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dezembro 30, 2004
Cenas de sexo e gajas boas
... ou a outra forma de se pesquisar:
"mensagens de amor e mulheres bonitas"
Calma, calma, eu explico a patranha. E não, nem uma fotozinha arranjei.
Hoje fui até à casa das máquinas aqui desta embarcação. É lá que fico observando o radar, o scanner de profundidade, o GPS, o plotchart, e toda a restante instrumentação que esta embarcação dispõe. É aqui que traço as minhas cartas marítimas, e é assim maior a confiança com que ponho as mãos no leme. Luzinhas de todas as cores, bips incansáveis e mais uma tralha de electrónicas permitem-me perceber em que fundos navego, que mares atravesso, ou o estado de agitação das suas águas.
Mas como este é um barco especial, também tenho por lá, outros aparelhómetros sofisticados. Há um por exemplo em que me é permitido saber sobre as expectativas de viagem, os destinos pretendidos, de alguns dos meus passageiros.
Não falo daqueles que aqui chegam com a curiosidade de quem visita uma nova casa, por link do oceano blogosférico, e que mesmo antes de o verem, ao blog, já têm uma razoável noção do que os espera. Trazem apenas a expectativa de saber como se navega por aqui. Para este tipo de passageiros não é particularmente importante o destino em si, mas a forma como até ele se chega. Vão apreciando o serviço, ou se descontentes, despedindo-se dele para sempre, retornando para os barcos que os costumam ter como viajantes. Mas trazem sempre uma ideia mais ou menos clara do tipo de navio que é, até porque eles, provavelmente, terão um outro do mesmo género.
Destes excluo ainda aqueles que são já embarcados habituais destas travessias, e que conhecem tão bem esta traineira quanto eu. Por cá vão passando, espreitam para além das clarabóias a linha da costa que se vai alterando, e vão perscrutando a paisagem. Alguns, mais expansivos fazem até o favor de preencher o nosso livro de bordo. Outros, mais introvertidos, apenas se sentam na sua cadeira habitual e lá vão desfrutando do serviço que espero que lhes agrade. A estes visitantes habituais, este barco já não traz surpresas. É apenas um sítio onde se acomodam e cada um, à sua maneira, acaba por desfrutar das silhuetas que a linha da costa lhes vai revelando.
Os visitantes de que falo, e dos quais posso constatar quais as perspectivas da viagem, não vêm atentos à embarcação, nem ao nível do serviço - hoje apanham esta embarcação, amanhã aquela - pois apenas visam o destino a que pretendem ser levados. São a parte errática das minhas visitas, embora possa admitir que um escasso número se torne cliente desta singela embarcação. Vêm das funduras revoltas da net, à procura de um destino (tema), provavelmente sem mesmo saber que este o trará a um blog. Provavelmente sem saberem que um blog é um barquinho pequeno, meio artesanal, não muito confortável, mas com um atendimento mais personalizado que o distingue dos grandes transatlânticos. Coisa para travessias curtas e rápidas portanto.
São estes que ao subirem o passadiço deixam então ficar rastreado o destino pretendido, quando adquirem o seu título de transporte (search string) no guichet de viagens (motor de busca).
E de vez a vez lá estou, consultando o livro de viagens, que me revela os destinos (palavras-chave) que até aqui os trouxeram. Aqui o têm:
E é aqui que eu, puritano capitão desta embarcação, sublinho com orgulho os destinos dos meus passadiços. Nada de procuras obscenas, dessas infelizmente cada vez mais comuns neste mar lascivo da Internet. Não, aqui só coisas recatadas e românticas. Queiram pois notar que:
Quase 50% das buscas visam “mensagens de amor” – haverá expressão mais edílica?
As 6 referências seguintes falam-nos de “mulheres bonitas” – numa perspectiva esteta claro, e repare-se que a forma correcta e elegante como estas aqui são procuradas, afasta qualquer expectativa mais libidinosa
Depois seguem-se em menor escala as referências literárias e culturais, o que me deixa assaz orgulhoso de tão elevado público.
Este é então, há semelhança do seu autor, um blog recatado, que fala de amor e mulheres bonitas, e que se adorna até com algumas referências literárias. Casa decente e de grande elevação, justo pouso para os seus visitantes românticos, apreciadores do bom género, mas dentro dos limites da conveniência.
Mas um homem deve saber questionar-se sempre, mesmo quando as conclusões que tira lhe parecem tão peremptórias. E um bom capitão deve ter a preocupação de saber se os seus passageiros estão de facto satisfeitos com o traçado das cartas marítimas, ou se contrariados por aqui vão na esperança de se verem passar perto de outros destinos, para os quais, em momento oportuno, se irão esgueirar. Dei comigo a pensar então se estas “search strings” eram as próprias e prioritárias de quem por pesquisa aqui chegou, ou se seriam já um subterfúgio, um segundo arremesso em fase de desespero, de quem procuraria outras coisas mais óbvias.
Propus-me então ajustar as “pesquisas” feitas, utilizando expressões mais comuns na Internet, extrapolando-as dos resultados de pesquisa que aqui podemos notar. Vamos lá ver o que isto dá:
Mensagens (=cenas) de amor (=sexo)
Mulheres (=gajas) bonitas (=boas)
Está assim justificado aqui o título do Post: "Cenas de sexo e gajas boas"
(ou a outra forma de se escrever na net “mensagens de amor e mulheres bonitas”)
Aos passadiços deste bote, que me têm acompanhado nesta navegação, fica a promessa de que daqui a uns tempos vos trarei os resultados desta experiência. Aí iremos ver se estamos a falar de cauta embarcação, que liga destinos românticos, ou se falamos de uma traineira, de pouco interessada no conforto, que apenas se usa para chegar aos desígnios da libido.
Ao visitante acidental, que aqui chegou vítima desta minha tese, as minhas sinceras desculpas por esta pequena malandrice. Mas pelo menos queiram notar que ninguém aqui irá pedir o número do cartão de crédito e que também não se irão abrir cascatas de pop-up’s sobre viagras. Infelizmente não tenho aqui fotos próprias do título deste post, e que possam assim compensar de alguma forma o meu abuso. O máximo que vos posso retribuir, é este pequeno link para um excelente stripoker (sim, também eu tenho os meus momentos de fraqueza), sugerindo-vos que comecem por jogar com a Raylene, cujo nível de skill é apenas médio e cujas “boobs” estão referenciadas como “baloons”.
Que me seja ainda assim permitido desejar uma excelente entrada em 2005.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:32 PM | Comentários (9)
dezembro 29, 2004
Proposta privada
Tu levarias o sorriso de manhã,
e eu trazia-o ao fim da tarde comigo.
À noite deixávamo-lo a dormir na boca dos nossos filhos
antes de o pegares de novo, pela manhã.
Que dizes?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:34 PM | Comentários (7)
Antigamente as pessoas sorriam com vírgulas
Este post é para a Madalena, porque o acho relacionado com este "O presente, esse é tão volátil que nem damos bem conta dele. Quando o conseguimos apanhar, já é passado. Se vamos atrás dele, ainda é futuro." com que por lá nos recebeu, porque acho que tem muito a ver com a sua sensibilidade, e porque por lá, se bem que tente, nunca consigo deixar comentário.
" Antigamente as pessoas eram mais demoradas. Diziam as palavras sílaba a sílaba, sorriam com vírgulas, mostravam nos dentes um ponto de interrogação à laia de uma flor. Quer isto dizer que não faziam uma pergunta exigindo de imediato uma resposta. Esperavam esbeltas no tempo, os olhos isentos de qualquer desafio ...
Hoje, não. Hoje não nos sabemos demorar nos patamares, nos varandins eventualmente ainda existentes, nas margens desta ou daquela situação ...
Estamos em fuga, ultrapassamos todos os possíveis encontros - e cada vez, embora de muitas coisas acompanhados, nos sentimos mais sós uns dos outros. Sem nos apercebermos vamos tendo o deserto à nossa frente...
Antigamente, pois as pessoas eram menos súbitas ... e porque eram a noite e o dia, e tinham dentro de si uma longa tarde, lentas se davam, lentas sorriam, e lentas (uma a uma) entardeciam. "
Pedro Alvim, in Diário de Notícias
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:01 PM | Comentários (2)
A desilusão das cebolas
do meu sobrinho Nuno de 7 anos
- Mãe!! Mãe!! Olha, recebi um presépio – continuando a desembrulhar, ávido, o presente de Natal – e com terra e tudo!!
Agora já palpando com ar confundido o saquinho com os bolbos de tulipa, estranhando-lhes a forma …
- Arghhh !!! Deram-me cebolas!!!??
[post colocado num momento de fraqueza durante as férias]
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:39 PM | Comentários (4)
dezembro 28, 2004
Interrupção injustificada das “férias”
Em geral, escrevo sem saber porquê nem o quê. Quando o tento fazer conscientemente nada sai, e acabo por começar assim, como agora, na expectativa que as letras se amoldem e que as palavras se rabisquem. Sou um leitor estranho de mim mesmo, rodopiando no texto, seguindo-lhe a linha, especulando sobre o seu fim.
