« Socorro !!! | Entrada | Fazia-me espécie »
novembro 19, 2004
O efeito “caramelo” nas estradas portuguesas
Com as auto-estradas nota-se menos, mas ainda assim o fenómeno mantém-se. Era mais visível de facto na antiga Estrada Nacional para o Algarve. Fatalmente, fosse lá que dia fosse, um tipo iria esbarrar com uma procissão de carros. Sem alarido, lá me punha no meu compasso. Primeiro um, depois mais 2 ou 3 carros, por vezes o braço levantado agradecendo a entrada na fila, fingindo-me daquela calma exasperante com que o ritmo seguia, depois de novo, até deixar para trás o chefe de fila dos empandeirados automobilistas. Depois era só seguir, estrada aberta até ao Algarve.
Mas eles não, eles por lá se mantinham. O primeiro nem tentava a ultrapassagem, o segundo hesitava pois era-lhe exigido mais arrojo, e o terceiro, como os restantes, remetia-se à sua vez, que nunca aconteceria.
Ao princípio ainda estranhava aquelas histórias tão dissonantes do “que raio de trânsito hoje apanhei para o Algarve, foi um stress”. Confirmava mesmo que se tratava da mesma hora em que nós seguíamos, da qual aliás a única coisa que nos lembrávamos era a mancha de calor transparente, boiando sobre o alcatrão, que os meus filhos ainda insistem ser miragens. Mais tarde acabei por assumir, para não causar polémica, que apesar de todos chegarmos ao mesmo sítio, não vínhamos certamente pelo mesmo caminho.
Agora o que eu não percebo é como ainda hoje, numa auto-estrada, vou constatando o mesmo fenómeno. Mais encorpados, com a formação espraiando-se já por duas faixas, eles lá seguem, angustiados, uns sobre os outros, até ao destino final.
E não me venham chamar de “acelera inconsciente” e coiso e tal. Porque o que eu de facto tenho medo, e nem sei mesmo se alguma vez ousarei, é fazer uma viagem inteira no meio daquele “ encaramelanço”.
Publicado por Eufigénio Lagoa às novembro 19, 2004 01:51 AM
Comentários
Olha, hoje sou eu a falar em coincidências! Daqui a pouco parto para o Algarve e espero apanhar a nacional... Bem espero que o trânsito já não seja como o descreves. Fiquei preocupado!
Publicado por: Zoick em novembro 19, 2004 10:37 AM
Eu sou daquelas que encaramela...
Detesto conduzir. Adoro ser conduzida, mas nem sempre é possível.
Publicado por: madalena em novembro 19, 2004 01:53 PM
Finalmente conheço um exemplar assumido daqueles caramelizantes. Nunca pensei que o espírito era andar de mão dada, uns atrás dos outros. Olha que esta, hein? Egoismosinho, não?
Publicado por: Emilio de Sousa em novembro 19, 2004 02:52 PM
Gosto de começar a ver opiniões dissonantes por aqui, mas não se inibam por favor, não sejam comedidos, pois este post tem um objectivo terapeutico, que explico:
Em vez de andarmos todos aos impropérios na estrada, uns porque se sentem civilizados apesar do "vai à ..." com que vituperam os outros, e os outros porque se sentem mais desembaraçados, apesar do "vai tu" com que retribuem pelo retrovisor, sugiro que usemos este espaço para dar azo às nossas razões.
Naturalmente estarei atento aos excessos, de borracha na mão, não vá algum apaziguador dizer que todos têm razão.
Publicado por: Eufigénio em novembro 19, 2004 03:46 PM
Eufigénio!
Experimente andar pelas estradas de "nuestros hermanos" durante o mês de Agosto, e aí encontrará o top ten dos caramelos, ou seja os emigrantes (principalmente os franceses).
Publicado por: Chantal em novembro 19, 2004 05:01 PM
Olha, aqui estou eu, então, para relatar a minha viagem ao Algarve, ontem, pela nacional. Para baixo, uns mais caramelos. Para cima, uns menos caramelos. Mas continua a moda de irem para a berma para nos deixarem ultrapassar. Mas sem dúvida que está muito diferente de há uns anos.
Enfim, caramelisses
Publicado por: Zoick em novembro 20, 2004 12:00 PM
Ainda bem Zoick, ainda bem.
Fico satisfeito por saber que este post, ao ser lido pela generalidade dos automobilados, pôde (esta coisa tem acento circunflexo??)assim contribuir para essa tua viagem mais destressada.
Publicado por: Eufigénio em novembro 20, 2004 12:10 PM