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janeiro 31, 2005
E isto é aqui nesta secção
- Eufigéniaaaaaa, onde estão os ovooooos ?
- No frigorífico
…
- Isso sei eu. Mas não vejo nadaaaaa
- Procura bem, estão ao lado do leite
…
- Eufig...
- Aqui! Não vês?!!
- Ahhh, desculpa. Vai lá para dentro que eu trato disto.
…
- Eufigéniaaaaa, viste a pistola do fogãooooo ?
- Mas está no sítio de sempreeee
…
- Que coisa, nunca se encontra nada nesta casa …Ahhh, et voilá
…
- Eufigéniaaaa, por acaso não sabes onde está a esfregonaaaaa?
- Já caiu não foi?! Atrás da porta
…
- Eufigéniaaaaa, mas de que porta falas tuiuuu?
- Não acredito. De qual havia de ser?!
…
- Eufig...!?
- Olha deixa estar, eu trato do jantar!
- Vês? Vês? Sempre que eu me proponho tratar da janta tu vens por aí fora e tiras-me os tachos da mão! E depois ainda tenho de ouvir que nunca cozinho nada. Assim não dá … Assim não dáaaaa!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:36 PM | Comentários (13)
Isso é ali na secção do lado
- Tens cheques?
- Aqui não.
- Não?
- Não.
- Mas precisava de um cheque …
- Para quê?
- Para pagar o médico do Diogo
- Porque não usas o cartão do BES?
- Não posso.
- Não podes?
- Não.
- Porque não?
- Não o trouxe.
- Então e o do Santander?
- Também não posso.
- Porque não?
- Não me lembro do código.
- Mas como fazes então para…
- Como faço o quê?
- …
- ‘Tá bem, já aí vou ter
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:57 PM | Comentários (5)
Depois de estudado o "aparelho digestivo"
... a argumentação académica
… ???
- Oh Dioogoooo !
- A culpa foi do esófago pai, não foi minha
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:49 AM | Comentários (10)
Ui que até me vieram as lágrimas aos olhos
Dá cá um abração Zézé!!!
Nunca ninguém me tinha dado um bibelot assim tão belo pá:

E prometo já, doravante não haverá mais caneladas
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:14 AM | Comentários (8)
janeiro 30, 2005
Este post nada tem a ver com gatos
... mas apenas com os donos deles
- Coitadinhos , foram todos apanhados ao pé de Caldas da Rainha, ainda de mama. Veja lá, nem sabe o que fizeram à mãe deles… Como? …ah pois ...cof, cof …então e os meninos, já decidiram meus queridos? São 4 rafeirotes já se vê, mas são muito engraçados...
- Agora a mim dá-me pena é este pretinho que vai ficando. E com o olhinho assim ninguém lhe pega.
… E nós ali, ainda vacilantes, acompanhando-lhes as voltas, a disposição, a medir a têmpera …
- Bem, vamos lá … Francisco?
- Eu gostava de ficar com aquele que tem pantufinhas brancas.
- Diogo?
- ...
- Diogo?
- Eu levo o preto.
- Mas Diogo, esse é aquele que tem um problemazito num olho…
- humm … de certeza que não preferes um dos outros?
- Eu sei … mas eu levo-o na mesma ...levo-o eu!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:11 PM | Comentários (6)
E daqui um 'bibelotzito' para o ...
Com o patrocínio técnico do (sempre ele) CAP
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:14 AM | Comentários (13)
Está a apetecer-me imenso
Escrever um post a explicar que o "C" da temperatura não é de Centígrados, e que esta se mede em Celsius . Talvez depois mandar cópia para as meninas da metereologia via INMG.
E já agora, com o balanço, ainda um outro a explicar que nós não pesamos Kilos mas sim Newtons. Mas explicar a diferença entre massa e peso só mandando alguém para o hiper-espaço... a questão é, quem? todos?
Melhor ficar quieto, que depois de ter sido chamado de loiro, ainda acabo agora a ser acusado de frívolo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:10 AM | Comentários (9)
janeiro 29, 2005
Bem sei que vem fora de prazo
Mas estava aqui a ver fotos do Natal e a pensar que,
a gente leva aquilo tão a sério que ...
... só com 8 anos o meu filho mais novo
deixou de acreditar no Pai Natal
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:56 PM | Comentários (1)
Entre estudante mandrião e astuto criminoso – parte 1/3
Ainda um estudante honrado, embora já adepto da sornice
L á, na instituição onde me formei era identificado por um número mecanográfico, o 26607. Não um nome, nem uma alcunha, apenas um lugar nas pautas. Poderia agora devanear sobre a relação pedagógica que (nunca) tive com aquele Instituto, ou sobre a diferença entre formar, ensinar e apenas seleccionar. Ou ainda sobre o aviltamento de se fazer esta selecção apenas com base no princípio da exaustão física e psicológica, ignorando por absoluto as capacidades intelectuais de quem assim se viu prematuramente expurgado das suas aspirações profissionais, precoce e desonestamente derrotado.
Mas não o vou fazer, não vou falar desta escumadeira ostracista que ousou transformar os 150 alunos ainda envoltos na auréola do mérito de se verem aí seleccionados, orgulhosos de se saberem assim entre os mais promissores do ensino técnico nacional, capazes e pujantes intelectualmente, em pouco mais de 40 escanzelados, socialmente inaptos, psicologicamente falidos, inseguros, raivosos e deformados diplomados. Exagero? Raiva? Talvez. Afinal eu fui um dos sobreviventes, é natural por isso que não aborde a questão com muita objectividade.
E não vou falar sobre isso porque, precisaria de muitas linhas, de opróbrios que me valessem, e porque não é isso que aqui me traz agora. Para o efeito consideremos que de lá, conservo o título, o número, a medalha, e esta sensação de … bem, passemos então à história que aqui venho recordar.
--//--
P or estratégia (*) ou desajustamento, todas as cadeiras daquele curso eram difíceis, e nisso faziam-se competir, quais concorrentes no ranking de alunos a si aferrolhados.
(*) Recentemente, agora lidando com o meio docente, vim a ouvir da boca de um professor catedrático uma explicação indesmantelável para este absurdo grau de severidade - e faço notar que estamos a falar de um regente de cadeira. Justificava-me ele então que o incongruente de tudo isto era o facto de os Departamentos verem as suas dotações orçamentais proporcionais ao número de discentes. Quer isto dizer que a pujança, a dimensão, a influência de cada um dos departamentos na Universidade se fazia sentir pelo número de formandos que em cada ano lectivo se notavam inscritos nas suas cadeiras, e para o qual contribuía naturalmente o número de reprovações do ano anterior… o resto do raciocínio deixo-o para vós, que a mim até me arrepia prosseguir.
Mas ainda assim era possível classificá-las por níveis. As piores eram os cadeirões a que eu chamava os “vórtices de gente”, pois neles faziam confluir estudantes do primeiro ao quinto ano, tal era o grau de intransponibilidade. Vi bastantes colegas deixarem-se desesperar nesses degraus mais custosos, insistindo, investindo as suas capacidades de forma obsessiva, e depois terem o cobro de tal esforço, um ano estafado, desperdiçados outros compromissos, os académicos e também os pessoais. Eu, quando encontrava esses cadeirões, apostava em estratagema contrário, ignorava-os, e espraiava o meu esforço pelas outras cadeiras, estas mais acessíveis, alcançando um razoável grau de aproveitamento. Aos cadeirões logo os veria, em segunda época provavelmente.
Aliás, desde cedo tinha percebido que me era favorável investir em esforço num período concentrado de tempo, durante o qual hibernava para casa da minha avó de quarentena para os exames, e assim usufruir do restante ano para outros “amores” que não apenas o dos compromissos académicos. Esta minha estratégia permitia-me assim conduzir-me numa vida de juventude suficientemente libertina para ser considerada normal, e daí recolher resultados medianos, estes suficientes para as minhas (pouco ambiciosas) pretensões académicas. Folgava-me durante o ano, para me investir somente em períodos próximos dos testes e exames, e esta sempre me pareceu escolha justa e acertada. E assim lá fui escorregando, patinando, saltando, ultrapassando, superando, tropeçando, enfim, lá fui resolvendo o meu repto académico, pé ante pé.
--//--
M as havia um tipo de cadeiras que se manifestavam mais complexas de gerir, porque não era possível adiá-las, nem ter-me por ausente delas. Essas cadeiras obrigavam a trabalhos práticos, que não muitos, mas custosos. Aqui a estratégia era necessariamente diferente. Fossem estes trabalhos individuais ou colectivos, eram desenvolvidos com um grupo de colegas, o mesmo sempre. O princípio era simples, tratava-se do princípio da especialização. Cada um de nós fazia-se conhecedor de uma matéria em particular, e resolvia assim os percalços de todos, quando os trabalhos incidissem nesse seu domínio. Era um pacto interessante, em que cada trabalho calhava alternadamente a apenas um de nós, aliviando os outros do mesmo, senão apenas para preparar a sua defesa, e só quando este a implicasse. Era um método interessante, especialmente para um ardiloso cábula como eu.
Pois bem, a mim tinha-me calhado em ‘sorte’ o trabalho de “Calculo numérico”. Aparentemente nada de muito grave, embora aquilo se baseasse numa linguagem de programação execrável e inútil – o Fortran IV (bem sei, linguagem científica, etc, que me desculpem então os puristas). Só que a minha missão começou a revelar-se mais complexa à medida que me fui apercebendo das condições que dispunha para a sua realização.
Na primeira metade dos anos 80, a Universidade técnica mais faustosa do País, dispunha de condições informáticas primitivas. (Devo fazer justiça e lembrar-vos que os micro-computadores eram por essa altura objecto de visitas de estudo, e o Spectrum ainda se estava por revelar - é curioso notar que estamos a falar de há pouco mais de 20 anos atrás). Pois bem, os trabalhos de programação, ali, eram trazidos em caixas cheias de cartões perfurados até junto de um guichet a que pomposamente chamavam de “centro de cálculo”. Este, ao que se dizia, tinha um dos mais bestiais monstros do processamento informático em Portugal, e que até com irmão – exagerava-se com orgulho – na própria NASA. À janelinha assomava sempre um tipo de cara enlutada, (admita-se, escravo humano da máquina), que recolhia o nosso trabalho, devolvia uma senha e voltava para dentro sem um resmungo ou esgar. Nesse repente, pouco ou nada vislumbrávamos daquela gigantesca máquina que se alimentava com um apetite voraz dos cartões entregues. Normalmente, só no dia seguinte, nos era dado o resultado de tão prodigiosa mastigação. As tão desejadas listagens do programa e os resultados da sua execução.
--//--
A parte mais custosa deste trabalho não residia contudo aqui, nesta fase em que o trabalho era finalmente processado, mas sim na perfuração de cartões que a antecedia, processo quase fabril e que explico de seguida.
Sem redes informáticas nessa altura, nem tão pouco microcomputadores, era necessária tecnologia que permitisse levar os nossos imberbes algoritmos até ao colosso informático, e por alguma via, destes o fazer alimentar. Para isso, as instruções de programação eram passadas, linha a linha para cartões perfurados, os quais, por leitura óptica eram assim interpretados pelo monstro. Tratava-se de facto de um processo mecânico, costureiro. O dedilhar sobre as teclas de uma ferrugenta espécie de máquina de escrever, permitia punçonar os cartões. Estas perfurações, codificadas, dispunham então à sua tradução. Cada instrução era trauteada num cartão, e estes, arrumados em baralho de cartas de forma não indiferente, formavam a lógica sequencial de um programa, ao ser lidos. (Como me vejo velho na estupefacção daqueles, aqui mais novos, ainda não acreditando que a um fascículo de cartões também se pudesse chamar de programa)
Mas o trabalhoso de tudo isto não era apenas este mister “jacquardiano” do picanço, do qual não conseguíamos disfarçar o rubor – nós, futuros engenheiros de um futuro parido já da electrónica que viria – de nos vermos servis de uma tecnologia herdada do séc. XVIII. É que para aqui se chegar, a esta tão arcaica programação, era preciso ultrapassar uma série de ‘nuances’ logísticas, que no seu cerne se deviam na razão de existir uma maquineta por cada 500 alunos daquele estabelecimento. Eram milhares de alunos, todos eles coincidindo-se na urgência do trabalho, no final de cada semestre. Disponibilizar 10 perfuradoras de cartões a tanta gente, e tão desesperada, era submeter a prova extrema de civismo até o mais urbano estudante. Tormentoso não era apenas aquele trabalho de teclagem, quase tecelagem, mas sim o conseguir lá chegar.