Mas apenas sei escrever sobre as saudades, sobre a família, instantâneos como agora o natal, sobre mim enfim. Sei escrever sobre o que gosto e o que me toca, sobre o que anda aqui por perto e cujo tamanho cabe nas minhas palavras. Não sei como se escreve, nem sei como possa escrever sobre o que sinto, quando não sei o que sinto, e apenas sei que sinto mal. Hoje tentei e nada saiu. Quando não sei, não sai, e normalmente nem ouso seguir, e pouso a caneta.
Mas hoje continuo. Quero escrever mal, com frases sem vistoria, e desleixando palavras não corrigidas. Sobre o que sinto mal não sei escrever, mas hoje sinto como se escrevesse mal. E não pouso a caneta, arrisco deixá-la assim, perene, escrevendo mal o que não sei que sinto.
(Tem sido dura a vida dos homens nos últimos tempos)
Hoje quis-me trair. É fim de ano, e apesar disso lanço-me lamuriento. Sei escrever (devia fazê-lo agora) sobre a esperança, e a renovação, todos o sabemos. Mas hoje, sobre hoje, deixo escrito o que não sei escrever. Porque é o mal que sinto, só mal o sei escrever. Mas escrevo. Escrevo para saber que nada escrevi. Para me lembrar que sinto o que não sei escrever.
(Tem sido dura a vida dos homens nos últimos tempos)
Estou sem vontade, a caneta não dança mais, e eu já nada posso. Porque sobre o mal que sinto não sei escrever, e hoje sinto como se escrevesse mal.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:58 PM | Comentários (10)
dezembro 22, 2004
Vou de Férias ... e até pr'ó ano
Vou de férias. Não que vá para muito longe, aliás, nem vou sair do mesmo sítio. Também não me parece que vá fazer outras coisas. Para ser franco e objectivo, tenho de dizer que irei continuar a fazer as mesmas coisas, estas talvez de forma diferente. Mas vou de férias, e férias são férias.
Transformando isto numa espécie de redacção da escola primária, teimo em continuar a falar das férias. Sabemos que estamos em férias quando: nos vemos em locais diferentes, a fazer coisas diferentes, e finalmente, porque estamos com quem queremos estar. Na minha opinião, basta um destes factores para que eu possa decretar-me em férias, e para o efeito basta-me este último. Vou de férias, portanto.
Estas são merecidas, ai se são. Nos últimos tempos têm aparecido aqueles picos disparatados de trabalho, (e pelo que já tenho programado é coisa para mais um mês), que surgem sempre em circunstâncias imprevistas e estranhas, do que resulta ficarmos momentaneamente com as nossas prioridades todas baralhadas. Damos por nós a queimar horas, como se aquela noitada fosse a coisa mais importante do mundo e julgando que a negociamos com a absolvição de um beijo lá em casa, mesmo que com eles todos já dormindo.
São estas, vicissitudes das nossas responsabilidades profissionais, diria eu se montado em cima de oleados carris. Mas hoje “descarrilei”. Acho que foi o Pai Natal que apareceu por aqui (não esquecer de tirar o post debaixo). Subitamente, via-me do lado de fora, a meia distância de tudo. Olhava para um lado e lá estava eu, a estrebuchar trabalho, olhava para o outro, e lá estavam eles, onde eu não estava e devia estar. Olhava já mais longe no dia, e eu já folgado do trabalho, já perto deles, mas olhava melhor, e lá estavam eles, onde eu também estava e contudo não estava. Escusado dizer o quanto isso me indignou.
Determinei então que iria de férias. Que roubaria todos os minutos possíveis que sobrassem do dia normal, que os juntaria com rigor, para depois os ir esbanjar para o pé deles. Afinal, ter férias resulta de um exercício simples de disponibilidade, e esta não é nos relógios que vive.
Foi por aí que descobri que não bastava apenas gerir de forma somítica o meu tempo de trabalho, que era também preciso saber alongar o resto do tempo, centrá-lo em nós. Foi assim, que dei de súbito aqui comigo, escrevendo, deduzindo que o deveria parar de fazer por uns tempos, que também este blogue deveria esperar, pois que eu vou de férias.
A primeira coisa que procurei saber era se lá para “onde” vamos, haveria a possibilidade de vir até aqui, ao blogue, onde normalmente arrumo as minhas “fotografias”. Fui terminantemente impedido de expor essa hipótese sequer. Que não, que estas férias eram para ser gozadas como deviam ser e não serem como se numa excursão de japoneses, vistas pela mira da máquina fotográfica.
Ainda assim, lá me foi concedido que por aqui andasse, isso parte das minhas férias também, o poder ver as “fotos” que outros vão tirando, retribuir um comentário até. Por cá voltearei também nestas minhas férias, mas sem post’s obviamente.
E por isso, tenho aqui a última oportunidade para vos poder desejar a todo(a)s umas óptimas festas e melhores entradas ainda em 2005!!!
“ ´Tá bem já vou ! "
Olha, estão a chamar por mim. Até pró ano !
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:23 AM | Comentários (32)
dezembro 21, 2004
O meu pai natal anda chateado
Diz que não gosta de ser convidado para festas de gente que se porta mal.
Achei estranho e perguntei-lhe o que queria dizer com aquilo.
Aí ele lançou um sonoro "Ôh, Ôh, Ôh"
e depois foi-se embora !!???
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:23 PM
dezembro 20, 2004
A lista de natal do Diogo
Para família que por aqui passe, deixo na íntegra a lista de Natal do Diogo que roubei lá do PC deles, na expectativa de ainda vos poder ajudar (nas partes mais difíceis deixo tradução minha):
3 livros de ler , 2 jogos para a play station2,game boy advence , Cd chutos e pontapés,likin park, uma bola de footbal, uma pista de rallys, uma caixa cheia de carros, avião telecomandado, carro telecomandado, sims para o computador, um peixe sem problemas (pois, o ano passado a tia Inês deu um peixe que assim que chegou começou a nadar de lado e nunca se recompôs. Favor dar um peixe sem problemas de carburador da próxima vez), o homem incrível para Play station 2, um gato, um cão, uma lebre, um hamster (só para enumerar alguns), visitar o lobo do Francisco, apadrinhar uma pantera e um tigre só para mim (cá para mim esta parte tem a ver com o lobo do Francisco). Sonic para a play station2, Mapa do mundo, uma lanterna , uma bola de Rugby, lego grande, um ferrari de lego pequeno , um jogo de pokémon para o game boy advence, brinquedos, caça discos, scx, ciclone rc (as partes que não sei nem traduzo obviamente).
Ai, o que eu me ri …. Vá, toca lá a dar os presentes que o miúdo até deixou desenho do Pai Natal e tudo!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:09 PM | Comentários (16)
Todos o são, mas este ...
Saberão, (porque acho que isso é indisfarçável em mim), que tenho gostado muito de ter este blog. Tem-me ajudado a “ler-me”. Pela força da caneta, mas também pelos comentários que por aqui têm a amabilidade de deixar e que tão bem o prolongam. Espero por isso que não se sintam despeitados, mas tenho de o dizer: hoje recebi o comentário mais bonito deste blog. Veio por mail, mas veio com tudo.
Beijos AT
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:58 PM | Comentários (1)
O engenheiro do (meu) mundo
morávamos numa pequena moradia, e tínhamos sempre um cão de guarda !
primeiro foi um belíssimo pastor alemão. o segundo era um rafeiro ... do qual gostávamos muito mais !
mas em vez de guardar, o cão vivia vadiando pelo bairro inteiro !
e frequentemente aparecia com os devidos sinais de guerra
um dia apareceu com o maxilar debaixo completamente fracturado ! de tal forma que a mandíbula lhe baloiçava presa apenas pela pele !
agarrámos nele e levámo-lo ao veterinário
disse-nos este que em princípio aquilo seria fatal ... que não havia condições de sobrevivência, por razões evidentes que nem precisavam ser explicadas
perante a nossa insistência, e porque era um tipo novo, com genica, propôs que arriscássemos o seguinte ...
então com um arame d’aço prendeu as duas partes do maxilar do cão, como se estivesse atando a queixada !
as esperanças eram poucas ...
o que é certo é que o cão, apesar de ter um apalhaçado funil na cabeça para não se coçar ... acabou por fazer com que aquilo voltasse ao mesmo !
segunda vez lá voltámos
de novo tudo começou ... mais não sei quantas horas de operação…
aviso final: se desta vez não resultasse ... teríamos de abater o cão, por razões óbvias.
dias depois.... tudo na mesma.
o maxilar outra vez caído. a imagem era horrível, e o seu significado também ... estávamos todos descorçoados! seis miúdos inconsoláveis.
ele olhava-nos, e depois olhava para o cão, irrequieto
vi-o então sair e dirigir-se a um anexo que lá tínhamos no quintal, onde guardava ... as ferramentas ... e trazer de lá dois alicates de pontas!
o meu pai sentou-se então em cima do cão que esperneava, gania, rugia ....e durante largo tempo ...nenhum de nós ousou aproximar-se deles !!
