvez encontre, mas gosto destas. Por isso deixo-as por aqui, como as poderia deixar noutro lugar qualquer... na dobra de um livro, numa sebenta negra, numa parede deserta, num vidro embaciado, na areia molhada da praia ou simplesmente no ar..."

E isso não será a necessidade de (nos) escrevermos naquilo que vai para além de nós, como se assim o quiséssemos garantir perene, mais que as nossas emoções, como se assim nos quiséssemos deixar riscados, como trilha do que algum dia fomos e sentimos? Não será isso Alexandre apenas a vontade de nos recordarmos?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:33 AM | Comentários (11)

fevereiro 10, 2005

Porra Zé !!!

"Um blog é uma ilusão. A ilusão de ser lido.
E de isso ter alguma importância.
É uma bela ilusão."

Maschamba, Julho de 2004


Uma ilusão que cicia estórias assim (),
que arma um corajoso desassossego (),
que mascara saudades do que contradiz,
que sacia as memórias que partilho,
que me arrasta no escrever (),
não acaba AQUI.
Apenas deixa de ser tão premente, como lhe condiz aliás.

Porra Zé, mais do que o deleite de te ler, era coisa que te trazia para mais perto, e a mim mais longe, e que bela ilusão essa.

E vê se tratas bem desse teu outro “blogue”

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:16 PM | Comentários (15)

fevereiro 09, 2005

Afinal parece que o alter-ego já por cá anda

Na “casa das máquinas” deste blogue vejo assim:


blogue.JPG

Será a “tinta” arranjando caneta para se escrever sozinha?
Ou será que é já o tipo que me vem substituir?

Seja quem for será “apenas mais um” !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:37 PM | Comentários (17)

Desacelerando ...

Provavelmente isso quererá dizer que
aqui virei postar quando sentir necessidade disso,
e já não por sentir a necessidade de aqui vir postar.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:36 AM | Comentários (9)

fevereiro 08, 2005

Aqui

… apenas isso, a possibilidade de amanhã me revisitar, e se o entender, me poder achar estranho. E nem me constrange ver-me assim exposto, a escrita a imitar a minha existência, a clamar inconfidências. Há algo de delinquente nisto, de promíscuo, de proibido, que me faz sentir diferente. Como se eu fosse marginal a tudo isso.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:25 PM | Comentários (14)

A perda do meu alter-ego artístico por culpa de um coelho

Um coelho, Cap???? Desde que aqui disseste que o rabo mais bonito que eu desenhei até hoje era um coelho já não consigo olhá-lo de outra forma. Ficou sem préstimo! ... E assim perdi um post, um desenho e a minha vaidade artística.

pbIVabcde1.JPGOlha, fica tu com ele, pronto

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:00 PM | Comentários (1)

fevereiro 07, 2005

Para quem tem tido a indiscrição de seguir a baiana

… E o trabalhão que me deu pôr-lhe os óculos !!!

(aproveito para encaminhar desculpas a quem lá ficou com os seus comentários descontextualizados, mas aquilo é um post transformer … Carnaval , via-se logo)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:00 PM

Post "ora sim, ora não"

(inutilizar a caixa que não se aplicar à situação presente)

DE MOMENTO NÃO
PODEMOS RECEBER O SEU COMENTÁRIO

Tente mais tarde por favor

DE MOMENTO
PODEMOS RECEBER O SEU COMENTÁRIO

Faça o obséquio

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:12 PM | Comentários (5)

Brincando com o "Paintbrush" - IV

Linhas paralelas

pbIVabcd.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:11 PM | Comentários (2)