--//--
E ra por isso fundamental ter uma equilibrada constituição no grupo de trabalho, cada um ocupando-se de diferentes competências. A começar por alguém com elevada capacidade de persuasão, e depois um outro elemento de grande disponibilidade física para quando o primeiro falhasse na sua argumentação, estes dois trabalhando em equipa. Finalmente, depois de alcançado o posto de trabalho, vinha o operador à cena, indivíduo que se queria pleno de destreza, de preferência sem ambiguidades para com as teclas, e com um invejável grau de resistência, quase hercúleo, pois que não raras vezes um trabalho era começado ao serão e só se terminava por altura do almoço do dia seguinte.
Aqui as coisas complicavam-se para mim, pois recordo que me encontrava sujeito a um pacto de grupo, este fazendo-me agente exclusivo deste trabalho, pois que noutros já havia folgado. Tinha de trajar assim as várias figuras que se alternavam até ao sucesso de toda esta façanha, e sozinho. Disputei pontos de vista, empurrei e fui empurrado, acalmei à direita, e excitei impropérios à esquerda, durante largas horas fiz-me valer de múltiplos argumentos, estoicamente, até me ver próximo da maldita perfuradora. Mas aí já não absolutamente só.
Horas antes tinha chegado até junto de mim, com aquele passo miúdo, timidez de nem se fazer ouvir, a L. Na altura estava justamente fazendo valer o meu lugar na bicha e gritando que me estava marimbando para aquela argumentação de lugar aos mais velhos. Ela tão franzina, nem a notei no meio dos vitupérios. Por fim, com a sandes pela frente dos meus olhos, lá se fez notar. Dizia que vinha a recado do J., um dos meus colegas de grupo, e que ali me trazia uma sandes para mitigar tanta hora de abstinência. Mal a conhecia, tinha-a visto de facto acompanhar o J. aqui ou ali, mas nada mais. Naturalmente fiquei-lhe reconhecido, e fiz-lhe sentir isso. Talvez por isso, julgava eu então, ela lá se ficou por perto, fazendo companhia, pouca é verdade, que ela tímida e eu sorumbático.
--//--
Q uando dei por ela de novo, insistia que trataria daquilo, que eu não me preocupasse, que ela estava habituada e eu precisava era de ir descansar, que já se via que nem olhos tinha para as teclas. Fiquei abismado com tanta amabilidade. Aproveitei-a, sentia-me de facto incapaz para o que quer que fosse. Curioso agora rever que, apesar de tanta generosidade, nem assim lhe ganhei simpatia.
Ainda por lá passei uma ou duas vezes naquela noite, creio que por me sentir abusivo. Depois, convidado a isso várias vezes, acabei por me ir deitar. No dia seguinte logo me daria(deu) a senha da entrega dos cartões lá no “centro de cálculo”. Fiquei a agradecer, fiquei de agradecer também ao J., e lá fui ao descanso.
E foi assim que conheci a L. Desengane-se o leitor se julga que daqui se seguirá uma história de amor ou amizade. Pois que tão invulgar é a forma como a conheci, o exagero da disponibilidade, como inédito é o fim da história, se bem que hoje veja ambos os momentos entrelaçados. Esta não é história de amor, e talvez espante se disser que quando muito será história de terror.
(continuará)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:48 PM | Comentários (8)
janeiro 28, 2005
Com ou sem "Picks & Pucks" ??
Abrindo o envelope ... (neste caso atendendo o Tlm)
E o resultado da Ig.E ao pelo dos P&P
deu .... Negativo !??
Ou seja, ???, positivo então!!!!
Viva a gatalhada !!!
Vivam os putos !!!
Viva o Bill !!!
Vivam Vcs todos !!!
Viva Eu!!!
(que não vou ter de ir dormir para o anexo)
E agora um pensamento para o fim de semana:
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:12 PM | Comentários (33)
Isto está a ficar um blog "louro"
GOSTARÍAMOS DE INFORMAR QUE AQUI,
EM TEMPOS IDOS, TAMBÉM SE ESCREVEU
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:37 PM | Comentários (30)
Preciso urgentemente arranjar ideias para escrever um post
Preciso urgentemente arranjar ideias para escrever um post
Preciso urgentemente arranjar ideias para escrever um post
Preciso urgentemente arranjar ideias para escrever um post.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:59 PM | Comentários (4)
(Continuando em formação)
Lição nº2
Cores?Imagens múltiplas (não era suposto sairem assim)
Isto do ”In-service-training”. Tem a vantagem de um tipo ir aprendendo e fica logo a coisa feita. O problema é a quantidade de disparates que se atreve a deixar aqui.
Imagens com border e centrada

Este estilo de lettering --> tambem é interessante
O EFEITO DO letter-spacing NO MEU BLOG.
NÃO ESQUECER DE TRAZER OS CÓDIGOZINHOS DE CASA
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:06 AM | Comentários (8)
(Estou em formação)
Lição nº1
Será que sai letra grande? (ai, estou tão nervoso ... primeiro dia de aulas...)
Obrigado CAP. Esta coisa está a revelar-se de uma enorme utilidade para adornar aqui a loja. Agora só tenho de continuar em copy-past por aí fora, até que o blog fique completamente incontrolável. Depois é fácil, só carregar ali no Delete All. Entretanto tenho de continuar a escrever para ver como é que a linha passou ali por baixo do "O" grande.
A esta hora também não está ninguém a ver pois não?
Mas atenção
Há caixas melhores do que outras. Isto requer estudos gráficos muito apurados (como se porá o texto alinhado à direita?)
| Olá Catarina |
| Tambem se arranjam coisas 100nada por aqui ... |
AS COISAS QUE O CAP CONHECE | NÃO SÃO COISAS (IN)UTEIS |
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:06 AM | Comentários (15)
Querendo aprender os adornos da ‘postagem’
Há os blog’s machões, tonitruantes, bastando-se pelo que dizem apenas, sem mais nada, e que arreiam postas à esquerda e à direita (normalmente mais à direita), sem rodeios e serpentinas. Ora, dar voz às letras e bastar-se pelos conteúdos que estas escrevem, é coisa de vocações, não se aprende, apenas se melhora, quando se tem.
Depois há os outros, mais efeminados, pois que não tendo a mesma arte para se valer apenas pelo arremesso das palavras, se tentam no repenico do ‘decord’, no laivozinho de perfume, enfim, velando-se na imagem que lhes possa esconder outras faltas. Por outras palavras, vão-se enchendo de mariquices.
Para os primeiros falta-me a verve, a inclinação. Já nos segundos confio que seja questão de técnica, de aprendizagem portanto. Eis então por onde me devo investir, e se bem que continue teimando em me servir da palavra - até porque é essa o meu gosto, começo a olhar com interesse e curiosidade para o adorno. Na técnica de maquilhagem que o possa gerar, e porque apreensível, já centro com mais confiança as minhas aspirações.
Eis-me chegado então ao apelo, ao aconselhamento técnico. Reconhecendo-me eu num nível muito primário da manipulação deste HTML ou o que quer que isto seja, levanto de seguida um conjunto de questões técnicas, (os primeiros tópicos desta minha aprendizagem). E listam-se as questões:
Nota: naturalmente, as 3 questões de cima são aqui utilizadas por forma a representarem graficamente o que se pretende. E se isso é aqui possível é porque se trata de uma imagem e não da geração através do editor de texto deste blog.
Agradecimentos antecipados a todos os especialistas que nos comentários queiram fazer o favor de trazer os seus conselhos.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:41 AM | Comentários (12)
janeiro 27, 2005
Portal de Futebol (olhó benficóo-sportéem)
Um homem vem à pressa colher a opinião dos outros e zarpa por aí à procura de relatos e críticas à jogatana. Não necessáriamente para as ler, mas para as comentar, e se possível ( mas isso já é muita sorte) poder aí contradizer, abespinhar, enfim tratar esta sua raiva, alguma azia também decerto.
Depois de tanto, e como já nada tenho a acrescentar sobre aquele fabuloso jogo de péssima digestão, deixo por aqui o meu traçado da matina. Poderá assim o leitor escusar-se a tropeções pela blogosfera, sobre questões de somenos importância, que esta do futebol. Eis então alguns resumos linkados:
- No 3º Anel naturalmente, a reportagem na hora, o rigor jornalístico
- Já o Planeta Reboque dispensa a sua homenagem a um grande e promissor interprete desta arte
- Este jogo ficará certamente para ser revivido na nossa Memória virtual
- E se alguem teve o miserável azar de lá não ter estado ou visto, eis um relato estrondoso do Sharkinho, aqui afixado
- Mas para mim a crítica mais especializada e devotada é seguramente a de quem à Beira mar plantada viu o jogo com atenção merecida
- A verdade é que no fim, purgado dos pormenores das jogadas e do resultado, para mim continua a subsistir esta quase adivinha do Cap
E agora o desafio aos leitores:
Se tiverem a bondade de usar a caixa dos comentários para acrescentar novos ecos sobre este encontro dos titãs da 2ª circular, eu com muito gosto actualizarei este post'al de informação .... olhó benficóóó-spoortéeeemmm
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:46 AM | Comentários (5)
Felizmente não sofro de 'onicofagia'... cof cof
Desculpe, quer falar do quê? Sport…quê? Penalties? Olhe, não quer arriscar primeiro esta "quase adivinha" lançada pelo Cap?:
"Afinal parece haver algo mais poderoso que o vício de blogar. Tem formas de Terra-mãe, faz jurar pela saúde de todos os antepassados sobre aquilo que mais ninguém viu, exorciza recalcamentos e excita uma catarse tribal. Ah! Também promove a onicofagia."
Então, já adivinhou? e a 'coisa', já está mais calma? E desculpe, nós íamos falar de quê?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:51 AM | Comentários (2)
janeiro 26, 2005
A técnica de aplicação de um Supositório
Suponhamos então um supositório … (não resisti ao trocadilho)
Vem o que se segue a propósito de um comentário que fiz a um post do João Pedro da Costa, lá no Afixe (sempre um regalo ler este ex-arruinado). Alvitrei então absortamente sobre a técnica de aplicação de um supositório, algo que me parece deveras importante sobretudo para os pais que não querem andar de gatas a apanhar os pegajosos projécteis da alcatifa, depois de os verem vigorosamente devolvidos pelo rabito da criança.
Bem sei que o tema não é simpático, mas é conselho útil. No entanto, não obtive nenhuma reacção ao meu comentário, já nem digo um elogio, um agradecimento, bastaria até um simples “ai é?”. Mas nada. Reconheço que aquilo se começou a desenvolver, a desenvolver, e entretanto fiz da caixa de comentários um lençol de palavras de tema pouco próprio. Agora pensando bem, vejo-o até como uma enorme falta de conveniência se pensarmos no post elegante, sintético e estético do JPC, que assim se viu embrulhado pela dimensão desajustada do meu comentário.
Ainda assim, obstinado, continuo a achar que disponho de informação útil sobre este matéria, e continuo a falar da técnica de aplicação do supositório. E como a adquiri por mero acaso sou levado a admitir que a maior parte dos pais prossiga na técnica errada, como eu seguia. Razão porque aqui reincido no tema, em conselho que mantenho achar útil. Faço apenas um apelo à v. generosidade: se o que a seguir disser for tão óbvio, se afinal se constatar que o único que não sabia disto era eu, então que alguém tenha a delicadeza e a elegância de me dizer que ando a fazer figura de urso, já não uma (lá), mas (aqui) duas vezes.
Aqui vai:
Eu com as fraldas (em boa hora chegaram as descartáveis) ainda lidava bem, e até de creminho johnson nas mãos me era capaz de arriscar. Agora, os supositórios, isso é que já era só mesmo quando não tinha já escapatória possível. Nem era pela coisa em si, era mesmo pela dificuldade de aplicação. Aquela cena já de si pouco agradável, acabava por se repetir quase até à (minha) exaustão, pois quase sempre o supositório insistia devolver-se cá para fora. Chegava mesmo a irritar-me com os putos (ainda bebés coitaditos) por achar que aquilo eram eles, precoces, para me azucrinar o juízo. Nada me parecia incorrecto no meu gesto, aliás, copiado das vezes em que sempre o vi ser tido.
