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dezembro 09, 2004
Não serão as mais bonitas mas …
Pronto, agora é que é para me desgraçar mesmo. Prolongo o incomodativo post anterior.
Para muitos, a Banda Desenhada é uma forma menor de expressão, nem tão pouco é vista como género artístico. Não sendo eu um entendido, embora reconheça que tive a sorte de ter tido bons ‘professores’ na minha adolescência, diria que separando o trigo do joio se encontram extraordinários casos de excelentes autores de BD (Bilal, Moebius - o mesmo segundo creio, Pratt, Manara, citando apenas alguns, e para evidenciar a minha desactualização quanto a autores mais recentes).
Há livros de BD para os quais olho com o mesmo encantamento com que saboreio um quadro, ou um livro (primeira estupefacção do leitor?). Mais, vejo em muitas pranchas uma combinação em estética e forma dos dois anteriores, atribuindo-lhes complementaridade e reforçando a expressão de ambas, a da gravura e a da escrita. Pode até dar-se assim neste caso um alcance mais reforçado, mais eficaz, mais espontâneo (aqui certamente já alguns dos leitores terão desistido de continuar) - quem sabe não é por isso que é tantas vezes menosprezada no plano artístico. A BD desenvolve assim a estética das suas imagens, o estilo narrativo e os ambientes que a complementam, mas sobretudo lida com a fantasia.
É de facto isso, alguma BD estimula a nossa fantasia (aliás como qualquer outra forma de arte, não é exclusiva nisso). O que nela interpretamos confunde-se com as imagens e os significados que já temos em nós. Ao desfocar-se das ‘barreiras’ físicas e conceptuais, enaltece-os (aos significados) por vezes, complementa-os, e por isso acaba por representar “imagens” com as quais nos identificamos mais ou menos (para quem ainda tiver presente que continuamos a falar das mulheres bonitas segundo Manara, esta terá sido a gota de água ... desses me despeço então com cordialidade).
E aqui começamos a chegar onde quero. De entre vários, “Manara” é um autor que nos induz a fantasiar as mulheres. E fá-lo excelentemente (na minha opinião é o melhor) no plano da sensualidade. Por vezes, diria mesmo, no erotismo, mais certo será até dizer na carnalidade, na sexualidade. Faz-nos desejá-las. E é nesse sentido que referi que as mulheres mais bonitas do mundo eram as dele. (Bom, a partir de agora já sei que caminharei sozinho até ao fim deste post. A todos aqueles que me acompanharam até aqui quero agradecer a vossa invulgar obstinação em tentar perceber-me)
Estou a “iconografar” as Mulheres? Estou. Posso admirá-las sob todas as formas do mundo. Por isso posso exaltá-las também sob a forma do meu desejo por elas. São um complexo de significados, mas é-me devido poder desagrupá-los um por um. E depois posso quantificá-los e classificá-los, por muito que isso me custe aqui escrever. Posso fazer isso com tudo. Mas o mais certo é que procure formas de expressão mais veementes que as minhas, para assim reproduzir os significados que eu não sou capaz de descodificar - e ainda aqui tenho presente o âmago da arte (ai, ai, ai).
Falo (falava) de mulheres bonitas (não digo belas, que essas não têm tradução artística), que me provocam o desejo (onde eu me fui enfiar). Não de uma, ou algumas, escolho a via difícil, a de falar das mulheres em geral. Assim falo do meu desejo. Ao eleger ‘Milo Manara’ estou apenas a usurpar a sua arte para o representar, e faço-o apenas no plano específico da sua perspectiva carnal, que tão veementemente explora. Sim, porque continuo a falar de estética, de significados e de desejo. Não das Mulheres, que delas não ouso falar.
Fantasias sexuais de adolescente não amadurecidas, dirão uns. Absurda materialização do desejo da mulher, outros acrescentarão. Forma recalcada e ambígua de explorar o sentido estético da beleza feminina, dirão outros. Visão machista em latência, calarão os mais revoltados. Disparates, arrematarão os mais concisos ...
... estava apenas a dar ideias para comentários.
Publicado por Eufigénio Lagoa às dezembro 9, 2004 02:36 PM
Comentários
Se não tivesses escrito aquela primeira frase 'agora é que me vou desgraçar todo', responder-te-ia isso mesmo nos comentários do post abaixo...
Pericaso gosto muito de BD e há imensos albuns bem melhores que muitos livros, concordo totalmente.
Quanto às mulheres do Manara, são sensuais, claro, de uma forma óbvia; mas prefiro de longe as do Francois Bourgeon.
Publicado por: catarina em dezembro 9, 2004 04:05 PM
Oh Catarina, muito me alivias!
Já estava a ver que tinha de escrever um 3º post a dizer mais ou menos "agradeço que não considerem as 2 últimas entradas. Foi o meu irmão mai novinho que encontrou esta coisa e veio para aqui pavonear ca sua líbido adolescente"
PS: Falavas do Bourgeon, quem ...? Era só para dizer ao gajo, acho que ele ainda não conhece. (não fosse ter ouvido dizer que o colombo anda com um virús de tipos transparentes e até lá ía comprá-lo para lho oferecer no Natal.)
Publicado por: Eufigénio em dezembro 9, 2004 04:25 PM
Mulher que bem se arreia, nunca é feia.
Publicado por: Aliás em dezembro 9, 2004 04:53 PM
Aliás, que bem se desarreia...
Publicado por: cap em dezembro 9, 2004 05:51 PM
tudo o que remete o ser humano para o campo da sensualidade é favorável ao seu desenvolvimento... ou pelo menos é essa a minha opinião.
as lolitas manarianas são estupendas.
como coleccionadora de banda desenhada erótica, bem como autora (!), tenho que dizer que sempre mencionei o Milo Manara como um mestre na arte da sensualidade.
é que sexo é bom! e tudo o que é relacionado com sexo ... é também muito bom.
até o meu sobrinho de 13 anos já descobriu o Manara.
abençoados os abertos de espírito.
MJ
Publicado por: Maria João em dezembro 9, 2004 09:25 PM
(Este jeito para me entalar ... agora ponho-me a botar postas de pescada e eis que tenho por comentadora uma BDeísta)
Brinco naturalmente Maria João :) seja bem vinda.
E, claro, concordo com tudo o que disse. E deixe-me dizer-lhe que o Manara fez tb parte das minhas descobertas da adolescência. Por isso sei do que falo e recomendo-o com propriedade ao seu sobrinho ... desde que ele um dia não anuncie publicamente que as mulheres mais bonitas do mundo são a 2D e se arrisque a passar por um vexame tão grande como o meu, naturalmente.
Publicado por: Eufigénio em dezembro 10, 2004 11:29 AM