Raios partam os compromissos, raios me partam a mim

Ontem ainda tentaste deixar escapar que afinal não te estava a apetecer ir ao acampamento. Mas nem sei porquê Francisco, que puto teimoso tu és, se afinal já sabes o que eu acho sobre o compromisso. Tenho a certeza de que ainda te lembras do que te disse quando te perguntei 3 vezes se querias mesmo ir. Lembras-te? Eu alertei-te repetidamente para que, se o assumisses, terias de o cumprir. Foste tu quem ligou ao teu chefe na 4ª feira, confirmando que ias, que querias ir. Eles estão a contar contigo. A partir daí terás de fazer o que disseste que farias e não apenas o que te apetece fazer. É isso o compromisso, é isso que espero que cumpras hoje, e se possível nos outros dias da tua vida. Por isso insisto tanto, não para ser bera contigo, não para me armar em pai mandão, mas apenas porque acho que te devo fazer sentir isso. Que frio está hoje. Quase me apetece dizer que sim, que não vais. Até porque este acampamento afinal, não é a coisa mais importante do mundo. Mas que frio está. Mas os nossos compromissos são para cumprir. E vais bem agasalhado, levas gorro e luvas, e tens lá muita roupa. Mas está de facto muito frio. Mas este terás de cumprir, percebes isso agora não é?

Há coisas em que um pai deve forçar, mesmo que lhe apeteça o contrário. Este é o meu compromisso. Tal como o teu, é algo que acho que devo cumprir, mesmo que não me apeteça fazê-lo. O forçar-te a assumir o teu compromisso é o meu compromisso de hoje. Mas esta madrugada, 7ºC , é de facto muito frio. Mas nós tínhamos dito que sim e vais, pronto. E agora até já nem pensamos nisso. Que bela viagem estamos a fazer. Nada como uma noite bem dormida para levantar a moral não é? Que bela viagem, cheia de humor, boa disposição, divagações como tu tão bem sabes fazer e eu tanto gosto de tentar acompanhar. E o que a gente se riu quando insinuei que ia chover! Que nem o dissesse rias tu, que nem o tentasse dizer que isso traria má sorte, que já chegava o frio. E riamos com o facto de todas as vezes que foste acampar ter chovido. Até no verão. E por isso não querias ir hoje, porque das outras vezes em vez de acampado acabaste acantonado e encharcado e enregelado. Mas agora, dois meses sem chover e logo hoje, seria grande azar. Que seria só frio sem chuva, que isso já bastava. E ríamos todos.

Passou-se num instante esta viagem não foi? Valeu a pena este madrugar. Chegámos um pouco atrasados mas bem dispostos. E os teus amigos ainda estão todos aqui, ainda ninguém partiu para o ‘raide’. E que grande festa te fizeram. Beijos miúdo. E já agora agradeço-te não ver em ti ressentimentos. Essa cara de puto para quem tudo está sempre bem deixa-me aliviado. Mas o frio …brrrrr, 6ºC agora. Ainda bem que trouxeste o gorro. Ainda bem que te despediste com um sorriso a tranquilizar-me. Ainda bem que partiste logo com os teus amigos, mostrando-me que afinal eu tinha razão, que afinal o que lá nos parece depois pode ser outra coisa. É isto o compromisso, o sabermos que o temos de fazer, e fazê-lo com a satisfação de o poder saborear, e não termos de tornar isso uma penalidade. É assim que se devem encarar os compromissos. Vejo que percebeste onde queria chegar. Mas que frio que está. Nada, tu estás bem agasalhado e vais divertir-te. Além disso tinhas dito que vinhas. É assim mesmo.

Mas este frio! Olha, estamos a partir. Tu já lá vais ao fundo, quase só te vemos a mochila enorme e as pernas magricelas por baixo. Mas vais bem, isso vê-se pela forma como caminhas, e pelos gestos de mãos que se vão mostrando por trás da corcunda de coisas que levas. Quase ainda te vejo no retrovisor … Já menos agora?!! Num ímpeto caiu sobre nós esta maldita tromba de água! Deixei de te ver, deixei quase de ver a estrada. Queria tanto voltar atrás agora para te ir buscar. Mas não o farei. Eu também faço parte do teu compromisso. Aliás sei que não virias já.