Um dia, no Hospital da Estefânia, vi uma médica aplicar um supositório ao miúdo de uma forma que me pareceu perfeitamente idiota, e arrisquei chamar-lhe a atenção “Oh Soudoutoura, olhe que está a pôr o supositório ao contrário !!”, ao que ela me fez ver que não, e ainda que irritada pela observação lá foi explicando que da forma que tentava, com a parte arredondada para trás, o supositório ajudar-se-ia até a ser … enfim, a ir lá para dentro. Afinal, e para que não residam dúvidas, o que se me corrigia era:
Achei isto curioso, pois sempre olhei para um supositório como um projéctil, em que a parte ogival se viraria para a frente. Simples sugestão aerodinâmica diria, pois estamos perante uma quase réplica da forma mais perfeita: a “gota d’água”. Mas agora pensando bem, torna-se óbvio que o efeito de cunha que as paredes do ânus/intestino fazem no supositório, conduzi-lo-iam à expulsão. Já o invés favoreceria a sua penetração (a do supositório naturalmente). E se bem que na literatura anexa nunca seja referida a sua forma de aplicação (o que é lamentável, já que o contorno do supositório induz desde logo à sua errada manipulação), não posso deixar de me envergonhar um pouco, eu um especialista em arranjar problemas,por nunca ter tido uma abordagem mais científica da coisa.
Para os mais cépticos, eis uma esquematização gráfica do problema:
Enfim, em conclusão insisto que apenas desenvolvi o tema (pouco simpático bem sei) porque admito possa ser de grande utilidade a quem como eu ainda olhe para aquilo como um míssil, e continue a ir buscar por muitas vezes o dito projéctil ao meio do quarto, até à exasperação final, quando este já pegajoso, nem dos dedos se quer livrar.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:27 PM | Comentários (18)
O peso da Arte final
Desde que pus a bonecada aqui no blog que isto quase parece o Maschamba a abrir. Por falar nisso oh JPT, já estamos na transcultura da horta ou ainda vamos ficando nos "downgrades" da coisa?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:39 AM | Comentários (2)
janeiro 25, 2005
Memórias numa sala de espera
Há quanto tempo não ficava assim, brincando com o tempo, apertando as pálpebras de encontro ao sol, admirando-o pelo vermelho forte com que ele as pinta por dentro. Depois cerro-as com mais força, e distraio-me a ver-lhes as estrelinhas a cirandar no vácuo das órbitas, naquele fundo quente e encarniçado. E depois estas, aliviadas já da pressão ficando só piquinhos, até tudo voltar a ficar vermelho outra vez …

… é bom fechar os olhos assim, e ficar a ver o vermelho apenas. "Ãhh, ... sou eu sim, humm ... desculpe mas acabei a passar pelas brasas, já posso entrar? Como está Sôtor ... é, é este molar outra vez"
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:19 PM | Comentários (10)
Querendo aprender
Acabou-se a embalagem da "Royal Canin" que o Bill nos deixou para os bichos. Comprámos outra, da mesma marca, com as mesmas especificações, e para igual faixa de idades – dos 4 aos 12 meses. De diferente apenas tinham a cor, uma tinha uma faixa diagonal em cinzento e a outra tinha-a em rosa.
Os gatitos agora fazem cerimónia a comer, um deles tem mesmo sentido alguns vómitos. Mas afinal os gatos não são daltónicos?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:34 PM | Comentários (3)
Há post’s que nunca o deveriam poder ter sido
Estas manias de agora. Porque é que os post’s não são como os papelinhos que se espalham pelo bolso do casaco: andam por lá, um dia olha-se, e pimba, lixo... nem chegam a ser indiscretos, nem sequer chegam a ser. É assim que cada cantador zela pela sua alma, fazendo-se dizer das partes que apenas quer.
(felizmente eu nunca precisei rasgar nenhum ... cof, cof)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:37 AM | Comentários (17)
janeiro 24, 2005
Não me chateiem poças !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:57 AM | Comentários (16)
Neblinas matinais ... mas só enquanto me adapto de novo
Bom, lá vou voltar ao trabalho. Ainda sinto uma piorreia ... (este zumbido metálico que se ouve no fim da respiração, produzido sem nossa intenção ou controlo, que a alguém mais atento pode mesmo desvendar a nossa estrutura robótica, esta que em condições normais de saúde seria indetectável por detrás de tanto osso e carne com que nos disfarçamos na nossa condição humanóide) ... mas já não é nada que me desmascare, esse sussurro com que termino cada expiração.
Confesso que comecei por sentir um ligeiro receio neste retorno, afinal estive uma semana afastado de tudo. Será que conseguiram deixar o mundo lá fora na mesma? Mas hoje ao acordar fiquei mais descansado. Alguém vela pelos meus temores. Tinha-se posto um manto de nevoeiro sobre o mundo, para eu não me sentir tão exposto. Para eu poder voltar devagarinho, e não todo de uma vez.
Por isso, senhores automobilistas, as condições atmosféricas requerem o devido cuidado, pelo menos até às 11h da manhã, altura pela qual prevejo já a minha readaptação completa, havendo a partir de então tendência à diluição das neblinas matinais. Um bom dia de trabalho.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:55 AM | Comentários (8)
janeiro 23, 2005
Brincando com o "Paintbrush"
Horizontes
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:46 PM | Comentários (13)
O meu calendário cromático
Made by Eufigénio
"percevejo" (dizer punaise ao que parece é afectado)
cedido amavelmente pelos miúdos
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:01 PM | Comentários (4)
100nada a dizer
A Catarina ontem lá foi avisando que iria retirar os comentários. Sobressaltei-me. Afinal é o blog onde mais escrevo, a seguir a este, e só isso já diz tudo. Ainda eu montava alegação, e já ela passara à acção. E com aquele seu jeito especial de saber dizer as coisas …
“Mas com o som desligado, talvez seja possível ouvir o que (eu eu eu) quero realmente escrever.”
… há lá argumentação que se arranje. Posso ser teimoso, mas obtuso não. O meu respeito pela decisão Catarina!!!
Mas vou já avisando que se quer aí um balde bem grande, para ir apanhando os pingos de tantos “trackbacks”. Pois, … que eu agora comento daqui … ou julgas que eu era capaz de ficar caladinho … tipo a rir para dentro, baixinho? Era só o que faltava!!!
PS: E só para que o saibas, quando por lá ouvires um arrastar de cadeira, sou eu a mudar de posição. (Se for exageradamente alto, então deve ser o meu espanto, coitado, ainda não habituado, a querer-se escrever.)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:46 PM | Comentários (9)
janeiro 22, 2005
Arrotar postas de bacalhau
Acabei de descobrir a verdadeira origem desta expressão, por contingência da minha condição de enfermo (não sei se já por aqui tinha dito que me encontro adoentado). Há alturas em que se quer um homem recolhido na cama, a convalescer, recuperando-se para o mundo, mas com a dignidade de o fazer em silêncio e recatadamente. Esta parece ser a própria condição do doente, e assim foi, até hoje. Mas vivem-se tempos modernos, tecnologicamente bem armados de portáteis, placas 3G e sei lá que mais, e aquilo que era uma sossegada reabilitação física no recato do lar, pode correr o risco de se tornar uma incontinente e degradante coisa pública.
Para isso bastará que deixem o doente – este já em estado pouco abonatório – por alguns instantes, sozinho em casa, e que a este se faculte o acesso à Internet, e que nesta tenha ele por hábito cultivar e regar um blog. Depois basta presumir a já famosa capacidade clínica de todos os portugueses, o povo no mundo com maior capacidade de se autodiagnosticar e automedicamentar. O desinteresse pela posologia dos medicamentos pode potenciar mais facilmente a situação pretendida, uma vez que visará acelerar o estado de delírio que é condição a atingir e a demonstrar empiricamente.
E pronto, reunidas todas as condições, é só esperar mais um grauzinho de febre que certamente não demorará, consequência da medicação tida, e aí iremos ver, ao vivo, post atrás de post, toda a dignidade de um homem, em curtos instantes, ser desmantelada, desossada, espezinhada na praça pública, (leia-se blog), num acto de autoflagelação delirante.
E chegámos finalmente à condição demonstrativa. O povo, com a sua perspicácia e poder figurativo, diria então que este homem, para o exemplo eu, estaria a arrotar postas, (as “postas” indicam os trechos de texto com que este obstinadamente vai editando o seu blog, o “arrotar” caricaturizando o lamentável nível e incontinência das mesmas).
Quanto à parte do bacalhau … cof, cof … essa deve ter a ver com o hálito do óleo do fígado do dito. Há historiadores que falam de postas a cheirar a pescada, mas acreditamos que isso seja um modernismo que nunca chegou a substituir completamente a expressão original. Recompúnhamos então a expressão, e apliquemo-la sobre o sujeito desta dissertação:
"Oh Eufigénio, mete-te mas é na cama e deixa lá de arrotar postas de bacalhau" (não de pescada, pescada não). Acho que faz sentido, sim senhor.
E pronto. Amanhã iremos então investigar outras duas expressões igualmente conhecidas. A primeira, mais popular, que diz "não vás ao médico não", e a segunda, esta já mais recorrente nos últimos tempos que refere "se eu fosse o teu blog, mudava de password", a insinuar um claro sentimento de desaprovaçáo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:16 PM | Comentários (8)
Gripes citadas, citações engripadas (*)
Caro Zola,
Hoje leio-o das citações ali na coluna da direita:
"O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito" - Zola, Émile
Devo então perguntar se a minha gripe, face ao já longo período em que me tem refém, pode ser considerada cota bastante de sofrimento. E se assim é, e no pressuposto que então o meu espírito irá acordar, preocupa-me que ele se assuste, se afogue até, no meio de tanta ranhoca. Melhor no caso presente deixar o espírito a dormir, não?
É que gripes e raciocínios ascéticos vão mal se tomados em conjunto amigo Zola, … e dependem tanto de quem os tem e de quem os profere!
E aqui me explico, pelo respeito que lhe tenho - é que por cá há esta moda agora das citações soltas. Olhe, tivesse esta que abordámos sido proferida por um dos seus mineiros do “Germinal” e certamente que eu engoliria já a ironia, envergonhado até. Mas se ao invés derivasse de um garganteio teatral de um qualquer “dandy”, lá dessas festas de paris, da sua “Nana”, e logo diria que a juntasse (à citação) no mesmo saco onde guardo os cantarolos dos homens daqui da terra, e que também dizem coisas assim, interessantes … e aqui a ironizar já de novo, bem se vê.
É que gripes e raciocínios ascéticos dependem tanto de quem os tem e de quem os profere amigo Zola!
(*) O título deste post, visa homenagear assíduo comentador desta casa: Bill - caso tenham dúvidas sobre o seu significado queiram fazer o favor de se dirigir ao mesmo
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:49 PM | Comentários (4)
janeiro 21, 2005
Quem sabe se ela não lerá isto?
Para o caso de vires aqui, vou deixando notícias. Para já não deves ficar apoquentada, ok? Agora já só tenho 40ºC e já está a baixar, de manhã é que andou nos 41,5º C. O problema foi o lenho que abri na testa, pois com tanta tontura acabei por tropeçar na mesinha que a tua avó nos deu e fui enfiar com a cabeça na esquina da lareira. Mas o sangue já está quase estancado, e tenho aqui o balde da esfregona para onde vou escorrendo a toalha. Agora estou é mais preocupado com os gatos que foram para o sótão mas ainda não voltaram. Ainda tentei lá ir, já só de joelhos pelas escadas acima, que não há força para mais, mas a meio desequilibrei-me, foi a fraqueza certamente, e vim aos trambolhões parar cá abaixo. Ainda bem que pusemos aquela janela de vidro duplo, assim não houve estragos materiais. Eu é que fiquei com um braço meio estranho, e é por isso que estou a demorar mais tempo a escrever. Mas quando chegares a gente logo o tira de trás do pescoço, e talvez precise de um endireita, coisa pouca. Entretanto comi as 3 folhinhas de alface que sobraram de ontem. Não encontrei mais nada, mas também não faz mal pois tenho a garganta com tantos pontos brancos que nem lá passa um grão de arroz. Como vês está tudo sob controlo portanto, não tens de te apressar, faz a tua vida que eu cá me aguento …
… enfim, se puderes vir um bocadinho mais cedo só …
… olha, podes vir jáaaaaaaaa???