No fim tinha refeito tudo aquilo, ligando as pontas do arame nos dois maxilares.
o cão viveu durante mais uma série de anos !!!!
…
Mas ficaram tantas outras pontas soltas para arranjar
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:40 AM | Comentários (6)
dezembro 19, 2004
Falta de “upgrade”
Hoje, casualmente no “então… olha estás cá!?” lá nos fomos encontrando quase os seis filhos, respectiva(o)s, a(o)s que sim, e catraiada de netos, em casa da minha mãe. Os adultos cá em baixo, um de vez por vez subindo a escada para acalmar a chusma que pululava e pulava no quartinho das brincadeiras. Agora tinha-me cabido a mim ser mandatário de um “da próxima vez que cá vier, acaba-se a brincadeira toda e só se voltam a ver para o ano que vem!!”.
Quando abro a porta (com a garganta devidamente aclarada para o impacto) o reboliço era completo, mas a esse escuso-o de o contar, porque desnecessário para quem sabe do que falo, e exagerado e desacreditado para quem não tem essa sorte ou azar. Além disso quero centrar-me na minha sobrinha e afilhada, miúda de 15 anos, a mais velha, e que alheia navegava pela Internet.
Ainda antes de lhe sugerir um “Oh Maria porque é que não está a brincar com os primos em vez de andar aí a perder tempo com essas coisas?” (até um blogonauta é capaz de ser um chato quando se veste de adulto) não deixei de entrever a foto que ela via, e esta, assim de soslaio, pareceu-me algo insidiosa. Tratava-se de uma formação circense de belas mulheres. De gatas, umas equilibrando-se nas costas das outras, as três primeiras em baixo garantindo a base, depois outras duas por cima delas, estas sustendo finalmente mais uma. Embora estivessem (ainda que sumariamente) de bikini, talvez porque devido à sua juvenilidade, à sua frescura, enfim, talvez por me parecerem umas mulheraças, não deixaram de me ocorrer algumas suposições que precipitada e desastradamente remeti para pergunta:
- “Oh Maria, mas o que está a ver ??”
- “São as minhas amigas deste verão lá no Algarve, tio”
- “Mas …(de repente uns deixam de andar aos pulos em cima do sofá e sem darmos por isso fazem-nos fazer estas figuras) … olhe, a avó está a perguntar se não quer ir beber um cházinho.”
Parece que alguma coisa anda a passar demasiado depressa por mim. Definitivamente temos aqui um problema de “upgrade”!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:35 PM | Comentários (7)
Estavas linda hoje

... com esse rimmel de luzes
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:05 AM | Comentários (4)
dezembro 17, 2004
Finalmente mais um prémio para mim !!!
O estimado(a) Leitor(a) sabe da minha sinceridade, por isso decerto compreenderá o descaramento desta confissão. Tenho andado triste (não, não é por causa das festas com que me revolvem aqui o estabelecimento aproveitando a minha ausência, a essas já nem ligo). Tem tudo a ver com a forma abandonada com que me tenho sentido tratado.
No princípio a coisa até correu de feição. Descobri da melhor forma esta prática de final de ano aqui na aldeia, ao ver ser-me atribuído um "Gandula", pelo Ma-Schamba (pese embora não me conforme por ter sido desqualificado para a medalha de bronze já na parte final do período de atribuições). Tal distinção, e o facto de notar que outras iniciativas idênticas proliferavam por toda a blogosfera, fizeram elevar as minhas expectativas nesta matéria, legitimamente. Afinal, o JPT era dos primeiros a arriscar-se nas nomeações, e eu logo lá, certamente bem colocado para somar mais, e assim constituir um digno acervo de medalhas.
Entretanto, continuei a testemunhar o fenómeno um pouco por todo o lado, com crescente ansiedade, enquanto percorria os dedos pelas prolíficas nomeações. Nada. E cada vez mais pódios, e nada. O gesto foi-se reproduzindo de tal maneira que quase eram tantos os premiados como os que os elegiam. Um verdadeiro rodopio, ainda um júri acabava de citar os premiados na sua casa e logo corria atrasado, agora para agradecer ter sido distinguido com igual mérito no blog ao lado. É evidente que com tanta nomeação a convicção de que atingiria outro galardão continuou a aumentar. Afinal, era só esperar que se esgotassem os nomeados e que ainda assim houvessem medalhas para distribuir. Alguém se haveria então de lembrar de mim, quando reclamasse que precisava de "apenas mais um" blog, e assim, quase por engano, me veria a ser chamado.
Cá fiquei á espera, a angústia mordendo um pouco por dentro. Ainda nada. Comecei a esmorecer. Saltava de blog em blog, de árvore de natal em árvore de natal, sempre testemunhando o tumulto das eleições que em cada um se fazia sentir, mas eu nada. Ainda assim continuava a aspirar a uma segunda distinção. E por aí continuei, espreitando por todos os pódios, agora já na esperança que algum júri mais distraído, não obstante ter-me nomeado, se tivesse esquecido de me linkar, hipótese a que cada vez mais me agarrava com fervor. Já nem entrava, espreitava só, constatava, e lá partia não me escondendo de encolerizado, estrondeando a porta.
Mas, finalmente vi-me bem sucedido! Bem sei que vindo o prémio do simpático Zoick esta referência teria algo de muito relativo, mas isso eram coisas que ao meu ego pouco interessavam. Um prémio é um prémio. Assim me ajanotei todo orgulhoso, já mais abrandado, para lá o ir reivindicar. Engano meu, este blog era apenas a casa citada onde “vivia” o premiado. E nem o facto de ter este sido o “Bro”, e nem o reconhecimento de também eu concordar que o post eleito tem um dos melhores trabalhos gráficos que por aqui vi, nada disso pôde esconder a minha decepção. Mas enfim, isso é coisa que já lá vai. Sem ressentimentos, sem ressentimentos.
E lá continuei, saltaricando de casa em casa, pensando já a forma da minha carta de despedida, o texto que tentaria esconder a minha profunda frustração e desagrado para com toda a blogoesfera. Mas este desespero de me rever em mais um pódio, ouvindo aclamações com uma lágrima despregada ao canto do olho, fez-me continuar a louca demanda, por mais uma vez. Quem já experimentou a glória de ter sido nomeado, como eu, embora apenas por uma vez, sabe que este é ópio que se nos entranha. Abençoada persistência, venturosa vaidade que não me deixaste esmorecer. Lá o encontrei ao estrelato, lá o revivi. Recebi mais um prémio !!!! Este o de melhor comentador de toda a blogosfera , este ainda por cima atribuído pela encantadora Catarina, o que só constata da difícil competição em que me vi distinguido.
Bem sei que este prémio foi atribuído exaequo com mais 12999 adversários, mas em meu entender isso não lhe tira em nada o mérito desta distinção! Comovido, aqui deixo o meu Obrigado.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:10 PM | Comentários (10)
dezembro 16, 2004
Eu não merecia “tanto”
JPT, Bill (como não tens um blog arranjei-te um lugarzinho aqui perto, clica, clica), não posso deixar de me sentir comovido por se terem emprestado ao trabalhoso intuito de encharcar isto de jocosos comentários. Mais adianto que este vosso exaustivo contributo empírico veio atestar de forma decisiva e curial aquilo a que apontava no post debaixo ( e que, por aqui tão perto, me escuso de linkar). Ainda no âmbito deste exercício científico, e propondo que persigamos o princípio da redundância na comprovação da tese em causa, aqui sugiro mesmo que prolonguemos esta experimentação em sede do Ma-Schamba. Neste propósito, e tendo presente o desgaste a que certamente este vosso mister aqui vos terá consumido, arrisco sugerir que desta feita não devamos ser tão exigentes no nível intelectivo dos comentários a postar, ao invés da amável preocupação que por aqui foi tida por V. Exas, e que por mim, emocionadamente, foi notada
Agora, se não se importam ...
Podem começar !!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:56 PM | Comentários (16)
dezembro 15, 2004
Agora é que deixei mesmo ligar a isso
Eu já o tinha achado aqui, mas agora é que me convenci em absoluto que as estatísticas estão completamente distorcidas. Ainda agora, quando fui ao top dos weblogs mais comentados, só para ver onde 'estava a dar', e dou com este "ApenasNada" enfiado no meio do meu-mais-que-todos Maschamba e do fabuloso Ruínas Circulares, só me deu para rir. Acreditem-me, sem pretensão, falo a sério!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:41 PM | Comentários (49)
O CRLI, o Lobo ibérico e o meu filho
Ao visitar o "Vemos, ouvimos e lemos", (cumprimentos Margarida:)) encontrei aqui esta notícia sobre a Murta, uma loba adoptada pelo Victor Reis , com o carinho que aqui (não consegui linkar o post, de dia 13) descreve .