Mas se gritar alto talvez me ouças. Talvez não. Não precisas de o ouvir. Não convem que ouças. Mas eu preciso de o gritar como se tu ouvisses. Apenas para te dizer que há outras coisas importantes na vida de um homem, para além dos compromissos. A possibilidade de ele dizer “desta vez não! Desta vez não quero ter este compromisso. Que se lixe!”. Espero que da próxima vez, quando te falar de compromissos, um de nós o saiba dizer assim. É que às vezes é tão difícil para mim conseguir aguentar os teus compromissos filho.

Boa noite. Agasalha-te.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:07 AM | Comentários (19)

fevereiro 06, 2005

É carrnavau meux irrmãos

Aceitando o réptil do Cap...
IMAG0110cdefg61.JPG
Aqui trajando de baiana, vendo a banda passar,
… e torcendo pela “Unidos da Tijuca” claro, que é quem
está dando uma forcinha prá nossa comunidadzi no Brasiú


PS: Informa-se que a foto original que aqui se encontrava foi temporariamente vendada, isto enquanto o organizador do evento não colocar uma foto sua com mais despudor e na qual não pareça ser um perseguido da Interpool. Logo que a situação lá para os lados onde se "reprime o blog" se encontrar normalizada, será aqui reposto o facius original. Por este motivo, a que somos alheios, pedimos as nossas desculpas.

2ºPS: Como o organizador até se vem retratando (literal e figurativamente falando) aqui esta baiana, loura mas honesta, lá assume a promessa de se ir desnudando ... (fica-te por aí pá, fica-te por aí, tu não me desgraces ... tu não me faças desaparecer)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:12 AM | Comentários (18)

fevereiro 05, 2005

Um bando de miúdos e um burro na cidade

Era um burro velho e manso, com umas enormes pestanas, que algum de nós se lembrou de baptizar de Celestino. Desde o dia em que o encontrámos passou a fazer parte das nossas tardes, talvez durante umas duas semanas, não mais. Mas duas semanas, naquela altura, naquela idade, naquele verão, era imenso tempo. Um dia, no balanço que normalmente se fazia ao jantar lá em casa, acabei por referir que “estivemos a passear com um burro”, meio a medo de que mo viessem a proibir, meio excitado por me atrever a contá-lo. Mas eles sorriram, achando graça a tanta imaginação. Tornou-se assim um lugar comum ao jantar, eles perguntando sobre o “e o burro, hoje”, eu lá contando os últimos episódios. E depois eles entreolhavam-se, sorrindo. E lá fui desembrulhando a história, todos os dias um pouco. Confiava-lhes que o tínhamos encontrado num baldio, e identificava o lugar com rigor, ali perto de casa, sítio comum num bairro em construção. E todos os dias eles ficavam a saber um pouco mais do burro. Sabiam que se chamava Celestino e normalmente era já assim que me interrogavam no inicio da conversa, “então e o Celestino, está bem?”. E desenrolava-se mais um pouco daquela história, ouvida atentamente quando lhes contava como todos os dias o íamos buscar a uma estaca, e como ele já nos tinha ganho confiança, seguindo-nos, já nada renitente como da primeira vez. Perguntavam-me se ninguém achava estranho, andar assim com um burro em plena cidade. Eu não lhes percebia a estranheza mas sempre lhes ia confidenciando que por acaso naquele dia tivéramos de fugir a um polícia que nos chamava ao longe, e de como tínhamos conseguido esconder o Celestino por trás do prédio da drogaria. Eles escutavam tudo com algum encanto, deliciando-se nos pormenores, no nexo que todas as descrições faziam, naquela história de um burro com um bando de miúdos numa cidade que todos os dias se prolongava um pouco mais. “E que come ele” perguntavam. Aí interrogava-me também, pois que nós pouco lhe dávamos, mas que com certeza o dono, o homem que o tinha preso lá na estaca, no baldio, havia de tratar dele, quando nós por lá o deixávamos ao fim da tarde. Por vezes a minha mãe achava-nos algum exagero já, “que também não é preciso andar com o frasco de mercurocromo atrás, que podem bem brincar sem essas coisas”. E eu lá lhe explicava que era para curar uma chagazinha que o Celestino tinha por baixo da perna esquerda. Acabava por condescender, sorrindo, com avisos de cuidado. Naquele verão, todas as tardes a seguir à escola lá íamos buscar o Celestino, e com ele passávamos aquelas horas que se estendiam até ao lanche. Ele seguia-nos já naturalmente, dando as mesmas voltas, quedando-se quando nós nos sentávamos em alguma escada, seguindo-nos as brincadeiras com a cabeça, e por ali ficava no ócio connosco, com aquele olhar meigo, tendo-nos como companheiros. Depois vinha o lanche, outras obrigações, e lá o íamos deixar preso à estaca de novo, já com saudades, inquietos pelo dia seguinte. Uma noite viram-me tristonho, e já na sobremesa questionaram-me. “Foi o Celestino dizia-lhes, já lá não está. Tenho medo que tenha morrido”. E eles entreolharam-se, inquietos, sabendo-me magoado: “deixa estar, olha porque não passam a brincar com leões, ou veados, hás-de ver que hão-de encontrar outro bicho”. Nunca mais voltámos a ver o Celestino, aquele burro velho e meigo, e as conversas ao serão acabaram por deixar de o trazer, de perguntar por ele. Ainda hoje me lembro dos seus olhos tristonhos, aquelas pestanas enormes, a mansidão com que matava as horas da tarde connosco. E ouvia os meus pais contaram aos amigos, aos meus tios, da imaginação com que eu durante dias a fio, trouxe o Celestino para as conversas da mesa. Nunca os contradisse, nem mesmo em adulto. Afinal, que importância teria ser fantasia ou realidade. Hoje, quando por lá passo, já não há baldio nenhum, nem um bando de miúdos e um burro. Há apenas pressa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:46 PM | Comentários (5)