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:41 PM | Comentários (15)
E já lá vão 5 dias de molho
Não sei se tente ler outra vez, se vá dormir mais um pouco, ou se arrisque acabar o documento. Talvez vá dormir agora e depois ler uma revista de letras grandes. Ou então sempre posso preparar o trabalho para a tarde. É estupendo ter tanto por onde escolher. Uma semana inteira a saltar de opção em opção, a deixar tudo a meio, e o cérebro de cada vez a fazer-se mais mirradinho.
E ainda há quem diga que gosta de estar doente … taralhoco é o que ele é
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:29 AM | Comentários (11)
janeiro 20, 2005
O Afixe, perdão … a blogosfera em 2006

Não levem a mal excelsos Afixadores … mas ao saber desse fabuloso reforço de hoje, ainda assim, não deixava de me rir a pensar nisto: "por este andar qualquer dia não têm visitantes ... que os que havia, serão já por lá autores"
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:43 PM | Comentários (16)
Alguém viu as nossas minhocas ?
Vêm estas memórias a terreiro (termo bem próprio para a história que se segue) depois de um comentário que em trocadilhos de juventude ali fazia com o JPT. Recordava que:
“A última vez que ofereci os meus préstimos foi aos jovens agricultores que acabaram em banheiros de praia lá para os lados de Sta Cruz. Era mata de eucaliptus e nós aos pares, um de serra eléctrica na mão o outro segurando a vítima. Pois o bronco que comigo emparelhava, faz-me um lanho que vai calça, vai pele e quase ia tudo. Fico branco , "mas...mas..." ainda balbucio, de tronco na mão. E ele impávido, "desculpa aí. Olha ali outra".”
Diverti-me tanto a recuperar esta situação com as outras partes que lhe sucederam e a repescar cada um dos seus episódios, que aqui me incito a contá-la, agora por completo.
Estávamos naquela idade em que a nossa condição civil se começava a dividir em 2 facções no grupo de amizades, os que começavam a trabalhar, e os que continuavam a estudar. Os primeiros lamentavam-se de se verem precipitados para uma vida de obrigações, os segundos invejavam os primeiros pela independência que assim atingiam, alcançando ao mais cedo aquele grande anseio da nossa adolescência: a emancipação. Havia ainda uma terceira facção, mais diminuta, a dos que começavam a casar, mas esses não justifica aqui fazer notar. Primeiro porque só bastante mais tarde, quando acabámos por juntar a nossa condição à deles é que voltámos a partilhar os mesmos programas, e depois porque esta história está muito longe das fraldas que por aquela altura eles deveriam estar a manipular.
Pois bem, três de nós, aqueles que se encontravam na primeira condição, com elogiado empreendorismo, decidiram associar-se num projecto agrícola. Estávamos na altura dos subsídios à agricultura (nesta fase os de semear, só depois vieram os de arrancar), e a sua condição juvenil ainda favorecia mais as condições de candidatura e empréstimos.
Tinham decidido implantar o projecto lá para os lados de Torres Vedras, aparentemente por ser zona que lhes era comum além de que, como é sabido, é área de bons solos. O local escolhido ficava perto da praia de Sta Cruz, e se refiro a praia para além da localidade, é porque esta não será indiferente ao desfecho da história.
Arranjaram o dinheiro, arranjaram o terreno, mas não tanto a vontade de arrancar. Foi por essa altura que solidários, nós, os outros, ainda amamentados, investimos os nossos préstimos na preparação do terreno. Até porque aquilo que eles já viam como obrigação, nós víamos como diversão e a oportunidade para entremear com um mergulho na praia, e uns bons copos ao serão. Foi nesta fase que ocorreu o incidente que eu comecei por contar.
Terreno preparado, ainda sem cultivo, e já se construía uma casa. Por essa altura eu já estranhava os fins de semana prolongados por Lisboa, mas era consistente o argumento de que sem casa não havia base sólida para permanecer muito tempo, e sempre se bebia uns copos entre gente amiga, que na arte de pedreiro de pouco poderiam por lá servir.
Ao que me recordo era um projecto hortícola. Floresceu, lentamente, mas lá foi dando uns pezinhos de alface. Coisa pouca. E o pior parece que era mesmo escoar os viçosos produtos, que nas feiras de horticultura eram enxovalhados, escorraçados, apedrejados até, pois que ao que constou aquilo não era meio muito permissivo. Mais tarde, quando decidiram investir noutro tipo de produtos, lá foram confessando a uma só voz, e nisso eram solidários, que essa história de acordar às 4h da manhã, no meio da serra, no pino do Inverno, para ir vender meia dúzia de cestas no mercado abastecedor, era coisa demasiado dura para agricultores de tão elevado nível social.
De cada vez que eu lá ia, a “obra” tinha mudado, ou porque se tinham chateado com o fornecedor, ou porque afinal dava pouco retorno, ou porque requeria pequenos trabalhos de construção civil e o pedreiro não havia meio de cumprir. Certo é que aquilo não justificava tanta gente, e tanto encargo, pelo que, não sei precisar quando, entre os 3 teriam combinado que fariam a coisa por turnos. Dois retornariam a Lisboa, sendo que o outro por lá ficaria, mais de guarda do que de afazeres que nunca havia assim tanto para trabalhar. Mas este acordo era válido só para o Inverno e os frios agrestes. Pois, que no verão era ver as pranchas de surf e de bodyboard empilhadas ao lado das enxadas.
Mas não se pense com isso que era projecto abandonado. Na altura própria, que certamente não foi no verão, lá decidiram avançar com mais um projecto. A julgar pela cultura da região, era coisa garantida. Morangos. Novos empréstimos, as estufas para montar, todas aquelas estruturas, os sofisticados aparelhos para controlo do ar e temperatura, os autómatos programáveis com que desde logo me fizeram técnico especialista. Enfim, desta vez era um projecto sério.
Projecto quase acabado e comecei a ouvir uns zunzuns de que a coisa se calhar não se concluiria. Que cada vez eram maiores os custos. Que seria necessário contratar pessoal, pessoal esse que não havia. E se bem que perguntasse se eles os três não se bastavam, logo obtinha que eles eram investidores, empresários agrícolas, com outras funções de responsabilidade que não andar na monda. Certo é que tiveram de abortar o projecto. As estruturas levantadas, o material ali a monte, a terra a começar a ser preparada, mas não havia tese que justificasse que se prosseguisse no projecto.
Entretanto novo verão se avizinhava. E se aquele mister não lhes dava para o encargo, já o veraneio era bem melhor. Sol, praias, gentes e eles ali de calção vermelho, prontos a acorrer. Até nisso funcionavam em equipa. Enquanto um cumpria a espinhosa missão de por ali ficar a torrar debaixo da sombrinha, os outros lá arriscavam mais uma onda, o mais desenvolto ensaiando já um cutback que tanto maravilhava as hostes.
No final do verão começou então a adivinhar-se o projecto seguinte, que aquilo era demasiado encargo bancário para se desistir. A ideia parecia interessante, e na altura estava a proliferar em Portugal, e particularmente naquela zona. Minhocas. Nem mais. Ao que parece era um negócio em expansão, que tinha como compradores os americanos, e a estes nunca chegava o que houvesse. Para quem como eu perceba menos destas coisas, devo adiantar que não se tratava de vender minhoca mas tão somente a baba e a caca que elas produziam, e que, ao que parece, dá um dos adubos mais ricos que há, e que por sinal era pago a peso de ouro. Para além disso, as infra-estruturas - se bem que inacabadas - que tinham erigido para os morangos, serviam que nem uma luva às condições necessárias para esta nova cultura.
A parte mais problemática era mesmo a compra das minhocas. Esta tinha de ser feita junto de uma cooperativa, que impunha preços exorbitantes, resultado de um monopólio que abarcava não apenas a venda das ditas, mas também o escoamento da sua caca. Do que me lembro ainda, cada “cama” de minhocas orçava em mais de um milhar de contos, e quase afianço que na altura terão arriscado investir 2.500 contos naquele ambicioso projecto. Assim, após as férias, ou a cessação das obrigações de verão, será mais correcto dizer, lá avançaram para mais este novo empreendimento. Renascidos de motivação.
Depois de algumas visitas, fui-me apercebendo que este projecto trazia imensas virtudes. Retorno fácil, mercado em alta, aproveitamento de quase todas as estruturas que tinham sido abandonadas do projecto anterior e, mais importante que tudo, requerendo atenção mínima e trabalho quase nulo. Com efeito, pouco mais era preciso do que uma rega diária por forma a manter a terra húmida, o suficiente para que as minhocas ali se gostassem de estar. Depois presumo que seria necessário algumas operações especiais, para recolha de caca tão valiosa, mas a essas nunca cheguei a assistir.
Como referi, era projecto que lhes vestia que nem uma luva. Mantinha inalteráveis os ciclos de vida a que se tinham habituado, permitindo-lhes manter com a assiduidade de sempre as idas a Lisboa, as surfadas, e todas as outras actividades paralelas, bastando um para tratar da lide diária, esta simples como se vê. Até á primavera a coisa correu de vento em popa, depois o calor começou a apertar. Com ele um maior cuidado no tratamento dos estimados e profícuos bichos, mas também um mais alto uivo que se fazia ouvir de lá debaixo, da praia, das ondas, e naturalmente das gentes amigas, delas mais que deles. Ainda assim foram mantendo a coisa tanto quanto se podia manter.
Eu por essas alturas andava sempre em exames, e quando não, fugia a sete pés para outras bandas, normalmente o Algarve, ou senão outros lugares que apesar de oferecerem menos poiso, traziam a vantagem da maior distância e da novidade. Nesse ano, só voltei a falar com eles já em Setembro. “Então, e as minhocas?”. No meio do silêncio constrangido algum mais afoito lá foi dizendo “Esquecemo-nos de as regar”. Longe de perceber o que se pretendia dizer ainda me voluntariei: “Anda lá que eu dou-te uma mãozinha”. Um deles, um menos sorumbático: “Já não é preciso. Fugiram”. “Como assim, fugiram?”. E eles já sem paciência para continuar a conversa “Sim, fugiram porra! Desorganizámo-nos ... esse cabrão aí esqueceu-se de as regar 3ª e 4ª feira, e quando lá fomos já lá quase não havia nada. Acabou-se!”
Percebi imediatamente o que tinha espoletado. Achei mais próprio naquela altura deixar espaço para eles resolverem o problema. Até porque ter de reconhecer que nem para pastar minhocas um gajo serve, não deve ser coisa fácil. Hoje já se conseguem rir um pouco dessa história, e aparentemente todos eles encontraram ofícios menos trabalhosos.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:14 PM | Comentários (22)
janeiro 19, 2005
Essas modernices de servidores que nem deixam a terra estar em poisio
Finalmente !!! Venha de lá essa nova geração de servidores e tal que isto aqui já não se pode. Já divido as lides domésticas por entre cada clique tal é o tempo de folga. Agora, eu sei é de uma horta que se vai ter de plantar de novo. Oh compadre JPT precisa aí de uma mãozinha? (pffuuushh ...eu já a cuspir para as mãos)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:56 PM | Comentários (16)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:06 PM | Comentários (9)
Seja o que for, mas que não meta água
Para aqui a assoar e a brincar com pensamentos constipados, e cheguei aqui …
Foi fácil concluir que o puto tem estilo. É vê-lo ali desenrascado com o leme, quase (as ferragens também não ajudavam), quase pronto para zarpar, (o que se terá passado agora?), mas quase mesmo (então?) …
Velejador assim merecia mais. Vai daí, pus-me a recuperar o barquito lá perdido no Algarve. Primeiro a palamenta, depois leme e patilhão, finalmente improvisar umas réguas para a vela, … tudo aos poucos ganhando vida. Depois foi lançá-lo ao mar e vê-lo zarpar a velocidade assustadora, a esteira a borbulhar...