Não pude resistir a aqui acrescentar algo, não apenas por assim ajudar a promover o belíssimo propósito do “Centro de Recuperação do Lobo Ibérico”, mas também pela enorme coincidência de eu conhecer o padrinho do Prado, o alfa que acasala com a Murta. Que coincidência ein?
Mas não me fico por aqui, há mais particularidades como irão ver:
Ora vejam lá
- Esse indivíduo é padrinho do Prado há 3 anos
- Esse indivíduo todos os anos renova esse laço à custa da sua prenda de anos
- Mas esse indivíduo tem apenas 11 anos
- E é o Francisco
- E o Francisco é o meu filho
- E o Prado (acasalado da Murta) é o afilhado dele
Estas sim são as particularidades que junto a esta notícia.
É bem verdade. Este miúdo, depois de passar pela fase dos dinossauros (e quem tem filhos desta idade sabe bem que aí pelos seus 4 anos estes brotaram nas máquinas do imaginário infantil – disneys e companhias, de uma forma invulgar), encantou-se com os lobos, e é hoje pessoa a quem reconheço enorme conhecimento sobre estes animais. Fala deles com propriedade e verdadeiro fascínio.
Teria os seus 9 anos quando visitámos a Centro de Recuperação Ibérica, sabendo-lhe do gosto. Foi espontâneo, quis-se logo padrinho do Prado. Achei bem, naturalmente. No ano seguinte, aquando da renovação, fiz-lhe ver meio em jeito brincadeira, que aquilo não lhe custava nada a ele, mas sim a mim. Por que se aproximava a data, sugeriu de imediato que aquela fosse então a prenda dele. E se nós por um lado (o materialista talvez) achávamos isso um pouco … para prenda de anos, a convicção com que nos demonstrou esse interesse, e sobretudo o verdadeiro significado da prenda, retirou-nos qualquer dúvida. Foi assim, às “suas custas”, que renovou essa relação com o Prado. Naturalmente não mais me lembrei disso. Mas no ano seguinte foi ele quem nos recordou.
Enquanto escrevia isto fiquei curioso, e perguntei-lhe o que queria no dia dos seus 12 anos que começa a avizinhar-se “oh pai, parece que não sabe o que quero? oh ”. Ainda o tentei: “mas então, e o jogo que querias?”. Vejo-o hesitar um pouco, mas lá foi respondendo “Logo se vê. A tia Guida diz que se calhar se junta a mais alguém e mo oferece pelo Natal”
Por cima da sua secretária, no meio daquela confusão toda lá vejo a fotografia do Prado e o seu certificado de Padrinho, que ostenta com orgulho. E eu … fico orgulhoso do orgulho que ele tem nisso … que querem!?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:46 PM | Comentários (14)
Isso é que era bom ... ter-me lá mais do que cá!!!
Na segunda, já nem me lembro, foi definitivamente o pior dia. Aquilo mais parecia a desaustinada agenda de um mês, num compacto de 24 horas.
Na terça fui para os lados das Caldas da Rainha. Afastar-me dos problemas? antes fosse. Pelo meio “cracharam” os servidores todos (foi a explicação mais técnica que obtive até agora), e aqui a rede ficou tipo jogo de mikado. Os telefones pareciam as luzinhas da árvore de natal que o Diogo montou. De um lado respondo-lhes com a minha melhor voz de gravata, do outro vejo ali os verdadeiros artistas do método de “tentativa e erro” a esbodegarem aquilo tudo pela noite dentro. Solidário, lá os acompanho, quase ligando a noite à alvorada. Depois, zarpar outra vez, agora para os lados de Leiria, ensinar a outros coisas que afinal, conclui recentemente, não sei.
Amanhã é a vez de madrugar a caminho de Oliveira de Azeméis, mais outro destino ‘exótico’, destes que só a mim. Este para uma reunião de coordenação, a agenda pendente do telemóvel, o improviso já a sorrir de mim. Que se lixe.
Na sexta é melhor, tenho apenas para concluir um projecto que era suposto ter sido feito ao longo de toda a semana. Com isso posso eu bem. Ou antes, poderia, se pelo meio não tivesse de intervalar com aquele tipo de imbecis que por esta altura se põem a pedir coisas descabidas, como se assim visassem alterar à última hora a estatística anual do seu granjeado nível de incompetência.
E há do mais refinado por aqui. Ainda hoje me andei desperdiçando com um tipo que insistia que eu lhe devia mandar um fax em vez de um mail, que tinha grande urgência naquilo e assim também me daria menos trabalho. E eu a explicar que não, polidamente, que não daria trabalho nenhum por mail, que já a inversa me ocuparia pelo menos com 3 actividades administrativas. Mas ele contradizendo, cheio de salamaleques, esticando-me o tempo e a paciência, e insistindo pois que por mail me daria muito trabalho. E eu a concluir, pedagógico, o quão burro ele era.
Súbito, no meio desta ‘desprodução’ toda, acontece recordar-me de uma conversa interrompida. Nem sei já situar, mas sei que algures num destes dias o Francisco me disse que queria falar comigo. E o excesso no piscar de olhos não me deixou dúvidas ser sobre algum prodígio académico, coisa para ser acarinhada. Lá lhe disse que depois falávamos, que aquilo seria melhor contado ao calor do jantar, dando-lhe o destaque, dando-lhe a importância certamente merecida. E lá me fui submergir de novo no que aqui conto arremessando-o para longe, a novidade adiada, ele desconsolado. Não sei em que dia desta semana isso foi já, mas até hoje praticamente não o vi mais.
Isso fazer-se-me lembrado bastou: vim embora de imediato. Amanhã logo volto. Mas agora vou ficar por aqui à espera deles, e dela. Amanhã logo volto. E para já vou tirar este fato de desgraçadinho antes que eles entrem por aí. Amanhã logo volto. E ao jantar hei-de inventar tantos “incidentes” para nós resolvermos, quanto aqueles que esta semana perversa engendrou para mim.
Isso é que era bom, era só o que faltava ... ter-me lá mais do que cá!!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:15 PM | Comentários (1)
dezembro 14, 2004
Não se assustem
Apaguei o texto original.
Entendo que qualquer palavra aqui seria despropositada para acompanhar este ADMIRÁVEL trabalho do “Bro…ther”.
Obrigado
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:48 PM | Comentários (10)
Estou cheio de compromissos com o Mundo ...
... e claro, fico sem tempo para os meus !
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:31 AM | Comentários (11)
dezembro 13, 2004
Desculpem ...
Mas este gajo aqui põe-me sempre assim. E depois aquela mania de tirar macacos do nariz quando a gente o contraria. Que irritação! Prometo que da próxima vez não vou arrastar a cadeira com tanta força
PS:
Acabei de saber que afinal a culpa não foi do gajo. Parece que foi mesmo um sismo. Por favor, ignorem as minhas desculpas ...uff
PS do PS: ( o que deve dar aí para os lados do Almeida Santos, M.el Alegre, mais ou menos por aí)
A julgar pelos já inumeros relatos que por aí vou vendo, vide aqui o adufe no quadro das observações de natureza mais científica, vou constatando que o tremor de terra não foi sentido ao nível da rua, mas apenas em andares altos. Daí o pôr-me a pensar, será que foi um sismo com epicentro a meia-altura?
PS do PS do PS: (este já muito próximo do BE)
Ou muito me engano ou também há quem trate estes abanicos por “abalo telúrico”. Pois, pois, tratamento respeitoso, ciciado com esse tonzinho poético, a ver se o amansam não é? Canininhos que nós somos não é?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:15 PM | Comentários (11)
Um ano na horta moçambicana
Já o disse, volto a dizê-lo: Foi por ele que entrei na blogosfera, e é por ele que continuo a entrar todos os dias. Hoje encontrei lá este postezinho.
Sei lá que te deseje Zéze!? Olha, que as dobradiças dessa porta continuem bem untadas seu maschambeiro!(já viste a bronca que seria aqui, com este portátil a guinchar a toda a hora?)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:39 PM | Comentários (9)
dezembro 12, 2004
Suponhamos Marte, outra vez

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:56 PM | Comentários (5)
Suponhamos Marte

Este post destina-se exclusivamente a estimular no amigo Teixeira uma perspectiva mais filosófica do futebol, ou seja, … se o FCP estivesse envolvido num jogo contra Marcianos - vamos supor que a jogar fora, ali naquela superfície portanto - nós estaríamos naturalmente a puxar por eles, nossos representantes ... ou também não??
Sobre o mais, o nosso amargo …snifff…tenho a recordar que em tempo ainda oportuno, e aqui o sublinho, ele disse de sua justiça.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:49 PM | Comentários (6)
O melhor Produto português
... continua a vender-se bem. Parabéns!!