fevereiro 04, 2005

Esse Spam já me começa a irritar

Afinal parece que era aí um tipo, um tal "Spam" que andava a chafurdar nisto tudo. Mas esse gajo não tem mais nada para fazer?

Bem, parece que os comentários voltaram à normalidade!

(Oops, tirar daqui debaixo o boneco da diva, rapidinho ...)


15 min depois: que saudades já tinha de comentar neste blog. É quase como um gajo chegar a casa esticar as pernas e servir-se de um copo de visky

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:15 PM | Comentários (3)

Brincando com o "Paintbrush" - III

E aproveitando o facto de não serem possíveis comentários

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Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:25 PM | Comentários (6)

Isto está pior que nunca

O estado em que anda este lado da blogosfera atingiu o caos. Simpatizo com a hospedagem, compreendo as causas tecnológicas, mas por favor, tanto tempo, tanto “desfuncionamento”, é demais!

Ontem nem conseguia aqui chegar, hoje não se consegue comentar. E isto só para dizer aos estimados comentadores que se o tentarem e receberem com esta barragem “You don't have permission to access /privado/comenta.cgi on this server.”

... isso não é, obviamente, nada de pessoal, que aqui não há censura nem ninguém que a mereça.

Olhem, talvez possa sugerir uma cartinha, nos CTT mais próximos de si.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:40 AM | Comentários (1)

E como hoje estou em dia de citações

Não resisto a esta fabulosa troca de comentários aqui, na simpática casa do CAP

"- Cap, hoje entrei aqui e estava encerrado. q fizeste ao blog?"