Posto isto, barco e navegador, acho que no próximo verão vou sugerir antes que ele faça remo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:37 PM | Comentários (2)
E há mal nisso?
Algures leio
"Se continuar a fazer o que sempre fez,
Vai continuar a obter o que sempre obteve!"
E penso cá para mim: cuidado com as ideias malucas, cuidado com as ideias malucas !
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:17 PM | Comentários (9)
janeiro 18, 2005
Desabafo de um tosco
Porque serei o único gajo da blogosfera que não consegue ter ali o mapa-mundo da direita a funcionar?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:08 PM | Comentários (38)
Férias mesmo é estar com uma bela gripe
No sofá, por entre as mantas perde-se um livro que não cheguei a abrir. Um “Damásio” que me chegou no Natal e que para aqui trouxe com intento defraudado. As letras pesaram-me logo no título. Deixo-o cair displicente, e por ali fica, resguardando-se da minha curiosidade amolecida.
No chão o último Asterix, mais acessível, mas esgadanhado em 30 minutos. Folheei-o com jeito de criança - apenas as letras grandes tenteadas, as pranchas corridas na diagonal bastando para seguir a história, percebê-la rápido, cumprir a pressa de a concluir. E fechado de novo, desperdiçado.
O blog aberto há horas, e ainda assim, apenas meia dúzia de cliques, abrandando-se, pousando-me displicente num qualquer lugar da blogosfera, indiferente este.
A pasta que pedi, com trabalho urgente, ainda nem se abriu. Lá dentro ficam respostas para hoje que ignoro, reuniões que não serão realizadas nem justificadas, projectos interrompidos ontem com contrariedade, afinal agora sem importância.
Só os sons ainda me procuram. Foco-me na batida das obras lá fora, brinco com os ritmos. Fico nisso largo tempo, até me inventar no balanço. Depois distraio-me com o raio que súbito avança para o tapete, brincando com as cores. Esqueço os sons. Fico magicando figuras de luz outro imenso tempo. Depois, nada de novo.
Ficam apenas os sintomas do que sinto. E os sintomas do que sinto são tudo o que eu sou agora. Os meus olhos lacrimejam, convidando-se a fechar, forçando à indolência. A boca seca, prefere-se preguiçosa, sem nada que a altere, apenas assim, deixar-se na dormência do que já quase não sente. O nariz tornou-se inútil, lambido de tanto lencinho de papel, sufocado.
Por fim entretenho-me agora a seguir o torpor do sangue escorrendo-se nas artérias engripadas, quase o consigo seguir por todo o meu corpo, é imenso o meu corpo, com tanta deriva. Estou longe, envolto em nada, nem gestos, nem vistas, nem pensamentos, nem intenções, apenas assim, como se fosse uma visita do que sou. Como se procurasse o potencial mínimo, deixando-me deslizar para a concavidade do nada.
Cessaram-me todas as preocupações, todas as responsabilidades, todas as pressas, apenas fica o tempo, no quanto se tiver de demorar em mim. Sou um espaço de vagar, sou uma dependência do tempo que me irá curar. Inerte, vou-me explorando dos sentidos, que já tanto desconheço, e entretenho-me com estes, mesmo que agora adulterados. E sou capaz de fazer isso durante todo o dia.
E continuo sem perceber porque me estranham as pessoas quando lhes digo que gosto de estar doente.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:20 PM | Comentários (10)
(A)os homens da minha família
Hoje lembrei-me deles todos, e do que eu sou afinal. Fui buscar-me lá atrás, reli-me e retive saudades, se é que assim posso chamar a este tê-los sentido tão próximos.
Hesito em colocá-lo, pelo seu lado intimista, que é texto que partilha mais do que eu, e nisso abuso. Coisa saída a quente, em Novembro de 2001, mas poderia ser antes, ou depois, poderá mesmo ser escrito amanhã, por um dos meus filhos. E por isso acabo por admitir que por aqui se espraie. Será indiferente ao estilo com que se escreve, apenas interessado em como será lido, será indiferente a quem o lê, apenas espreitando, um dia talvez, ser lido por eles.
“Ontem, morreu o último dos homens das gerações anteriores à nossa. Aos poucos vi-os seguir no inexorável destino desta família. A minha vida, e a dos meus filhos, já não se afaga com a presença masculina das gerações mais velhas. Mas a minha teve-os quando precisei deles, já a dos meus filhos me terá apenas a mim e aos homens da minha geração. E isso nunca poderei preencher ou substituir completamente.
Revejo-os. Recordo-os quando a eles me encostava criança, procurando o conforto, depois já não o mimo e as festas mas o apoio e o estímulo, mais tarde ainda, juntou-se-lhe o companheirismo de homem. Eram eles quem me trazia confiança, e que ora simpatizavam o mundo ora o deixavam entrar selvagem, mostrando-me as duas faces de uma realidade, alternada mas suavemente. Pois digam o que quiserem, aos homens o mundo mostra-se pelos homens, ainda que sabiamente retocado pela aveludada visão das mulheres.”
Releio e vou corrigindo: Este não é necessariamente um lamurio, nem tão pouco um típico pensamento machista do meridiano. É apenas uma fraca tentativa de tradução de um homem, que se procura compreender algures entre a cumplicidade dos homens que o viram nascer, e o afecto pelos homens que hoje vê crescer.
“Nem todos terão sido especiais, os homens que vi serem da minha família, mas todos, foram-no. Cumpre-se na minha memória a sua presença, como todos os homens mais velhos deveriam ter para cumprir em todas as famílias. Hoje, com a partida do meu tio-avô, o último desses, e já depois do meu pai, e dos meus avós, mais do que a tristeza, sinto a saudade dos tempos em que precisava deles sem o saber. Será uma perda, mas acima de tudo a lembrança de como me foram construindo, e essa não me é penosa. Reconheço-lhes a efeito em mim, nem bom, nem mau, apenas completando-se. E como foi bom ser miúdo e ter o mundo agarrado por aquelas mãos grandes, encaminhando, boleando as pontas mais agrestes, outras fingindo-as espinhosas.
Ocorre-me hoje, embora o sinta demasiado prematuro, que eles nos deixaram o seu legado. Olho para as minhas mãos e vejo-as fortes, enrugadas, peludas. Mas vejo lá longe as suas mãos. Com esta partida instala-se-me pela primeira vez a noção de nos estar designado sermos os pais, os tios, os avós mais tarde. Um inteligível sussurro chega-me trazido pela voz do Tio João. Despede-se e é ele que fala, mas são com ele todos os homens que nos viram e fizeram criar e que habitam a minha memória. E ouço que poucas coisas mais importantes existirão no mundo dos homens que o estar perto dos que nos sucedem, ao crescerem homens. Esta terá sido provavelmente a última mensagem que dele(s) me esforcei a ouvir. Sem o saber quando nem como, mas certo de a ter escutado.
Ao partirem tornaram-nos inapelavelmente homens, a nós agora, no toque final. Senti-los partir é saber conviver com a nossa parte infantil, mas forçosamente assumirmos também que agora desempenhamos um papel para outros, aqueles que vêm a seguir a nós, como eles desempenharam para nós. Não será seguramente a última coisa que receberemos deles, mas aceitemos que a sua última lição foi tornarem-nos homens, ao fazermos nós dos nossos, os seus verdadeiros homens. As minhas mãos - noto-as agora como se fosse a primeira vez - são fortes, enrugadas e peludas, como as deles eram. Pois saiba eu usá-las por metade do que fizeram comigo.”
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:49 AM | Comentários (4)
janeiro 17, 2005
Enriquecer dá um trabalho do caraças
A propósito deste post lá nas marés altas da vague que nos fala de um serviço de “cravanço” por telemóvel … dei por mim a recordar um projecto que em adolescente andei a apurar com um amigo e que visava … ficarmos ricos.
Tinha o essencial para ser bem sucedido, já que se baseava numa ideia muito simples: lançar um apelo a uma pequena contribuição, mesmo que simbólica, mas alargado a muita gente. Na altura não havia internet nem tão pouco multibancos, o que exigia que as pessoas despendessem algum esforço para fazer um pequeno depósito junto de qualquer balcão, ou alternativamente, conforme sugeríamos, através dos serviços do CTT para endereço postal criado para o efeito. Para estimular a acção nos destinatários, mais do que a empatia com a nossa causa, a carta teria de ser fortemente apelativa.
Trabalhámos absorvidos por este projecto durante largo tempo, obrigando-nos mesmo a interromper o campeonato de futebol no “Spectrum”. A peça fulcral, aquela em que mais investíamos, era naturalmente a mensagem que chegaria ao contribuinte anónimo. Esta, simples e honesta, referiria que éramos dois jovens e atinados estudantes, que entendiam que teria todo o sentido acharem-se ricos agora, e não apenas em fase avançada da vida, (note-se a evidente constatação de que de alguma forma estávamos convencidos de que algum dia o seríamos). E continuávamos, explicando que com o contributo de cada um, por pouco que fosse e quase sem nada custar, seria possível cumprirmos agora com a boa ventura que o futuro mais tarde ou mais cedo nos legaria. E mais à frente continuávamos no mesmo tom … pois que uma boa alma, não se vendo afortunada, certamente se aliviaria em saber que outras o terão sido, e se boa alma, insistíamos, certamente se regozijaria em saber que para isso tinha podido contribuir … e seguia o resto, ajudando o leitor a melhor se perceber beneplácito. Investíamos convictos na sinceridade como trunfo, certos de que esta colheria a simpatia necessária.
Algumas semanas depois, entendemos que a mensagem não poderia ser já mais retocada. Experimentámo-la junto de alguns amigos, e apesar do olhar incrédulo (a que não ligávamos) lá fomos colhendo destes “que a coisa estava bem escrita”, e depois uns “mas” para ali inaudíveis, pois que nós já retornados ao nosso projecto. Chegávamos então ao folheto, este pronto para dar à estampa, custeado com as semanadas que vínhamos acumulando.
Foi na fase de operacionalização que nos deparámos com um pormenor logístico de não somenos importância: para que este projecto pudesse apresentar retorno financeiro, não seria possível suportar os portes de envio. Só nos restaria então nós mesmos visitarmos as caixas de correio dos futuros accionistas da nossa felicidade financeira. As da vizinhança apenas não chegariam. O target teria de se alargar ao bairro inteiro. Mais meticulosos, confirmámos que nem assim. Teríamos mesmo de considerar os limites da cidade, ou talvez um pouco mais. E ainda assim, segundo as nossas contas, este já vasto universo não nos traria garantias de que (e tudo isto justificado com taxas de resposta, níveis médios de contribuição, etc) alguma vez na vida não nos víssemos obrigados a trabalhar, apesar deste esforço em que nos investíamos.
Este rigoroso estudo de impacto prolongou-se durante mais algumas semanas, antes de, com enorme decepção, nos obrigarmos a abandonar definitivamente a ideia. Afinal, deveriam haver formas mais fáceis (ainda que menos dignas) de enriquecermos.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:52 PM | Comentários (3)
Os “bibelots” deste blog e a minha irritação da manhã
De manhã acordo sempre mais sisudo, diria mesmo, irritadiço, ou melhor, quem o diz são eles lá em casa. Há mesmo alguns anónimos, com quem me cruzo de na fila de trânsito do ir-e-voltar, que fazem questão de corroborar quem melhor me conhece. Ora deve ser por isso que ao visitar-me aqui de manhã há sempre algo que me irrita. Hoje noto-me ainda está mais atiçado, e apetece-me dar um toque “simplificador” a tudo isto. Deixar só texto, e mesmo esse, destilado.
Então ali a estante da direita é coisa com que me inflamo mesmo. A prateleira do "quantos são" que primeiro me enchia isto de popups e depois se deu ares de importante, julgando-se mais do que o tapete, já foi - os “on-lines” passaram a “down-lines”. Mas agora irrita-me aquele paleio todo a justificar o abate. E agrava o facto de não o conseguir substituir por aquele mapinha, este versão tecnologicamente mais avançada que toda a gente tem à porta de casa, e que só eu, verdadeiro tosco, não sei colocar.