Só não percebi porque é que aqueles meninos de colo não levaram com 5 lá dentro e foi preciso ir a penaltis. Enfim, é o melhor produto nacional mas é coisa da terra do fado, convém não esquecer.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:29 PM | Comentários (8)
dezembro 11, 2004
Eu sei, sou um indeciso, pois sou
Lá-rá-lá-lá-lá ... Como ? estão ali os links outra vez? Olha pois estão, nem tinha reparado!
Já há imenso tempo (isto passa-se no longínquo mês de Novembro de 2004, já nem me lembrava …cof, cof…) decidi acabar com as “minhas voltas” que linkavam os blogs da minha preferência. Fiz até questão então de assumir que era demasiado preguiçoso para andar constantemente a actualizar aquilo. Que tinha a barra dos favoritos do IE para os manter actualizados e blá, blá, blá.
Pois cheguei agora à conclusão que sou demasiado desleixado para os ter por lá, pois que aquilo já nem se arruma. E cá voltam eles de novo, mais reforçados, mais ampliados, na medida das minhas digressões - vamos lá ver se é desta que me fico por aqui. Agora não me peçam é para a dividir por categorias, já assim a ordená-la toda bonita por ordem alfabética me deu um trabalhão !!
(“Bro”, pus-te mesmo por cima do Abrupto, espero que não te importes. Sei que a distância devia ser maior, que assim não representa a ordem de importância, mas essas são prerrogativas do alfabeto entendes? E quando cá vens para se pôr isso com ar de casa de gente?)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:17 PM | Comentários (5)
O melhor mesmo é estar calado
Há coisas ‘mui’ peculiares nesta blogosfera! No Weblog percorro a lista dos blogs mais visitados e encontro lá este “Som do Silêncio” , bem destacado (15º), contando 1127 visitas só ontem, dia 10 de Dezembro. Com curiosidade (sempre ela no click não é verdade) lá vou eu. Pasmo!!!!!
(bom, certo é que ele(a) conseguiu de facto "fazer algo diferente")
Já agora haverá por aí algum blog que se chame prái “chover no molhado” para eu dar aqui que fazer ao dedo também?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:56 PM | Comentários (2)
dezembro 10, 2004
As cegonhas do Rio

(esta foto foi abusivamente retirada do blog da Senhora do Sul)
Reparem na grua, a mais delgada, com pose de cegonha. Saibam que ela se chama "Poderosa". E tem uma irmã gémea, a "Vigorosa". São duas personagens muito antigas, do porto de Lisboa. Fazem parte de uma das minhas histórias de infância, contada pelo meu pai, nas nossas voltas à beira rio por aquele empedrado fora. Quando passo por elas, lembro-me dele, e ele traz-me a cidade. E a cidade contada por ele traz-me as suas saudades. Afinal sou muito próximo desta grua e da sua irmã. Somos gente do mesmo tempo, umas contadas, outras ouvindo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:41 PM | Comentários (6)
Ena, que Gandulagem
O Ma-Schamba propôs-se num gesto olímpico (não sei bem o que isso quer dizer aqui neste contexto, mas gosto da adjectivação) criar os Prémios Gandula. Devo enaltecer os critérios objectivos e rigorosos que se lhe notam por trás. E escusado será dizer que, embora por razões desportivas o autor do blog o omita, estes são nomeados de cima para baixo por ordem de importância e honorabilidade.
Sou pois um ganda Gandulo!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:16 AM | Comentários (26)
Post-it
não esquecer preparar o post da lareira
tirar fotografias para ser mais claro
além disso dá um certo colorido ao blog
falar dos sacristas de barcelona a quem comprei aquela lata pósmoderna
ver se vale a pena por o link dos gajos ou se isso ainda lhes vai dar mais publicidade
fingir que estou mesmo aborrecido para ficar parecido com o que de facto sinto
talvez aqui seja melhor sentir-me de facto aborrecido para fingir que estou mesmo aborrecido
enfim depois se vê
melhor altura deve ser a seguir a empandeirar o Francisco para casa do amigo
no fim do post preparar para sair, não esquecer a conversa que tivemos há 2 dias
ou então ...
melhor combinar o domingo todo com ela
compras!
talvez pensar num post para domingo também
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:32 AM | Comentários (6)
dezembro 09, 2004
Assim é que é
É o que dá um tipo armar-se em ‘expert’ do que não sabe. A propósito ainda da BD, ali em baixo, pus-me a citar de cor (sem necessidade nenhuma aliás, hoje com um click um tipo consegue aparecer por aqui a deitar postas de pescada, cheio de referências e links para lhe conferirem ainda mais seriedade, mas enfim, eu tenho destes primitivismos), e pronto, saiu asneira!
Dizia eu que “Bilal, Moebius - o mesmo, segundo creio ...”, e … claro que não era! Que me desculpem os fãs de um e de outro (sendo quase certo que ainda por cima uns não são os outros, que isto entre eles é mais ou menos como o SCP e o SLB, e mais antigamente entre os Tyrrel- Jackie Stewart e os Lotus- Emerson Fittipaldi).
Aqui reponho a verdade: com efeito Jean Giraud <=> Moebius (pseudónimo)
Para aqueles que há uns tempos andam afastados destes sabores, arrisco tentar lembrar:
O Jean Giraud é o pai do fabuloso ‘Cowboy’ de sangue cruzado, justiceiro de poucas palavras, com que nos plagiávamos em adolescentes – o "Tenente Blueberry"

Já o Moebius, seu pseudónimo, é o criador dos fabulosos mundos do futuro, desenhados com aquela luz inconfundível, e que faziam o “Blade Runner” parecer a história da Branca de Neve. Se vos passou pelas mãos certamente recordarão o "L’Incal Noir"

Em jeito de desculpa só me resta sugerir-vos uma voltinha neste site, em Flash, para os devidos esclarecimentos. No resto é só procurar num desses quaisquer motores de pesquisa.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:06 PM | Comentários (6)
A volta ao mundo em 10 minutos
(click) Lindo este soneto
(click) Este gajo e os seus arrotos políticos
(click) Ego … ego
(click) Que bela foto. O diabo é isto a abrir
(click) Olha este!
(click) Ena, linkou-me
(click) Naaa, por aí não vou. Já sei que fico com 40 IE’s abertos
(click) Outra vez esta porra dos popups
(click) Eheheh…Ela tem definitivamente um humor do caraças
(click) Não me posso esquecer de pôr este mapa-mundo de visitas
(click) Bem me parecia que ir ao Colombo nesta altura podia dar nisto
(click) Diários. Difícil, vou pôr ali para ver depois
(click) Sempre igual a si mesmo :)
(click) Que bela árvore de natal
(click) …
(click) ...
(click) Já voltei?? Outra vez ???
Bem, acho que dei a volta ao mundo já.
Onde estávamos ? Ah… despachar facturas para pagamento … ora vamos lá …
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:32 PM | Comentários (14)
Não serão as mais bonitas mas …
Pronto, agora é que é para me desgraçar mesmo. Prolongo o incomodativo post anterior.
Para muitos, a Banda Desenhada é uma forma menor de expressão, nem tão pouco é vista como género artístico. Não sendo eu um entendido, embora reconheça que tive a sorte de ter tido bons ‘professores’ na minha adolescência, diria que separando o trigo do joio se encontram extraordinários casos de excelentes autores de BD (Bilal, Moebius - o mesmo segundo creio, Pratt, Manara, citando apenas alguns, e para evidenciar a minha desactualização quanto a autores mais recentes).
Há livros de BD para os quais olho com o mesmo encantamento com que saboreio um quadro, ou um livro (primeira estupefacção do leitor?). Mais, vejo em muitas pranchas uma combinação em estética e forma dos dois anteriores, atribuindo-lhes complementaridade e reforçando a expressão de ambas, a da gravura e a da escrita. Pode até dar-se assim neste caso um alcance mais reforçado, mais eficaz, mais espontâneo (aqui certamente já alguns dos leitores terão desistido de continuar) - quem sabe não é por isso que é tantas vezes menosprezada no plano artístico. A BD desenvolve assim a estética das suas imagens, o estilo narrativo e os ambientes que a complementam, mas sobretudo lida com a fantasia.
É de facto isso, alguma BD estimula a nossa fantasia (aliás como qualquer outra forma de arte, não é exclusiva nisso). O que nela interpretamos confunde-se com as imagens e os significados que já temos em nós. Ao desfocar-se das ‘barreiras’ físicas e conceptuais, enaltece-os (aos significados) por vezes, complementa-os, e por isso acaba por representar “imagens” com as quais nos identificamos mais ou menos (para quem ainda tiver presente que continuamos a falar das mulheres bonitas segundo Manara, esta terá sido a gota de água ... desses me despeço então com cordialidade).