"- Não sei de nada, Vague. (Como ninguém ligou ao meu ocaso, desisti de desistir)"

uma delícia

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:45 AM

A(s) crítica(s) ao debate JS – PSL

Eu não faço a minha. Eventualmente nem leio mais nenhuma. Afinal, já encontrei esta…

“Acho extraordinário e até provinciano, quase analfabeto, que os portugueses esperem que de um debate televisivo de hora e meia venha algum esclarecimento. O que se discute, afinal, é quem falou melhor, quem esteve com melhor cara. Entretanto, nesse vício, José Sócrates falou como se já fosse primeiro-ministro de um governo PSD e tivesse vindo a correr de S. Bento atarefado. E Santana Lopes como se nunca tivesse sido primeiro-ministro e não o fosse agora. Parecia ter estado um mês inteiro, a preparar o debate na televisão. Pareceu também um debate de consciência de uma só pessoa, como os anjinhos e os diabos dos desenhos animados”
Miguel Esteves Cardoso, DN, 4 Fev.2005

[E aproveito para perguntar: alguém me sabe dizer se este homem tem existência ‘on-line?’]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:35 AM | Comentários (3)

fevereiro 03, 2005

(Na morte de Manuela Porto) - JGF

"Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
"Fulano de tal comunica ao mundo que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio."
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros,
olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes… (primeiro, os olhos
…em seguida, os lábios…depois os cabelos…) a carne,
em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em fumo…
tão leve…tão subtil…tão pólen…como aquela nuvem além (vêem?)
- nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis…"

José Gomes Ferreira

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:14 PM | Comentários (4)

Brincando com o "Paintbrush" - II

Perspectivas

predio1.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:47 PM | Comentários (2)

A estranha mistura dos acordares

O rádio toca os “Fisher Z”. Ao ajeitar-me ao calor do “edredon” volta a pontada nas costas com que me deitei ontem. Procuro ignorá-la. Hoje acordei assim, e vou-me deixando ficar, [de um lado a espreitar os acordes de quem fui, do outro esquivando-me ao que serei], a passar distraído por quem sou agora.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:15 PM | Comentários (3)

fevereiro 02, 2005

O nosso “Palácio do Beato"

Luna, cá descobri o texto a que exageradamente o MB se referia. Remonta este ao ano de 2002, quando encontrámos a casa onde agora vivemos. Esta cartinha propunha-se não só fazer a apresentação “técnica” da casa, mas também exaltar os justos e merecidos agradecimentos ao empenho que de todos os lados sentimos para podermos vir a ter aquele como o nosso tecto.

Porque também visava implicar à força algum voluntariado para a mudança da mobília, no seu final aludíamos (hoje reconheço que um pouco irreflectidamente) a um convite para sermos visitados nesta nova paragem. Mal sabíamos então que esse simples gesto iria acabar por se ver sucessivamente inflacionado nas conversas de amigos, até se transformar numa prometida festa de inauguração deste nosso “palácio do beato”.

E não é casual que aqui refira este pormenor, pois incumprida essa promessa - e envergonhadamente aqui o reconheço - temos vindo a ser vítimas de permanentes insinuações e impropérios daqueles que assim se viram defraudados da expectativa de uma festa de arromba. Prova disso é o comentário que o JPT, um dos nossos mais acirrados e persistentes censores, acaba de fazer no post imediatamente antes deste (abaixo transcrito), e isto já 3 anos depois.

"pois, pois, mas isto tudo parece-me é desculpas (de maus pagadores) para a ausência de uma verdadeira festa de inauguração do Paço Oriental (finais de Junho? assim para o início de Julho?). O Eufi (meu Deus, ao que se chegou) arruma a casa e lava as pegadas na parede"
- JPT

[E segue então texto original, longo já se vê, que a casa é grande]

"Este ultimo terço da nossa vida, temos andado a saltitar por Lisboa, sempre na esperança de encontrar o berço desejado para a família, mantendo o sonho de um dia a fortuna nos sorrir, e então sim, desafogados, podermos finalmente arrumar a nossa mobília para o resto da nossa vida.

Ao primeiro rebento criámo-lo para os lados do Rato. O segundo, 3 anos depois, sorria roliço para os seus biberões no bairro de S. Miguel. Presentemente, aos dois, temo-los feito espigar lá para as bandas do Campo Pequeno. É curioso, quando os temos, aos filhos, as etapas das nossas vidas começam a delimitar-se pelo nascimento de um, depois outro, depois a escola, e assim sucessivamente vamos criando os nossos degraus da memória. No nosso caso, poderíamos fazer o mesmo acerca das casas que habitámos.