Mais abaixo vem outra prateleira, esta decorativa, esta evocando “citações” ( e ressalvo a generosidade de quem me disponibilizou o “bibelot” que por lá deixei) para de vez a vez me contradizer, com o peso que as aspas lhe dão, e eu sem controlo sobre ela. Outras vezes fazendo-se ler com pensamentos desamparados, apesar de ufana se escrever a bold. Outras simplesmente com ar solene bajulando-se com o comum, o desinteressante. É um implante que não controlo, uma segunda voz que fala sozinha neste meu blog. Uma desconsideração que eu, senhorio, não só tolero como destaco.
Mas mais grave é que também olho para as palavras, essas sim, a parte funcional desta oficina, e melhor não fico. Vejo-me planear que ao fim do dia, já com mais calma, com tempo, vou dar um jeito a tudo isto, deixar aqui uma higiénica página em branco. E depois recomeçar, com o que de facto devo escrever, bolinando sob uma linha editorial rígida e bem determinada, enfim, fazendo-me empenhado. Mas ao fim do dia já não estou tão irritado, e contradizendo a manhã, lá vou enchendo isto de berloques e palavrinhas. Quando me lembro de novo é o ciclo que se repete, eu irritado, fazendo-me prometer de novo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:23 AM | Comentários (11)
Gatos e Tartarugas
Ainda em adaptação (eu, que eles já passaram essa fase) a esta nova vida, é natural que me socorra por aqui de alguma peritagem feliniana, pois que sei que a há, e atenta.
Hoje de manhã quando acordámos, estava tudo no lugar lá na cozinha. Mas faltavam duas tartarugas! Será que os gatos ... ???
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:51 AM | Comentários (3)
janeiro 16, 2005
Gatos (2) - O (inevitável) desfecho e os devidos agradecimentos
Permitam-me que vos apresente …
P I C K S & P U C K S
O Picks, o malhado, vem receber o lugar de um tal ouriço caxeiro, e é educando do mais velho (aproveito para insistir no esclarecimento, não são gémeos, ou melhor, são, os gatos, mas o miúdos é que não … lá vou eu arranjar mais confusão). É gatito do tipo parado, a andar devagarinho, e nos intervalos a dormir. Encaixa que nem uma luva no dono. Já os estou a ver aos dois a fazerem-se de moitas lá num cantinho. Prevejo por isso uma calmíssima e longa amizade, assim a dar para o “a gente nem está cá”.
O Pucks é todo pretinho e é frenético como o outro dono (que repito, não é gémeo do primeiro. O dono, pois o gato é). Aqueles vão estar bem um para o outro, voluntariosos, esganiçados, a dividirem as culpas. Só neste fim de tarde um, (o gato), já partiu um pirex, e o outro (o filho), o meu siso.
E agora os agradecimentos, merecidíssimos. Foi tal a solidariedade, a disponibilidade, o bom conselho, que aqui me exijo de os prestar. E se não o faço individualizadamente é porque de tantos que foram arriscaria deixar algum de fora.
Mas este tenho de o particularizar, em nome dos miúdos, e vai por inteiro para o Bill e a Cristina, pelos contactos, pela forma como nos acompanharam (e me desatemorizaram), sempre ali para bom apoio. E mais a logística ( ai, soubesse eu antes do precisar de tanto hardware), a caixa de transporte, e mais a casa de banho, até comida e … os “dodots”. E todo o seu fim de semana, nos préstimos preciosos de quem sabe. Enfim, agradecimentos também pela companhia, a deles, e a dos gatos.
(E agora uma ingrata e ligeiramente irritada exclamação: para já, só me doem as costas, ainda … porque é que com tanto conselho ninguém teve a frontalidade de me avisar que seria uma loucura enfiar dois gatitos saltimbancos numa casa de 9 assoalhadas e um sótão … passei o dia de cócoras!!)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:31 PM | Comentários (16)
Organização de Aniversários
Para crianças entre os 9 e 12 anos
Actividades diversas: bowling, karts infantis, pizzas huts…
Presentes surpresa, já esterilizados e com ração incluída
Animação personalizada e sem sevícias
Serviço domiciliário dos convivas
Aviso: A gestão informa que as festas poderão ser interrompidas a partir das 3 horas de duração, para tratamento especial da organização
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:05 AM | Comentários (10)
janeiro 13, 2005
Eu sou um homem de fé... (até porque não tenho tempo para o não ser)
Amanhã farei uma apresentação interna para 150 pessoas. Ainda nem peguei na coisa: nem esquiços, nem frases épicas para entremear, nem chalaças a fingir de improviso, nem bonecos no powerpoint para cábula ou desengasganço. Aqui, apenas uma pilha de coisinhas para despachar antes sequer de poder pensar nisso.
Assumi que não vou preocupar-me. Que tanta falta de inspiração, é certamente porque ela se guarda para amanhã se fazer útil na hora certa.
Adenda ao post:
(ou como em 5 minutos um gajo perde toda a confiança)
Passo de raspão por aqui, a rever o post (as minhas correcções são sempre feitas on-line) e … até tremo!!! Olhem bem o que o “Citador”, seleccionou para hoje, ali na coluna da direita: "O artista que abdica do privilégio da criação deliberada para favorecer e captar sublimes inspirações não consegue senão criar o acidental..."- Roger Caillois
Ai, ai, ai … quem me tira daqui??!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:09 AM | Comentários (18)
janeiro 12, 2005
Eu sei, eu também tenho um blog, mas que diabo...
Tenho visto por aí ecoar notícias como esta do BdE , em que se manifesta a indignação, mais ou menos acirrada, pelo despedimento de alguém que mantinha um blog. Na maioria das vezes estas situações são até cogitadas como a acção de um prepotente poder político contra a liberdade de expressão. Antes de avançar devo dizer que tenho sempre algumas reservas sobre todas as opiniões que se manifestam sem reservas.
Nem me atrevo a incluir aqui o caso em referência, citado pelo Jorge Palinhos, pois este esgrime a precavida comprovação no link que nos remete para a fonte, e que me contradiz assim: “…in the satirical blog he writes in his spare time … Mr Gordon, a senior bookseller who rarely mentioned work in his blog and did not directly identify his branch of Waterstone's …”, nos dois pontos que eu pretendo aqui desenvolver. Tenho-o aqui, apenas porque regista o oposto do que quero dizer, e assim melhor sublinha o meu ponto de vista.
Mas certo é que tenho (temos) lido notícias relacionadas, propaladas pela blogosfera, nas quais a evidência destes dois aspectos não está em claro. E sem as citar, é pela generalização que agora incorro.
Com cautela, saberemos nós constatar em quantos dos casos enumerados:
1. O blogger despedido mantinha o seu blog durante o período da sua actividade profissional, sendo isso objectivamente uma das alegações da entidade empregadora?
2. E em quais desses casos o blogger criticava ainda de forma publica a Empresa/Organização, divulgando aspectos da sua actividade empresarial, municipal, etc (conforme os casos)?
Da interpretação destes casos na notícia que os trazem até mim, ressoam sempre a crítica ao poder político, à liberdade de expressão, e até a perseguição ao meio bloguístico. Pois é aqui que me oponho, é aqui que derivo, é aqui que eu manifesto a minha indignação perante a indignação levantada. Admito que tenha a ver com o que o meu pai me dizia “tu tens de estar sempre no contra”, mas a verdade é que acho que tudo isto, na maior parte das vezes, poderá conter alguma distorção. E a seguir me justifico nos dois pontos:
1. Se a entidade patronal, contratualiza com o seu colaborador o seu préstimo profissional, este determinado num volume de horas de trabalho, normalmente explicitado num regime de trabalho, definido de forma precisa; Se essa actividade é compensada salarialmente por remuneração acordada; Se o empregador constata que no período em que o colaborador presta (ou deve prestar) a sua actividade em prol da organização a que pertence, afinal, despende-o para outros fins, estes de natureza pessoal; Se esses fins não trazem directa ou indirectamente benefício à Empresa; Pergunto: Sou eu que não estou a perceber bem onde falha a justa causa do despedimento? Se quiserem posso pôr a questão de outro modo: independentemente de criticarmos o grau de severidade (que aliás não podemos ajuizar porque não conhecemos com rigor toda a situação) parece pouco razoável que alguém seja despedido por, durante o período de trabalho, se entreter a brincar com um “pokemon”? E se for uma outra actividade de usufruto particular, como por exemplo ter um blog, o facto de esta ser uma actividade de expressão intelectual, atenua a gravidade, deve alterar a decisão?
2. Sobre o segundo ponto: A empresa tem o direito de exigir o sigilo profissional aos seus colaboradores, assim como a sua exclusividade profissional por exemplo, neste segundo caso esta deve ser explícita contratualmente, mas já no primeiro caso não creio precisar de tanto, pois a não confidencialidade constituiu objectivamente um dolo para a Empresa; Se um colaborador utilizar formas públicas para divulgar bens, estratégias de gestão, dados, conteúdos da empresa, não incorre numa tentativa consciente de prejudicar a empresa rompendo o princípio da confidencialidade? Quando expõe publicamente no seu blog, criticas declaradas à organização a que pertence, identificando-a, fundamentando estas com o testemunho (confidencial ou não) da actividade da mesma, não está a lesar a empresa? É isso eticamente e profissionalmente aceitável?
Reconheço que não sou um especialista da jurisdição laboral, por isso alguém me diga o que estou eu a ver mal? Ou será que sou um beneficiado sem o saber, será que o facto de ter um blog, (e de lá dizer o que entender, de o trabalhar durante o período da minha actividade profissional) me iliba deste tipo de ónus que tenho para com a empresa? Ter um blog é afinal um caso de excepção, no plano ético e profissional? Insisto, alguém me pode esclarecer?
Eu sei, eu também tenho um blog … Mas que diabo, haverá assim tanto despropósito nisto tudo ??!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:38 PM | Comentários (10)
Quarto de Hotel (a fuga)
Livra que já me pirei dali (até por lá deixei a sombra)!!!
Venham a mim meus filhos, beijoca doce kidinha ... lar, doce lar
Então ainda ninguém acendeu a lareira?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:20 PM | Comentários (5)
Quarto de hotel (3)
Maninha brasileira, hoje tentei mandar saudades. Saíram-me lamechices adolescentes. Sei que ficarias toda vaidosa mas, e eu, o meu pejo literário? … olha, talvez amanhã, já que por essa altura espero voltar a ser eu.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:05 PM | Comentários (3)
Quarto de hotel (2)
Porque é que quando passamos duas noites num quarto de hotel, e agarramos na caneta ensaiando desfrutar do tempo e da oportunidade, acabamos a escrever 20 vezes a palavra solidão. Nem releio, que para embaraço chegou-me o de ontem. Lixo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:40 AM | Comentários (3)
Quarto de hotel (1)
Os hotéis atemorizam-me. Todos os quartos, com os seus “decors” de passagem, têm em comum (e não depende do número de estrelas, nem do bafio) o irem transformando sub-repticiamente o mundo numa coisa fútil e longínqua. O que éramos na véspera, o que pensávamos, as preocupações e as expectativas que trazíamos connosco, vão-se aos poucos dissipando.
Facilmente ficaria presa dele, e com essa manha o mundo iria resumir-se a ele, ao quarto, e a mim, cada vez mais a mim, até me enfartar de mim, e eu ser apenas um pensamento espiral e mesquinho. Provavelmente isso aconteceria com quase toda a gente que conheço, se se deixassem demorar o tempo suficiente num quarto de hotel.
Recordo para me despertar, para me recuperar, que esta é a terra que me viu nascer. Mas foi só isso, e isso não me traz proximidade, não me traz nada a que me agarre, nada que me devolva. As coisas lá fora continuam a afastar-se. Já nada é muito bom nem muito mau, já nada é importante, e o mundo é já só aquele cortinado esgarçado, e os barulhos abafados pelo vidro duplo.
A imagem que ontem tínhamos dos nossos amigos, da nossa família, de nós, começa a ficar ambígua, começa a deixar de ser nossa. Já não há familiaridade com o mundo, e este não me liga ao dia de ontem. Mas eu não noto, que eu sou esse que já está distante. Tudo isso me é estranho e me engole aos poucos em vazio. A solidão deve ser isso, um quarto de hotel.