E aqui começamos a chegar onde quero. De entre vários, “Manara” é um autor que nos induz a fantasiar as mulheres. E fá-lo excelentemente (na minha opinião é o melhor) no plano da sensualidade. Por vezes, diria mesmo, no erotismo, mais certo será até dizer na carnalidade, na sexualidade. Faz-nos desejá-las. E é nesse sentido que referi que as mulheres mais bonitas do mundo eram as dele. (Bom, a partir de agora já sei que caminharei sozinho até ao fim deste post. A todos aqueles que me acompanharam até aqui quero agradecer a vossa invulgar obstinação em tentar perceber-me)
Estou a “iconografar” as Mulheres? Estou. Posso admirá-las sob todas as formas do mundo. Por isso posso exaltá-las também sob a forma do meu desejo por elas. São um complexo de significados, mas é-me devido poder desagrupá-los um por um. E depois posso quantificá-los e classificá-los, por muito que isso me custe aqui escrever. Posso fazer isso com tudo. Mas o mais certo é que procure formas de expressão mais veementes que as minhas, para assim reproduzir os significados que eu não sou capaz de descodificar - e ainda aqui tenho presente o âmago da arte (ai, ai, ai).
Falo (falava) de mulheres bonitas (não digo belas, que essas não têm tradução artística), que me provocam o desejo (onde eu me fui enfiar). Não de uma, ou algumas, escolho a via difícil, a de falar das mulheres em geral. Assim falo do meu desejo. Ao eleger ‘Milo Manara’ estou apenas a usurpar a sua arte para o representar, e faço-o apenas no plano específico da sua perspectiva carnal, que tão veementemente explora. Sim, porque continuo a falar de estética, de significados e de desejo. Não das Mulheres, que delas não ouso falar.
Fantasias sexuais de adolescente não amadurecidas, dirão uns. Absurda materialização do desejo da mulher, outros acrescentarão. Forma recalcada e ambígua de explorar o sentido estético da beleza feminina, dirão outros. Visão machista em latência, calarão os mais revoltados. Disparates, arrematarão os mais concisos ...
... estava apenas a dar ideias para comentários.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:36 PM | Comentários (6)
dezembro 08, 2004
As mulheres mais bonitas do mundo
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:30 PM | Comentários (13)
dezembro 07, 2004
Só para dizer que passei por cá
... sacudir os números que se colaram à gravata
... o dia a gotejar
... eles lá ao fundo encaracolando trabalho
... e eu aqui vestido de intervalo
Pronto, já me sinto melhor.
Com licença, vou regressar.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:20 PM | Comentários (3)
Aceito trocas de consciência - de preferência, por uma menos insolente
Hoje foi como nos outros dias, a julgar pela rotina: acordamos, ingurgitamos os cafézinhos do costume, decoramo-nos com uma das habituais gravatas de trabalho, e lá saímos em passo fresco e confiado. Vamos sorrindo com as notícias do rádio, e divagamos com o cheiro a after-shave que se cola ao volante, enquanto a nossa normalidade se vai declarando aos poucos. Já menos adormecidos, entramos no jogo dos retrovisores das bichas paradas e lá vamos condescendendo com o ritual das buzinadelas.
Tudo bem até aqui. Chegadinho de fresco ao trabalho, casaco tirado, cumprimentos aqui e ali, recados, a listinha das coisas urgentes, os 3 toques diligentes no molhe de folhas brancas sobre a secretária, velho tique de quem ganha fôlego para o escrevinhanço. Enfim, tudo normal.
Mas depois, porque raio tem esta coisa de me aparecer quando estou tão sintonizadinho com o mundo. Lá vem a inefável pergunta: " Outra vez por aqui ? Deves ter alguma coisa de novo para fazer não? ". Nunca sentiram isto ou só eu tenho esta espécie de consciência bombista?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:55 AM | Comentários (8)
dezembro 06, 2004
Anúncio só para entendidos
Não entendeu nada? Não se preocupe, isso nada tem a ver com o seu nível de inteligência. A Electronic Arts é uma das maiores produtoras do mundo de jogos para PC (como saberão os mais agarrados no “The Sims” ou no “Fifa” por exemplo). No 'outdoor' que estes senhores da EA utilizaram está escrito em caracteres ASCII (algo que segundo creio é trivial para qualquer programador que se preze), qualquer coisa como: “Now Hiring” (estamos a contratar). Eles queriam pessoas com conhecimentos nessa área, e assim, desta forma engenhosa, através de mensagem codificada, acabaram por fazer uma pré-selecção ainda na rua, ou seja, só entenderia o anúncio quem soubesse um mínimo de programação. Bem visto não?
Juro que não vou cair na tentação de começar a postar aqui aquela tralha toda que recebemos por mail (embora alguma dela seja bem engraçada … ou mesmo quase toda … não acho graça é a estar sempre a recebê-la). Apenas coloquei este “outdoor” porque descobri há uns post’s atrás que entre os estimados visitantes, curiosamente, muitos estavam ou já estiveram ligados a esta área. Agora só espero que não apareça por aí um programador a dizer que não é nada disso que aquilo quer dizer é blá blá blá…
Abraços para os publicitários
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:53 PM | Comentários (5)
Eu e as Tartarugas (4 ... e último)

IV - E ASSIM SE ACABA, PARA MEU SOSSEGO E ALÍVIO DO LEITOR
Quando a minha sogra chegou, eu estava de braços tensos e cabeça reclinada, com o melhor dos meus ouvidos apontando ao tecto. Dava passos curtos e irrequietos, ora para a frente, ora para o lado, ora atrás, e no rasto daquela dança bizarra ia empurrando sofás, fazendo cair tabuleiros, emaranhando tapetes, tudo isso com evidente alheamento. Ela não percebeu o que andava eu para ali a cirandar. Expliquei-lho. Continua sem perceber nada. Apesar de tudo, estou em crer que a sua opinião acerca de mim nada mudou, naturalmente.
Nota prévia que me esqueci de colocar previamente: Confesso que quase estive para dar por incumprido o compromisso de aqui relatar o desfecho desta minha guerra com as tartarugas. Ainda agora, quando fui rever os 3 outros posts desta sequela, fiquei atónito com que o que por lá andei escrevendo. Melhor seria fazer-me esquecido deles. É apenas o respeito e a admiração por quem até aqui conseguiu chegar, não soçobrando, que me leva a ultrapassar esta sentida vergonha, e assim dar aqui por concluída esta história. Finalmente e felizmente.
Continuando ...
De súbito o bicho cala-se. Deixei de ter a sua trilha sonora. Concentrado, assinalei mentalmente o último sítio onde tinha escutado o seu arrastar, no tecto, mesmo por cima de onde agora me imobilizava. Era onde o solho do sótão estava esburacado, justamente o local por onde ela se tinha deixado cair para o tecto falso. O único aliás através do qual eu poderia formular alcançá-la. Pus-me a galgar escadas, até ao sótão, convicto de que acabaria de vez com aquele raspa-raspa neurasténico. Mas como sabem, estava impossibilitado de a alcançar. Mesmo que a tartaruga estivesse no enfiamento do buraco, pelo qual conseguiria enfiar o braço, faltavam-me uns bons 30 cm para a poder apanhar. Via-a ali, mesmo por baixo do meu olhar impotente. Receava que apesar da sua languidez se decidisse raspar daquela zona mais próxima do meu alcance e que tudo voltasse ao princípio. Mas que grande salada, pensei eu. Salada ?? Vou apanhá-la! Rápido me trouxeram sob pedido histérico justamente aquelas compridas tesouras acolheradas (confesso que não sei o nome daquilo nem me apetece ir agora descobri-lo)com que se pescam as folhas de alface. E Pimba !!! Aqui vem ela.
E assim acabo esta quimera, que confesso, já me incomodava. E provavelmente ao leitor também. A autenticidade do pânico com que a comecei a escrever, aos poucos, foi-se desvanecendo num compromisso desinteressante. O compromisso de as ter de apanhar, às tartarugas, desistindo de o ter de fazer, o compromisso de aqui o dizer, sem ter já como o escrever.
Para quem mais arrojado ainda tiver a ousadia de insinuar que elas eram 3 - e não apenas uma como agora poderei ter feito parecer - para quem apesar do infortúnio de me ter seguido ao longo destas longas e adormentadas linhas ainda arrisca por mais, devo dizer que, embora desejando violentamente acabar com este desassossego, não me servi de escusa tão vil.
À primeira, já o tinha contado, por ser cega a coitadita, e lembrados disso, lá a fomos encontrar nos subúrbios da caixa por onde se escapulira. O negrum faz-nos acanhar a todos, e também a elas.