Certo é que pesaram sempre variados motivos para esta deriva do nosso ninho: a primeira casa, esplêndida, corroía-nos de não ser nossa e exigir rendas cada vez mais insustentáveis para pagar a outros algo que sentíamos cada vez mais nosso. A segunda era abrigo emprestado - que logo haveríamos de definir a nossa vida, e os tempos que passávamos não estavam para brincadeiras por culpa de outras histórias que nada têm a ver com o tema imobiliário que aqui me traz. Não desejo isso a ninguém: viver, comer e dormir em paredes estranhas, é como acampar na vida de outra pessoa, e por tempo indefinido desabitarmos o nosso passado, e estancarmos a trajectória do futuro, em troca de uma mesa e uma cama. O terceiro não era bem terceiro, era mais um segundo e meio de tão pequeno se nos mostrava. Mas com raça, com tanta raça que, apesar de ser alugado e tão pequeno, nos foi fazendo esquecer que nos servia apenas de passagem. E por lá ancorámos por mais de 4 anos, até hoje.


Talvez porque os quarenta que tão próximo se acercam já gritem na nossa vida um desejo sedentário, ou apenas porque nos achamos no direito de ser cidadãos comuns, começámos a exigir dos nossos destinos uma casa à qual nos pudéssemos aportar sem provisório, temporário ou comprometido intuito.

E assim, quais navegantes do antigamente, lá fomos alimentando o desejo, ou melhor, a procura de casa própria. Mas, ai sorte malvada, mudaram-se as vontades mas nada alterou as nossas capacidades. Nem por distracção do destino, ou por mero acaso da sorte, nem tão pouco por justa-paga dos nossos esforços profissionais, a nossa conta bancária deixou de ter aquele seu ar elegante e moderado, se é que me entendem. E se bem que nunca nada tenha faltado a esta família, nada que pelo menos consideremos importante, certo é que só de falar em tal investimento ouvíamos as nossas moedas chocalhar de tão farto riso.


Contas feitas, os tostões inventariados, a solidária ajuda de quem nos quer bem, e talvez conseguíssemos manter este nosso alento da primavera. Mas é por estas alturas que os desejos se desdobram; parte deles continuará a repousar etéreo sob a forma de sonho, pois por outras datas virá de novo a ser chamado; a outra parte, a que sobra, define-se sob a forma de realidade, no frio contorno do que é concretizavel. Quando se quer comprar uma casa, é com essa parte que nos temos de haver.

E o que a realidade nos trazia era um quadro esmagadoramente definido, cínico, esvaziado já dos esfusiantes e inconsequentes desvarios iniciais: Um apartamento, num bairro que nunca seria o nosso, num prédio de 6 andares preenchido com camadas sucessivas de gente ataviada com gravatas anónimas, aportando uma honrada sala de 20 m2, com a TV a um canto a cantarolar baixo por causa dos vizinhos, a mesa de jantar recolhida esperando visitas para então desalojar os sofás, os champôs, desodorizantes e pastas de dentes eterna e desesperadamente à procura de um incabimentado armário na esconsa casa de banho. Lá em baixo o carro, com o seu dístico de residente, finalmente latejando a sua raiva de 5 voltas ao quarteirão. Enfim, este complexo de classe média, confrontando-se com o que se auspiciava, de tão pouco que era ... ia mortalizando a nossa alegria inicial.

Que dizer!? Era pois preciso procurar, eu nada procurei. Soluções para a nossa bolsa havia-as espalhadas por Lisboa, com áreas relativamente económicas, eu não as queria. O nosso futuro passava inevitavelmente por uma casa própria, cuja posse me deveria fazer feliz, eu andava triste.


Pois bem, este desejo de encontrar a nossa casa foi por isso transformando-se em angústia, por razões que creio perceberem já. E de casas não vi nem uma.