Epa, vou mas é tomar um café ali abaixo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:36 AM | Comentários (14)
janeiro 11, 2005
Gatos (2) - os contornos da decisão mais difícil que tomei
Foram tão atenciosos e úteis os contributos recebidos em baixo, que arrisco abusar mais uma vez do leitor. Agora, plenamente convicto que com tanto “apport” serei bem sucedido nesta minha demanda, eis que retrocedo, e indeciso, questiono de novo a minha impetuosa decisão.
Longe de mim pôr em causa a resolução que tanto tempo e tanto orgulho gastou para ser tomada, descansem por isso os mais felinianos. Até porque sei que só assim evitarei já a atrapalhação do pai de mãos vazias. Desta feita, tomada a decisão, e colocada esta em marcha, são os contornos da mesma que me levantam algumas interrogações. Lido com o que não conheço, e receio que depois de tanto tempo de maturação, esteja de facto a cometer o lapso da precipitação.
É a vossa contribuição que peço de novo …
Eles queriam um cão. Cresci com um, tenho um pátio, e simpatizei com a ideia. Mas … nem todos lá em casa: “ que depois era um pivete, e que o cão precisa de ser passeado e isso vai sobrar para quem? Que tu mesmo disseste que o cão é para viver na rua…”. E eis que a bola é chutada para mim: “mas de um gato não me importo! Falem com o vosso pai.”
Acontece que eu sou esse pai. E esse pai tem convicções fortes sobre o assunto, porque cresceu com cães, que isto de cães e gatos é como na política, e no futebol, ou se está por um ou se está pelo outro. Além disso fazem-me alergia. Além disso não os acho nada generosos. Aliás, acho-os mesmo uns verdadeiros parasitas da comida e do mimo, egocêntricos que por ali exploram abrigo, oportunistas, falsos … mas isto não vou aqui dizer obviamente.
Tentei então num toque de calcanhar passar de novo a bola para o capitão da equipa, mas sem sucesso. Clamava o público para que continuasse com a bola colada aos pés e com os olhos bem postos na baliza. A vaidade de jogador, o aprazimento de entusiasmar aquela plateia, fez-me procurar novas estratégias na jogada. Aos génios cabe-lhes uma boa dose de sorte, e com a bola nos pés o mundo é como se fosse nosso. Neste caso nas mãos. Pois, já por aqui contei como o ano novo me pôs um ouricinho nas mãos, e esse, garantiam-me, pode ser um bicho doméstico. A baliza já ali à frente, expondo as suas redes para o potente remate que desferiria. Mas … a história acabou mal e o "jogo" foi interrompido.
Quem não tem cão caça com gato. Quem não quer gato, improvisa um ouriço, quem o vê partir, vai a uma loja de animais inspirar-se, como qualquer outro fútil citadino. Havia sempre a hipótese de arranjar um “peixe sem problemas” para o Diogo, e ao Francisco é conta-corrente actualizar a sua cota de amizade com o lobo prado.
Mas estas, se bem que fossem prendas que consolassem quem as receberia, não são prendas que satisfaçam quem as dá, e isto dos presentes, quando é a sério, tem de gerar um prazer mútuo, aliás, como acontece em algumas outras coisas boas na vida.
Não pelo significado, que eu não sou de ligar a isso de carros eléctricos, telemóveis e prendas caras a fingirem a proporção entre o dispêndio e o carinho com que se as oferece. Eu resisto a essa tentação. Mas peixes e cheques para apadrinhamento eram neste caso uma forma desajeitada e sacudida, de resolver o assunto. Afinal, um peixe é apenas um simulacro estúpido de um cão, e um lobo ausente não estraga mobílias tão bem quanto um gato. E, se bem que os fosse ver contentes com tais presentes, era forma enganosa e pouco hábil de substituir o animal que efectivamente eles queriam, e que, apesar dos “senãos”, achávamos merecida.
Foi então num centro comercial que descobri a Chichila, bicho lindo. Para quem não conhece, entre rato e coelho, mas muito mais fofinho. Tão fofinho que é conhecido por ... (deixemos de fora desta história as barbáries do homem ). Solução encontrada.
Engano meu. Aconselhado, estudado o assunto, vim a descobrir que estes animais são peixes disfarçados de pelos. Senão reparem: vivem dentro de uma jaula, como os outros num aquário, o que desde logo põe em causa a afectividade que (não) se estabelece pelo contacto, os gestos e as reacções que assim (não) se partilham. São igualmente ausentes, pois desfasados, dormem de dia e estranham-se à noite. E também como os peixes, embora possam viver 14/15 anos, são animais sensíveis - foram categóricos em dizer-me: acima dos 37ºC os animaizinhos morrem de ataque cardíaco. Estaria assim a comprar o desgosto, já que não tencionava agora comprar ares condicionados para pôr por toda a casa.
Magnânimo (ou melhor, sem soluções e com os aniversários aí à porta) decidi assim inflectir. Venha de lá o gato, já que o cão não pode ser, o peixe e o lobo não são tanto, e a chichila é afinal um ornamento dorminhoco e de grande potencial dramático. Apenas pus 3 condições:
1) Que durante o dia, connosco ausentes, estivesse o gato circunscrito à cozinha
2) Que para adocicar o cativeiro não fosse um mas dois, que essa do gato ser um animal solitário é mito para não abanar as nossas consciências. Que sejam eunucos, mas pelo menos, em companhia
3) Que no dia em que eu estivesse para sair de casa, esta gente se lembrasse que agora me tinha prometido que entre eles e eu, seria o preferido
Depois de constatar tanta generosidade e saber sobre a matéria no post anterior, e de já ter sido por várias vezes chamado à atenção com um “mas tu és estúpido ou quê. primeiro nenhum e agora são logo dois”, venho desta vez convidar-vos à opinião, pois indeciso ainda vejo escoarem-se as horas para a decisão final. Aproveito esta minha investida para agradecer todas as sugestões, endereços e indicações que me forem dirigidas, as quais me têm permitido aprofundar o assunto e esboçam garantias seguras que estas “prendas” irão chegar, e a tempo.
Terei de particularizar estes agradecimentos à Catarina, que teve a solidariedade de ecoar e ampliar lá por casa este meu berro de desespero. Mas Catarina, quanto aos danos prováveis na casa conforme tão frontalmente me avisaste, e conforme te disse, estou a prever tudo. Já comecei a projectar o anexo lá fora, no pátio, para o dia em que a situação for insustentável. Naturalmente não podemos ceder em tudo, por vezes há que ser tenaz. Se um dia não coubermos todos lá em casa, eu já decidi e vou avisando… eles que fiquem … que eu vou para o anexo!!! (nem sempre é fácil tomar estas decisões mas é para isso que há um chefe de família nesta casa, ora pois).
Em resumo, alguém fará agora o obséquio de comentar então estas minhas 3 prerrogativas do “negócio”, antes da dura decisão? E destaco a maior dúvida: Eu ou eles, perdão, queria dizer, um ou dois gatos ?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:17 PM | Comentários (25)
Gatos (2) precisam-se urgentemente!!!
Pai desmazelado, apela à solidariedade dos adultos:
Além de ansiada é coisa urgente, pois que os futuros donos farão anos este fim de semana!
Há coisas em que um homem tem de ceder, quase perder a dignidade,
só para ser “bom” pai e marido. E além disso, não acredito que, mesmo sendo dois, dêem tanto encargo como este de ouvir todos os dias a mesma ladainha.
Bill: não te desconsidero, nem sou ingrato, e muito me descansa saber de adopção aprontada, mas há que estar prevenido e jogar em todos os quadrantes. E já viste se me acudir o próprio “Garfield”? Além disso, dá-me uma certa sensação de proveito, esta de pôr uma secção de “procura/oferta” no blog
Para primas veterinárias: a conversa segue depois
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:08 AM | Comentários (25)
janeiro 10, 2005
Imprudentes explicações
Estou para aqui, no Porto, a tentar explicar a uma série de gente atónita que a intranet tem agora um aplicativo que os aliviará do burocrático rol de trabalhos que até então costumam ter.
Olham-me incrédulos, tão espantados, tão desconcertados, que faço uma pausa para pensar na situação. Não é afinal o impacto da notícia, como inicialmente julgava, com exagerado convencimento. Confirmo que trouxe as calças vestidas e nem noto nenhuma outra falta em mim, não há ridículo no que pareço. Nem no que sou, que por aqui tenho méritos. Ponho-me então no lugar deles, ubíquo, a reflectir no que eu lhes estava a dizer: se doravante deixarão de ter de fazer como faziam, e sou eu que afirmo, sublinho, demonstro mesmo, que nada do que faziam terão agora de o continuar a fazer, então, pensam eles … “que alguém me explique o que estou eu aqui a ouvir, e o que está ali aquele gajo esbaforido a querer ensinar? O nada?”
É sempre assim. Quando nos empenhamos em algo, e nos investimos nisso tão completamente, acabamos por correr o risco de ficar sem tempo para pensar se o precisamos mesmo de fazer.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:34 PM | Comentários (5)
janeiro 09, 2005
Às vezes,
é tal a sensação de que conheço tão bem alguns dos comentadores (aqui, autores lá) que, quando por aqui os leio, chego a estranhar de não lhes ouvir a voz.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:50 PM | Comentários (17)
Chapinhar pelo Charco
Antes de partir em expedição de 3 dias para o Norte, não posso deixar aqui de fazer esta referência que já há dias se faz atrasada.
Há algum tempo comentava com um tubarão, algures aí para baixo que 186 comentários eram obra. Ao que ele retorquia, em tom de brincadeira: “Eh, que exagero!”. Na altura até era, hoje conto lá … 443 comentários!!! Diz ele que, porque fala de amor. Desculpemos-lhe a modéstia pois todos sabemos que, se bem que "o que se escreve" nos possa trazer de visita, já o que nos leva a comentar se tem no "como se escreve" (lê).
Mas para que ele não inche já, logo vou avançando dizer que …
… também não acredito neste fenómeno porque devido apenas ao post. Horror seria ter 443 comentários bajuladores da sua estética, ou do seu conteúdo. Não, seguramente tantos não são apenas pelo post.
Mas para isso terei de ir um pouco mais longe, para eu próprio me perceber. Os comentários são a meu ver, geralmente, um prolongamento do post, e não ele em si mesmo. É isso que enriquece o que foi escrito e normalmente gosta ao seu autor. E se é verdade que alguns, por cortesia ou espanto, apenas por lá aplaudem, a maior parte fá-lo para o complementar, para o partilhar, para fazer dele um pouco de seu também. E já lá para trás ficou o título, talvez até o tema, que agora, no rol de comentários, é o autor e os outros que se prolongam. O autor e o post, os comentários e os leitores, tudo assim faz parte de um desenrolar que, a partir daí, dá identidade própria e diferente às palavras que no princípio se postaram.
E aqui já nem é do post que falamos, nem sequer dos comentários que o prolongam. Aqui falamos do que está para além do post, quem sabe se não mesmo para além do blog, pois que quando assim comentamos, é ao homem que os escreve que apontamos. Reunir um número quase impar de comentários, como o Sharquinho aqui o fez, não tem só a ver com o post, nem com o amor que neste caso por lá lhe dá tema, tem sim a ver com o prazer de ali estarmos, com a forma como somos recebidos, e com o deleite por ali (n)os partilhar(mos).
443 comentários não constituirá certamente um record, mas neste caso, quando os vemos irem para além do post que os segura, e notamos que quem por ali está os escreve para alem do que se escreve, começamos a achar que ali, na casa que os recebe deverá haver alguma característica invulgar. Já vi centenas de comentários em outros post’s, mas em geral comentando, comentando-se, fazendo espirais que apenas multiplicam o tema original, ou nem tanto. Agora quando vejo um post destes, que arrasta centenas de comentários de gente que ali está como se à beira de uma mesa trocando conversas com os outros comensais, e deixando-se ir ficando … então isso, essa coisa que nos leva já em delongas de serão, isso sim é um facto muito especial!!
Finalmente, e esta para ele, caso por aqui se esteja a babar: gosto de te saber agora a afixar, assim como gosto de te ver alternar, mas naturalmente conto com a pujança do tubarão para me continuar a deixar fazer o que desde criança se me revela uma atracção: chapinhar no charco!
