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dezembro 28, 2004
Interrupção injustificada das “férias”
Em geral, escrevo sem saber porquê nem o quê. Quando o tento fazer conscientemente nada sai, e acabo por começar assim, como agora, na expectativa que as letras se amoldem e que as palavras se rabisquem. Sou um leitor estranho de mim mesmo, rodopiando no texto, seguindo-lhe a linha, especulando sobre o seu fim.
Mas apenas sei escrever sobre as saudades, sobre a família, instantâneos como agora o natal, sobre mim enfim. Sei escrever sobre o que gosto e o que me toca, sobre o que anda aqui por perto e cujo tamanho cabe nas minhas palavras. Não sei como se escreve, nem sei como possa escrever sobre o que sinto, quando não sei o que sinto, e apenas sei que sinto mal. Hoje tentei e nada saiu. Quando não sei, não sai, e normalmente nem ouso seguir, e pouso a caneta.
Mas hoje continuo. Quero escrever mal, com frases sem vistoria, e desleixando palavras não corrigidas. Sobre o que sinto mal não sei escrever, mas hoje sinto como se escrevesse mal. E não pouso a caneta, arrisco deixá-la assim, perene, escrevendo mal o que não sei que sinto.
(Tem sido dura a vida dos homens nos últimos tempos)
Hoje quis-me trair. É fim de ano, e apesar disso lanço-me lamuriento. Sei escrever (devia fazê-lo agora) sobre a esperança, e a renovação, todos o sabemos. Mas hoje, sobre hoje, deixo escrito o que não sei escrever. Porque é o mal que sinto, só mal o sei escrever. Mas escrevo. Escrevo para saber que nada escrevi. Para me lembrar que sinto o que não sei escrever.
(Tem sido dura a vida dos homens nos últimos tempos)
Estou sem vontade, a caneta não dança mais, e eu já nada posso. Porque sobre o mal que sinto não sei escrever, e hoje sinto como se escrevesse mal.
Publicado por Eufigénio Lagoa às dezembro 28, 2004 02:58 PM
Comentários
Não sei o que te escrever pois o meu teclado tem o virús da época. Só me dá para escrever Bom ano Novo, mas se o meu teclado não estivesse assim, dir-te-ia que para quem escreve ao correr da pena o texto está fabuloso. Mas como não posso, digo-te apenas que desejo um excelente ano a todos os habitantes dessa tua casa bem assombrada, onde as tartarugas vivem no forro no soalho, as sogras têm a opinião que têm dos genros, os espiritos velam por vocês todos e as crianças devolvem a luz ao olhar, que fica baço no fim de cada dia de trabalho. Carry on with the good work.
Publicado por: Azenhas em dezembro 28, 2004 03:43 PM
:)
este vou guardá-lo para a passagem do ano amigo Azenhas
Publicado por: Eufigénio em dezembro 28, 2004 03:48 PM
Está justificada a interrupção.
Continuação de boa quadra sabática.
Publicado por: cap em dezembro 28, 2004 04:31 PM
Mas já viste CAP, mesmo sem o saber insisto em por aqui escrever?! raio de bicho !:)))
idem por essa bandas
Publicado por: Eufigénio em dezembro 28, 2004 04:41 PM
Beijinhos
Publicado por: madalena em dezembro 28, 2004 10:33 PM
eu diria que parece uma conversa ao vivo, transposta em letras que se transformam em palavras com nexo...com sentido...com muita coisa.
Um bom ano para ti e para toda essa gente que te habita:)*
Raquel
Publicado por: Raquel em dezembro 29, 2004 05:01 AM
Olha, olha. Já cá tás outra vez? Ah bichinho malvado que se-nos apropria da caneta...
Publicado por: sharkinho em dezembro 29, 2004 03:46 PM
Para quem escreve mal e deixa assim correr a caneta...só posso pedir que continues, mesmo sentindo mal, ou não sentindo nada é um prazer ler-te
Publicado por: Luna em dezembro 29, 2004 06:37 PM
Madalena,
Já lá deixei outro para ti.
Raquel,
… assim como que a “cigarrear” conversas … o teclado em vez da cadeirinha ao lado da lareira? …humm… acho que ambos sabemos que não.
A "gente" aqui agradece e retribui :)
Publicado por: Eufigénio em dezembro 29, 2004 08:24 PM
Sccchiiiiuuuuu, Sharkinho, sem estrilho pá ... encontrei este cibercafé aqui pertinho
e como já andava farto de ler coisas fabulosas por esses lagos (quais charcos) fora,
vim até aqui só um bocadinho, para me distrair.
Luna
Acho exageradíssimo esse lustro que puxas à caneta. Seja como for por cá ando, pois. Olha, acabei de pôr mais uma moedinha e de pedir um duplo. Vai daí ainda peço umas natas, bem misturadas com uma boa dose de loucura, mais um pinginho de café e quem sabe não dará um Lunacoffe que me ponha a escrevinhar sem fim… até tu finalmente me rogares para parar …(risada)
Publicado por: Eufigénio em dezembro 29, 2004 08:31 PM