Entretanto, como desde há 14 anos, cruzava os invariáveis caminhos do casa-trabalho, trabalho-casa ( gente como eu já não existe – sou um monogâmico profissional). Numa dessas idas, por estranhos desígnios que desconheço, pois nem sequer era fácil encontrá-lo, lá descobri aquela placa. O facto de ela ter sido lá colocada nessa mesma manhã – vim a sabê-lo depois, tornava tudo ainda mais premonitório. Um letreiro mal escrito sobre uma fachada cinzenta, empinado numa varanda do 1º andar - para o vislumbrar seria necessário olhar através da janela do tecto do carro, em plena condução. E apesar disso, algo me forçou a rodar o pescoço para a ver, escarranchando-a, gritando-a quase, pois foi assim que a encontrei ! Desanimado por estes dias com o que projectava poder vir a ser a nossa futura casa, dois meses depois de assumirmos esta mudança da nossa vida, e sem nada ter procurado, eis que tropeço lá para os lados do Beato, numa daquelas coisas que a vida nos põe pela frente, e que nos fazem acreditar no destino.


E finalmente eis-nos no que verdadeiramente interessa, a nossa casa. E é ela que vos quero mostrar, pois como todas as coisas que nos acontecem de significativo, reforça-nos o paladar se efusivamente contadas aos amigos. Mas não tenho daquelas sony digitais que com tantos bytes encharcam os nossos mails. Por isso terão de se contentar com uma resumida e objectiva descrição técnica:

Ao ritmo do dia, pois muito a casa vive da luz, assim se conta ela.

O Sol, pela sua fachada de oriente nasce lavado pelo rio, e assim cristalino da manhã se derrama para dentro das três varandas. Essa é a face da casa que nos atrai quando o dia se levanta, e na qual alojaremos os nossos quartos.Debruçarmo-nos sobre ela, é fugir do reboliço da cidade que se passa lá longe, por detrás de nós. Acorda-se, e ainda na cama as ramelas da noite nos é dado lavar pelo fio do Tejo ao fundo ... acorda-se bem naquela casa.

Mas sobra ainda em tão luminosa fachada uma assoalhada para fazer escorrer o dia ao longo de três outras partições, divididas generosamente por paredes altas, até encontrar do lado oposto uma sala mais ampla. O dia corre, o sol desenvolve a sua trajectória e a tarde vai-nos puxando para esse outro lado da casa. É nessa assoalhada maior que nos anicharemos no Inverno, à beira de uma lareira, que aí irei construir. No final do dia, é também por esse lado que o Sol se espanta, e enquanto se dissolve em sombras no logradouro acederemos ao pátio, prazenteiro lugar que acresce à casa, por essa sala. Mas se tão pouco nos aprouver deixar o recato da sala, deixaremos que seja a portada que por aí abriremos a trazer-nos um pouco do dia, fazendo ainda de maior aquilo que em tamanho nos basta.

Agora, ao fim da tarde, o declinar do dia traz de volta o Sol, mais cansado mas não menos bonito, pintando-se pelos 5 metros de alto daquelas paredes, e assim retorna teimoso, pela casa dentro, percorrendo as oito abusadas assoalhadas, agora em sentido inverso.

Depois chega o crepúsculo. E que melhor hora haverá para se compreender uma casa com mais de um século? As histórias que tem para nos contar, inaptos, apenas as sentimos em forma de tranquilidade. Raça, cachet, boa traça, tudo não passam de adjectivos que nós - perecíveis humanos - aplicamos quando sentimos que uma casa tem vida própria, mas não o ousamos referir por temor do ridículo.

Mas não é só pela especialidade desse momento que o findar do dia é hora desejada. De tanto tamanho de casa ainda nos sobra um sótão. Não um sótão qualquer, mas o sótão, o sótão que foi copiado dos sonhos. Que dizer daquele madeirame todo, entrelaçado no seu jeito antigo, engaiolando assim o telhado da casa. Pois convém saberem ainda que, o dia que nasce com o Sol e o Rio, naquela casa, é ali que se deve ver morrer. Enquanto não conseguir impor-lhe janelas, não o poderei sentir encharcado com a torrente do Tejo que ao fundo lhe desenha o horizonte. Por isso, contentar-me-ei em saber que do outro lado, está uma das vistas que fazem de linda Lisboa, esperando, mais tarde ou mais cedo, pelos nossos olhos.