E agora vou-me, que tenho os despojos de um almoço de família (maldito o dia em que negociei os arte dos tachos pela de arrumador de pratos) e uma mala para fazer.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:35 PM | Comentários (5)
Cenas de sexo e gajas boas … (afinal aqui nem por isso)
No ano passado, há 9 dias exactamente, interrogava-me sobre os verdadeiros motivos com que os novos viajantes deste barco aqui aportavam, a que tipo de destinos afinal pretendiam ser conduzidos. Céptico por natureza, acreditava então que esta embarcação era “apenas mais um” resultado casual da diletância da Internet. Acreditava eu que, se excluídos os habituais passadiços desta carreira marítima, todos os restantes lugares eram ocupados por turistas anónimos, ávidos de outras paragens, estas impúdicas senão mesmo obscenas, fáceis, e encobertas, pois que indetermináveis no enorme oceano da internet.
Iniciei então através deste post a minha intenção de apurar audiências. Disposto a acomodar-me perante as expectativas encontradas, embora renitente quanto à minha capacidade de o saber fazer. Como prometido, aqui trago as conclusões, aquelas que o citado post permitiu colher dos motores de pesquisa:
Escusado evocar o orgulho com que este comandante afirma que, mais do que cenas de sexo, por aqui se anseiam mensagens de amor, mais do que gajas boas, aqui se vislumbram mulheres bonitas !
Certamente que isto deve revelar haver aqui espessura naquilo que se escreve, digamos, uma outra dimensão para além do fácil táctil. Mas confesso que espero também que isso não signifique outro nada, e quero eu que não me traduza sisudo. Pois, que lá para os lados mais vivos da libido, não o ser também não é boa causa.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:32 AM | Comentários (6)
janeiro 08, 2005
Nós, a caixinha das lágrimas
De manhã cada um deles teve 4 jogos de rugby. Ao Diogo segui-o mais de perto. Vi-o estremecer de frio, estatelado na relva gelada, quase sempre. Ouvi-lhe os ossos bater, quando alvo das secas e voluntariosas placagens dos adversários. Notei-lhe as canelas cobertas de lama, esta escondendo as encarniçadas mazelas. Quase lhe senti os tufos da relva a entrar-lhe pelo nariz com aquela aterragem de proa. E ele, nada, recomposto sempre, estóico, jogando a bola e o seu orgulho.
Depois chegamos a casa e seguem para os banhos. No fim, o cabelo húmido, completamente revolto, desajeitadamente penteado. Eu apresto-me a marcar-lhe o risco do asseio. Franja para aqui, madeixa para ali, escovadela ao descer da nuca e … ele a chorar!!
Sou bruto?, ou apenas descobri que os pais são a caixinha das lágrimas? Eu sei que não tenho grande jeito para este ofício dos banhos, mas neste caso, acho que apenas recolhi lágrimas retardadas. Depressa as sequei: “Boa puto, jogaste bem!”
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:23 PM | Comentários (23)
janeiro 07, 2005
Também vouou, também vouou
... lá, "revirar aleatoriamente estes olhitos"!
Esta é para o JPC, que quase manda abaixo aquelas já Ruínas (de tanto fazer) circulares a dizer que vai aos REM.
Obrigado kidinha, gandas tickets
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:40 PM | Comentários (13)
janeiro 06, 2005
Terei então de começar a rever com mais atenção os meus comentários
Ao comentar um belíssimo post do Alexandre - aliás na linha de todos aqueles que entre as palavras e as imagens, com enorme sensibilidade, nos vão trazendo prisioneiros lá no seu Eelko Van Mulder, - acabei por articular com base no seu poema, algumas palavras de retribuição.
Ainda assim, este meu vizinho do rio de Lisboa, sobrevaloriza-as, e quase me eleva à condição de poeta com mordomia de destaque. Aqui ficam os meus agradecimentos, por tão agigantada referência.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:59 AM | Comentários (21)
A melhor definição de blog que já li
Aos mais pudicos as minhas desculpas prévias, com a sugestão de que passem de imediato para o post anterior, o do Shumacker. Para os outros então continuo …
… depois de ler dezenas e dezenas de definições sobre o que é um blog, e de eu próprio ter procurado burilar as minhas, acabei de encontrar a melhor de todas: "a rapaziada não sabe que um blog é como bater uma punheta à janela com todo o bairro a olhar".
Depois do devido tempo para que a leiam bem, e se necessário afastarem algum preconceito pergunto, alguém é agora capaz de contrapor alguma definição melhor?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:28 AM | Comentários (41)
Michael Shumacher – mais que um piloto, um grande Homem
Confesso que comecei por embirrar com ele. Primeiro porque era alemão, depois porque o seu estilo desconcertante e calculista contrastava com a emotividade que via nos pilotos mais fleumáticos da fórmula 1. Eu sempre preferi este segundo género de piloto. Eram as suas trajectórias de risco, a ultrapassagem impulsiva, o acidente arriscado que me faziam levantar da cadeira. Por isso sempre fui adepto dos Fittipaldi em vez dos Stewart, depois dos Villeneuve em vez dos Arnoux, mais recentemente dos Senna em vez dos Prost, e actualmente, por qualquer um em vez do Shumacher.
Hoje, e sabendo que ele é o verdadeiro responsável pela enfadonha previsibilidade e falta de competitividade da fórmula 1, e apesar disso, admiro-o profundamente como piloto - Não sou tão hipócrita assim. Embora mantenha que continuo desesperadamente à procura de um novo acelera: Alonso? Webber? Enfim, todos os anos as mesmas expectativas frustradas.
Mas este Shumacher tem-se revelado um verdadeiro homem, para além do extraordinário piloto que é. E agora falo do lado de fora das pistas. São tais os gestos que lhe tenho seguido que até aquele pescoço de girafa me passa despercebido. Beneficente, através de outras modalidades desportivas, na sua participação na UNICEF, ou em qualquer outra oportunidade que encontra, fá-lo sempre com enorme modéstia, não procurando a evidência. São os actos pela causa e não apenas em si, ou por si. Anteontem (dia 4) foi sublime! Aquele Homem doou 7,5 milhões de Euros para as vítimas do Terramoto.
Claro que poderíamos relativizar isso com base no que ele ganha. Então relativizemos: se não erro, Portugal, um país com 10 milhões de habitantes doou cerca de 8 milhões de euros. Se não estou em erro ainda, esses mesmos 10 milhões de pessoas, voluntariamente (e não está em causa a generosidade do acto espontâneo) não permitiram a angariação de verba próxima desta sequer. Por fim, proporcionalmente, a doação feita por este senhor significaria que eu doaria, segundo as minhas contas, e em função dos meus rendimentos anuais, qualquer coisa como …12.500 Euros?! E aqui calo-me.
Que grande Homem, repito!!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:37 AM | Comentários (8)
janeiro 05, 2005
Algo se passa com os comentários aqui
Este zingromé aqui não anda bem !!!
Tirem-me os post's (os dedos) mas deixem-me os comentários (anéis) por favor
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:46 PM | Comentários (5)
janeiro 04, 2005
Regresso às aulas
[07:45] Trinnnngggg!!!! mhmmmm…
[07:58] ??...(ohh, mais 5 minutos só) …mhmmmm
[08:04] uiiii que frio!! (Só aquecer um bocadinho antes)
[08:13] ahhh, (aquilo está adiantado, temos tempo, temos tempo)
[08:24] (no problem, hoje nem faço a barba … um minutinho só)
[08:42] Ãhhh … Franciiiiisco!!!! Tudo de pé!!! Lá vamos chegar atrasados outra vez não é?! Que Chatice!!!
E lá partimos esbugalhados da pressa.
Coitado do miúdo, logo lhe tinha de calhar eu. Ao menos o irmão sempre tem a sorte de acordar e seguir nas lides da mãe.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:40 PM | Comentários (10)
A fabulosa história de um pardal meu amigo
Éramos ainda moços, e todos os seis ainda por lá vivíamos, em casa dos meus pais. O sótão era forrado de cortiça o que fazia com que no pino do sol, na canícula, quase queimasse por lá. Não era definitivamente lugar para arriscar passar por essas alturas, mas numa casa cheia de miúdos todos os recantos eram aproveitados como refúgios, e terá sido isso provavelmente que terá levado um de nós, mais desavisado, a por lá se tentar. Certo é que de lá veio com um pardalito num alvoroço vozeado.
Ainda sem penugem, naquele tom rosáceo de quase embrião, a cabecita ainda bamba, teria horas de vida, não mais, e cabia na cava da mão de uma criança. Poucos minutos teria por lá resistido certamente. O mesmo calor que o empurrara para a traiçoeira sombra do sótão, seria aquele que o sufocaria, não fosse a irrazoável ideia de uma criança subir àquelas bandas.
O restante dia foi uma excitação de conjecturas, bercinhos improvisados com o cesto do pão, do ora experimenta isto, ora tenta lá aquilo. O passarito nem se tinha de pé. Lá consultámos que a melhor forma de o alimentar seria a miolo de pão molhado. Nada. Pacientemente, um por um, lá fomos dando de comer ao bico. Pouco, mas algo, o bichanito lá se ia esforçando. Alguém nos explicou depois que teria sido impossível que ele o fizesse de mote próprio, pois aquelas membranas azuladas de transparente, ainda fechadas, dificilmente se deixariam entreabrir para um esgar sequer.
Pernoitou em farripas de algodão, e com as luzes acesas que (acreditávamos nós) o acautelariam. No dia seguinte parecia outro. Batia asas sofregamente, o bico aberto reclamando a insistência de mais comida, e os olhitos já semiabertos, brilhantes de saúde. Era notória, apenas seguindo as horas do dia, a forma quase visível como crescia.
Ao terceiro dia já lhe vislumbrávamos penugem por todo o corpo, ainda matizado de rosa, mas já uma camada macia e felpuda. Um verdadeiro pompom nas mãos das crianças que éramos. Era impressionante a forma como este bichanito se entregava ao carinho, e como que por mistério, parecia comunicar connosco. Pode uma coisita daquelas parecer que ri e pede por mais?
Na manhã seguinte apanhámos todos um susto. Nada, do pardal nem vestígios. Mas foi susto de pouca dura. Era ave canora definitivamente, e de bons genes. Era improvável não ouvir tal estribilho por baixo da mesa da cozinha. E era também impossível que ela lá não tivesse ido parar com tanto pulo frenético. Além de comunicadora e sorridente, era folgazona. E começou a andar pela casa fora, de colo em colo, de pulo em pulo. Não posso precisar, mas creio ter sido por este dia que arriscámos mudar-lhe a dieta alimentar. Primeiro estranhando, acabou deliciado com a alpista que roubámos aos periquitos, esses já sem graça nenhuma. Bichos que deviam em inteligência a um pardalito de 3 dias, nunca mais nos apeteceram.
Nesta quarta vez, para enorme tristeza dos mais novos, foi numa gaiola que passou a noite. Ele nem por isso se sentindo abatido, a julgar pelo chilrear que até largas horas (das nossas) foi ouvido. Nunca ninguém acordou tão cedo e tão rápido como nessa semana. Numa família com 6 crianças tudo é disputado, seja com louvável desportivismo, seja mesmo à estalada.
Por isso, na manhã do 5º dia, acordámos todos com os passarinhos, literalmente. E era vê-lo cada vez mais emplumado, trazendo-se até às nossas mãos. Esqueci-me de o dizer, mas em todos estes dias tínhamos o sacrifício da escola, que a par do “tens de dormir” nos interrompia a companhia do passarinho. Quando voltávamos, pouco depois do almoço, já ninguém ia brincar para a rua, como sempre era habitual. Ficávamos por ali, ora um ora outro, disputando a sua atenção. E nessa tarde foi uma loucura. As penas, ainda que curtas, já lhe permitiam desastrados voos, o bastante para percorrer 2 ou 3 metros de cada vez. E foi aqui que aquela coisinha de nada nos encantou a todos, os nossos progenitores incluídos. O bicho dava como sua aquela família, e sentia-se tão à vontade que pulava de ombro em ombro, dando mordidinhas nas nossas orelhas. Um deleite que por ali volteava e nos enchia a todos de carinho.
Ao sexto dia na casa era pássaro adulto. Desajeitado mas já ufano. E se dúvidas houvessem a forma como se movimentava por dentro da casa tirava-nos de tais incertezas. Era tal o encanto que acho que ninguém tinha pensado até então o que iríamos fazer com ele