A segunda, embora para ser rigoroso a deva referenciar como terceira pois foi a última a ser encontrada, fez-nos esquecê-la, de tanto tempo que passou, do barulho que não mais lhe ouvimos. Há poucos dias atrás encontrámo-la na casa de banho, imóvel, como se por ali tivesse estado longos dias, esperando que a repuséssemos no aconchego do seu tanque, como que insinuando a nossa culpa, querendo desonestamente provocar os nossos remorsos por uma situação de que afinal era ela a culpada. E quase me fez acreditar nisso, graças à sua carapaça. A bicha tinha `trambolhado´por cada um dos 24 degraus, um por um, até por ali se quedar.
Enfim, podemos voltar a dormir descansados. Afinal estes bichos não se transmorfosearam em animais com garras e dentes, habitando sobre as nossas cabeças. E ainda queriam eles ter cobras!!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:36 PM | Comentários (10)
dezembro 05, 2004
Gosto ... e pronto
Vejo por aí tanta gente falar da blogosfera, das suas diferentes direcções, links e mais links contrariando, expondo, rechaçando pontos de vista, e no fim o seu. Vejo por aí tanto blog achar que, depois justificar, e sublinhar até, fazendo-nos saltar de post em post, todos conduzindo-nos ao mesmo, ao que se acha de si. Escuso de dizer que acho isso uma naturalidade, nada que critique. Apenas constato.
Enfim, eu apenas digo que gosto do meu blog. ‘Parece-se-me’. Nesse aspecto é até pornográfico, apesar de pretensamente anónimo. E vai-me dando um enorme gozo!
(fica muito mal dizer isto?)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:59 PM | Comentários (14)
dezembro 04, 2004
Eu e as Tartarugas (3)

III - QUASE FINAL, OU SEJA, O DESFECHO DA SEGUNDA HISTÓRIA
Bem, as três tartarugas estão achadas, resguardadas e sossegadas. Contudo, antes ainda de relatar o final desta história devo cumprir com o prometido, o final desta outra história. Mas, verdade seja dita, pouco ou mesmo nada há já para desvendar. Ficou resolvida logo no primeiro comentário ao post, o da Maria, e aqui lhe evoco o mérito. E o desagrado naturalmente: isso não se faz Maria! :)
Mas foi isso. Retratando de forma breve a situação…
… olhava em volta e via o extravagante chão de madeira ( eu sempre disse que aquilo na casa de banho era má ideia) coberto de água. Uma metade da casa de banho ocupava-se da minha caixa de ferramentas, e destas, que entretanto tinham detonado em todas as direcções. Por lá misturada estava a retrete, ali sucumbida à minha exaltação, meia de lado, virando-me as entranhas por onde tinha sido despegada. Na outra parte da casa de banho, bem acostados ao canto pela minha já desgovernada raiva, encontrava-se a minha família. O silêncio era sepulcral, eles intimidados pelo resultado de anteriores tentativas de sugestão, eu porque apenas fitava o buraco do tubo de esgoto pelo qual ela se tinha evadido.
Mas minto, este silêncio era apenas a manta onde se insinuava aquele arrepiante riscar de garras que denunciava a sua inabalada e estúpida caminhada até à caixa de ligação (diz-se de passagem Maria?). Aí, o fim da tartaruga, o entupimento dos tubos, e o início das minhas obras. E isto tudo se passava debaixo dos meus pés. O tempo urgindo, ela tentando desconcentrar-me ainda mais. Deve ter sido a enorme vontade de a ter para a esganar, mais já do que a preocupação para a tirar dali, que me trouxe espontaneamente, esta derradeira hipótese: Aspirá-la. Expresso-me literalmente.
Pouco mais terá esgatanhado o imbecil do réptil até eu me ver equipado com a inovadora máquina de guerra, o fabuloso “Nilfisk” – e aqui tenho de referir que esta publicidade é devida, e que por razões óbvias passarei a preferir a marca. Os aspiradores normais terão 1000 ou 1500 Watts, fruto da maior debilidade e obsessão de baixos consumos que se nota actualmente nos electrodomésticos, mas aquele, de outras eras, mandava com portentosos 3000W. Um zunido de grande fôlego brotava daquele tórax, o suficiente para me encher de confiança. Assim foi. Assim foi como eu acabei tirando a tartaruga das entranhas da minha casa. Ela sugada, encolhida, encavacada pela derrota certamente, e rodopiando na ponta do tubo que eu hasteava com devida glória. E palmas, muitas palmas do pessoal lá de casa, por excesso de uma intensa descompressão. Sabiam termo-nos livrado de um complicado contexto, mas quase posso presumir que mais do que por isso, se sentiam aliviados por se verem livres daquela parte de mim, que durante dias adviria ao incidente, caso este fosse mal resolvido.
E pronto. Quase estou a ver o leitor a dizer que tudo isto era óbvio, eu sei, eu sei. Não tirem o mérito à Maria. Não me tirem sobretudo o mérito a mim. Essa é a história do ovo de Colombo, depois de alguém se lembrar … e além disso estava num momento de grande tensão, que não perdoaria a qualquer hesitação, era agir e decidir em poucos instantes. Não creio que deva ser subvalorizado o feito pelo facto de estar a lidar com uma criatura obtusa, pois ela teve sempre do seu lado um destino que, naquele dia, se quis encher de bizarrias.
Insisto, foi uma luta de animais de sangue frio, a da tartaruga … comigo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:45 PM | Comentários (3)
Instantâneos
Hoje, mais um torneio de rugby dos miúdos. A coisa não está a correr bem. Ao intervalo o treinador vai puxando pelos miúdos:
- Vocês não “placam”!! Já disse tantas vezes, não é a mão no peito do outro, é o ombro na cintura deles.
- Mas treinador ... - interrompia um fedelho gorducho.
- Não há mas, agora é para ouvir o que eu digo!
- Mas treinador – persistente - … eles são mais rápidos que eu !!
- Mas tu não tens de placar os mais rápidos, Tiago – e olhando para o seu corpo roliço, pensando-o seguramente eficaz para a blocagem mas não para grandes correrias – Tu …, tu deves procurar e placar os mais lentos! Cada um ao seu! Não é o que eu sempre digo?!
- Pronto. Está toda a gente entendida?
- Mas treinador …
- Diz lá Tiago, outra vez.
- Eu ainda não vi ali ninguém lento !!?
(É tanta a despretensão dos miúdos que por vezes a confundimos com rasgos de humor)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:48 PM | Comentários (1)
Esta casa tem qualquer coisa
Hoje recuei 2 anos atrás, nesta casa, quando ainda a estava a recuperar para a vir a habitar. Fim de tarde, fim de Outono. Eu sentado nos degraus inacabados, apoquentado, olhando o atraso. Ele jovial, tratando-se como às obras, sossegadamente. Contra as minhas investidas, naquela manha saloia, convidava-me a conversas de fim de tarde, escusas de outras, das do fim do dia de trabalho.
- Oh, sr. Engenheiro, desculpe perguntar mas … a sua esposa nunca se sentiu mal aqui?
- Como ? a minha esposa ? porque haveria de se sentir ? Quer dizer, isto ainda está tudo em obras mas …
- Não, não é isso. Não tem importância … Mas vai-me desculpar que eu pergunto na mesma. Ela nunca se sentiu mal, lá dentro dela?
- ??
- Eu sei que o Sr. Engenheiro não acredita nestas coisas, mas é que aqui os homens sentem isso. Eu não, mas eles dizem que sentem qualquer coisa no peito. Mas eu não.
- Oh Albano, explique-se lá que não estou a perceber nada.
- Esta casa tem … não sei explicar!...Oh Óscar diz lá tu.
- …
- Cada vez percebo menos
- Oh Sr. Engenheiro, sabia que os homens não ficam cá sozinhos?
- Como assim ?! É então por isso que a obra não avança !
- Não, não. Oh Óscar, vá lá, ajuda aqui.
- Bem, a menos que me explique isso agora, eu ainda tenho de ir aos azulejos …
- O que eu quero dizer é que os homens, nenhum deles quer cá ficar sozinho, sem os outros.
- ???
- Dizem eles que há qualquer coisa nesta casa. Ainda no outro dia o estucador se sentiu mal, e vomitou e tudo, e disse que sozinho não ficava mais. E os outros logo correram a dizer que eles também não. Todos os 5 homens. Pela minha saúde que é verdade.
- Albano, está a surpreender-me! Não percebo isso. Se alguma coisa eu sinto aqui é esta luz, estes tectos enormes, a ‘patine’ da idade, tudo isto …
- Sabe, esta casa tem muitos anos, 150 não é? Já viu quanta gente por aqui viveu?
- Não percebo?...
- E há 2 meses isto ainda era um lar. Sente-se isso. Quer dizer, eu não. Mas os homens sentem isso ... Dezoito pessoas não era? … Muita gente deve ter morrido aqui.
- …
- Há más mortes sabe.
(...)
Passaram-se 2 anos. E hoje reconheço, esta casa tem qualquer coisa. Algo nela está para além do espaço que é. Claro, é o nosso lar, o sítio do nosso aconchego, e isso confere-lhe um caracter próprio. Mas falo de mais que isso, do que ela parece, falo de algo que se sente. Não digo que fantasmas, mas esta casa tem cá algo.