É assim o nosso palácio, cheio de Luz, de Lisboa, de Tejo ... e nós dele!


E perguntam vocês agora: “Mas este tipo passou-se de vez, ou está só convencido que é poeta ?” As duas e uma outra justificam tanta prosa: Era só para dizer que, finalmente, quando quiserem passar lá por casa, beber um café, cigarrear uma conversa ou cravar um jantar, digam qualquer coisa pá !

Agradecimentos aos arquitectos, advogadas, decoradoras, doutores da banca, e outros entes familiares que em sorte e oportunamente nos calharam no meio deste reboliço de obras, empréstimos, conservatórias, finanças, e sei lá quê mais (e nós sempre com a mania de que fazem falta médicos na família) ...

Agradecimentos não menos àqueles que nos ajudaram a transformar velhos anseios em palácios, e a referência vai para aqueles que têm por exótica profissão andarem a ver passar aviões, e em especial suas mães ...

Agradecimentos finais para todos aqueles que, não o sabendo, ainda nos hão-de ajudar a carregar com a mobília às costas."

Maio de 2002

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:40 PM | Comentários (15)

Doce Eufigénia

Agora que ultrapassaste essa fase de silêncio ao surpreenderes a Catarina (e a mim!) com um comentário neste seu post (já agora, e quanto ao que lá evocas, insisto de novo, eu só deixei o lençol de banho molhado em cima da cama uma vez, apenas e só uma vez);
Depois de me explicares que é a boa educação que te obriga a responder lá, já que o post te tinha sido directamente endereçado;
Depois de eu já ter quase ultrapassado esta profunda mágoa de me ver preterido e assim não ter podido ser agraciado com essa “tua primeira vez” aqui;
Então, e apelando ao princípio por ti justificado de que uma alusão explícita aconselha da tua parte um comentário, ... venho só deixar esta listinha para ti:

=>Mau acordar – ou a história de um ciclo dramático
=>Eu tenho um outro Blog
=>Humm …
=>Mensagens de amor+Re:Msg.s de amor+Re:Re:Msg.s de amor
=>Isso arranja-se
=>Vou indo bem obrigado
=>Creio que ...
=>Isso é que era bom ... ter-me lá mais do que cá!!!
=>Proposta privada
=>Quarto de Hotel (a fuga)
=>Quem sabe se ela não lerá isto?
=>Isso é ali na secção do lado

E não te preocupes com as horas, caso seja necessário eu trato do jantar (queres frango com picante ou sem picante?) e ponho os putos no banho.

Beijão

PS: À falta de resposta a cada um dos post's claro que haverá sempre alternativas ...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:00 PM | Comentários (16)

Os arrombadores de planetas

Leio de um lado …
“O mês de Janeiro foi o mais seco dos últimos 100 anos em algumas regiões de Portugal”.

Outra volta e …
“Nove dos últimos dez anos revelaram ser os mais quentes desde o início das medições meteorológicas em 1861”,

esta proferida pelo presidente de uma Conferência internacional sobre alterações climáticas que decorre desde ontem em Inglaterra.

terra1.JPG

É caso para dizer que executamos o serviço completo, até o diagnóstico dos estragos nós fazemos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:48 AM | Comentários (7)

fevereiro 01, 2005

Isto hoje não está a render mesmo ...

Vou mas é parar um pouco, e fazer qualquer coisa útil, talvez
Sei lá, contar pontinhos pretos por exemplo

pic24370b.jpg

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:37 PM | Comentários (9)

Há dias em que um gajo devia era estar calado

E com tanto trabalhinho aqui para tratar ...

reflexoes.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:47 PM | Comentários (3)