Só que eles enganaram-se,
esta alma é das boas.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:01 AM | Comentários (4)
dezembro 03, 2004
Virgílio Ferreira ... e Óbidos
"(...) Assim, as coisas,
quando as fitamos até ao insondável delas,
começam a emergir da sua indiferença e é
como se nelas nascesse uma pessoa oculta,
uma realidade que as anima,
um modo de serem vivas
que estabelece connosco uma inquietante comunicação (...)"
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:29 AM | Comentários (14)
dezembro 02, 2004
Agora é com eles
Aqui já se começou a pôr as bolinhas, as caixinhas de prendas e os anjinhos.
Bem sei que é deles este mês. Bem sei que é destes dias que retirarão depois as memórias como aquelas que eu ainda hoje tenho. Mas será que quando eu era eles, os mais velhos também se chateavam de tanto papel espalhado pelo chão ? e fazia-lhes azia tanto peru e azevias? e estavam sempre a queixar-se de que ali havia calor a mais?
Enfim, é deles. Eu hei-de mais tarde compensar-me com umas férias de ski.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:31 PM | Comentários (5)
Afinal era só uma gotinha de óleo ?!!
A1, a caminho do Porto. Apita uma luzinha. Sabendo-me bem de gasolina, assola-me o receio. Acabo por o confirmar no ‘tableau’, lá estava aquela espécie de lâmpada de Aladino vertendo uma lágrima amarela:
- Porra, que se passa com o óleo… para atrasar ainda mais. Que raio! - poucos quilómetros à frente, lá me vou vendo parado na estação de serviço, seguindo a vareta, confirmando-lhe o fundo molhado muito aquém da zona recartilhada do que seria o limite aceitável.
Coisa simples pensei, disfarçando a raiva do atraso e das imprevidências. Não seria difícil verter uma garrafa de óleo que ali mesmo compraria. Mas nestes dias nada é simples, e tão pouco vale a pena ter uma atitude filosófica, porque quilómetro a quilómetro (falamos de auto-estradas faço notar), já estão riscadas no chão as contrariedades que haveremos de sofrer. Faltava a documentação técnica do carro, impossível por isso encontrar a especificação do óleo. Decido-me a ligar para os tipos que me alugaram o carro, no entretanto já me preparando para o regateio.
- Bom dia, “LusoCarroças”, queira …
- Olhe, estou no meio da auto-estrada, e ao que parece o carro está com pouco óleo. Talvez se me desse a refer….
- Ahhh, olhe, fazemos assim, compra o óleo e põe-o, depois pede a factura que nós devolvemos o dinheiro …
Não!! Sei que parece inconsistente, sei que soa a contradição, mas uma coisa era eu propor aquilo, outra coisa era esta simpática senhora sugerir-me tal, como se, não por incumbência profissional, mas por mero obséquio seu. Em poucas sílabas, naquela eterna lógica do desenrascanço, acabava de me retirar do estatuto de cliente para fazer de mim um compungido mecânico improvisado, e ainda assim devendo-se grato pela sugestão. Nem a deixei terminar.
- Minha senhora, eu paguei o aluguer deste carro para o conduzir, não para lhe fazer a manutenção. Peço imensa desculpa mas isso não vou fazer – e começando já a enervar-me – Aliás, que digo eu, quem me devia começar por pedir desculpa era a senhora. É absolutamente inaceitável que me entreguem um carro sem sequer lhe fazerem uma inspecção básica, como ver o óleo.
- Mas então como sugere que façamos ?
- Quero um carro de substituição, caso não tenha ninguém para aqui vir resolver isto! – sou um diabo de um mau feitio, não mau cliente, apenas mau feitio, quando me tratam mal como cliente.
- Mas não disse que estava no meio da autoestrada ?
Agora era o tudo ou nada, nem que tivesse de ir ao Algarve. Pensei rápido, mas não muito bem. Estava a afundar-me nos meus compromissos, não apenas por culpa deles, mas porque agora obstinadamente iria levar esta coisa até ao fim.
- Olhe, vou ter de fazer um desvio por Aveiro. Sugiro que na vossa filial de lá tenham um carro preparado para trocar. De outro modo seguirei caminho, tal como ele está. O que não farei? não vou sequer abrir o capot de um carro que aluguei para me facilitar a vida e cujo propósito era fazer-me chegar a horas aos compromissos que tenho no Porto, e se possível com as mãos limpas.
- Bem … se prefere assim … combinarei com os meus colegas de Aveiro.
E lá me dei as indicações necessárias.
Meia-hora perdida de combinações. Depois meia-hora para me acercar do dito stand em Aveiro. Uma outra exasperante meia-hora - mais tarde altivamente justificado com o “estou só a atender o cliente que estava primeiro” – e finalmente estava a receber nova chave. Dizia-me o rapaz com ar de quem já se quer intimo, por culpa do desafogo que me oferecia:
- Mas afinal que tem o outro carro ?
- Parece que falta de óleo.
- Teria sido mais fácil se o senhor tivesse posto uma gotinha.
- Caro amigo, eu aluguei o carro para chegar ao Porto a tempo e horas, e sem nada de imprevistos, é isso que espero num carro de aluguer. Não espero, ter de lhe por óleo. Aliás, acho tudo isto perfeitamente inaceitável da vossa parte.
- Da nossa ??? calma, eu nada tenho a ver com isto !
- Tem razão, enganei-me. Falava da organização a que pelos vistos não pertence. Farei questão de dizer isso quando em Lisboa for preencher o livro de reclamações.
Olhava-me esbugalhado, via-o tentado a retirar-me a chave da mão, agastado, depois de tanto préstimo.
Enfim, lá cheguei 2 horas atrasado à reunião, rasgado em desculpas, raivoso, sem que tivesse conseguido varrer mais um pouco desta bandalhice que é este luso mundo de profissionais. Eles lá ficaram, uma em Lisboa, outro no Stand, provavelmente comentando a hipocrisia de um cliente, continuando sem perceber absolutamente nada.
Eu já o tinha dito à “menina da caixa” – tenho um granda mau feitio!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:52 PM | Comentários (7)
"A Comédia Humana" de Júlio Pomar
Ontem fomos ao CCB para enganar a chuva, e acabámos vendo a exposição da “Comédia Humana”, do Júlio Pomar

“O espírito de comédia (…) de Pomar é irónico, irreverente e brincalhão, abrangendo desde a comédia de vaudeville do circo, às loucuras de Dom Quixote e ao espalhafato jovial de Falstaff. É também uma celebração da vida, (…) entre a razão e a não razão, entre o sense e o nonsense.”
Definições de catálogo, dirão. Mas olhem que eu testemunhei todas aquelas tonalidades de irreverência e ironia na melhor fazenda que há, os miúdos. Vi-os ficarem-se, em frente de cada quadro, curiosos, jogando com as imagens. Não foi uma vez apenas, daquelas que acontecem entre aqueles seus repentes impacientes. Iam-se fazendo prisioneiros do que viam, cada vez mais absortos no ritmo fantasista daqueles quadros e serigrafias. E não eram meros esgares por entre correrias e brincadeiras, não, eles continuavam-nos, aos significados. Era ver aquele bando de 5 miúdos que em cada sala acabava por ir abancando no chão, de cabeças sincronizadas, circulando entre cada um, interrogando-os, decifrando-os, gargalhando-se. Discutiam a significação do que viam, entre eles, e riam-se, uns com os outros, e todos, do que acabavam concluindo.
Hoje fiquei a gostar ainda mais do Júlio Pomar.
Recomendo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:08 AM | Comentários (7)
dezembro 01, 2004
Por mail ? naaaaa
Quem disse que os mails são como cartas é porque já está “electronizado”. Quem julga que essas acabaram, que é coisa que se fica com os mais cotas, é porque nunca teve um filho cambaleante de saudades. Ao terceiro dia sem o irmão, rabiscava garatujos desconsolados pelas esquinas da folha dos desenhos. Escritos distraídos, deixados em surdina num canto da mesa, como pena que deixa rasto, para ali se ficar, e talvez alguém ler, talvez ele. Lá.
“Francisco
estou só em Lisboa e tu na cartucha Estamos separados vem rápido ter co mingo vem já so faltao dois dias”
Por mail ?? Naaaa !!! Os mails não aliviam, apenas contam
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:51 PM | Comentários (2)
Análise política "ComTudo"
Este é só para se alguém me perguntar o que é que eu acho desta coisa do Santana e coiso e tal, eu me lembrar do que tenho para dizer sobre o assunto.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:47 AM | Comentários (2)
Pois
...
- Acha que és pouco sensível, talvez.
- Não. Ela sabe que eu não sou pouco sensível. Tenho a certeza.
...
- Deve achar que sou bruto ... são coisas diferentes, não são ?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:25 AM
