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outubro 29, 2004

Halloween … mas que merda é esta ?!

Pergunto-me se foi o grande comércio quem teve esta abjecta ideia, e tudo me leva a crer que sim:
"A animação é tanta que dia 31 de outubro é feriado nos Estados Unidos e o comércio registra alto volume de vendas, superior somente ao da época de Natal. De acordo com estatísticas, no dia 31 os mais empolgados com as compras gastam um total de U$S 2,5 milhões em fantasias, presentes e acessórios."
É lamentável que se manipule o fértil mas tão permeável mundo de fantasia das crianças, com intuitos meramente comerciais.

Por outro lado, interrogo-me se não terá sido uma consciente e articulada estratégia do ensino de inglês em Portugal, sob a aliada cobertura dos programas curriculares do ME. A “americanização” de novo a reconstruir-se pelo mundo fora. As culturas “fortes” sonegam as fracas …..grrrrrr. Ter de levar com os resquícios da política internacional americana, ou gorgolejar uma coca-cola é uma fatalidade, agora o que acho afrontoso é que no quadro do nosso beneplácito ensino público se institucionalize um acontecimento que nada tem a ver connosco, e que já tão pouco lhe falta para se propor como um feriado nacional.

É desonesto pretender marcar de forma indelével nas memórias dos nossos filhos, no imaginário lusitano de amanhã, esta coisa das caraças e do mau olhado, tenha ela origem nos celtas ou no raio que o parta. Mas o que mais me irrita é fazerem de arremesso as lágrimas desiludidas dos nossos filhos, quando estoicamente lhes tentamos explicar aquilo que já não é possível.

É altura das comunidades portuguesas nos EUA, paulatinamente, irem instaurando nos seus círculos o “dia da Nossa Senhora de Fátima”, assim mesmo, sem tradução. Que se faça lobbie com o pequeno comércio de Newark, mas que se não resfolegue até ao dia em que este será um feriado nacional nos EUA, quiçá em todo o mundo anglófono.

Portugueses, uni-vos ! Contra os hamburgers, feijoada ! feijoaaaada

Publicado por Eufigénio Lagoa às outubro 29, 2004 10:18 AM

Comentários

Como ser eclético que sou, não vejo nesse repúdio liminar das outras culturas qualquer vantajem. Antes pelo contrário.
Prefiro uma festa de contornos pagãos a um dia triste e de pesar. Porque não traremos à vida quem nos deixou por mais lágrimas que vertermos.
Numa economia global até o dia da Srª de Fátima é um acontecimento de Marketing. O Vaticano teve um saldo altíssimo no passado ano.
Embora certa de quem sou, não recusarei nunca conhecer e viver o diferente de mim. é por fazê-lo que tenho certezas do que sou (e dúvidas também).

Publicado por: rita dias em outubro 29, 2004 04:35 PM

Absolutamente de acordo no geral. Absolutamente em desacordo na questão presente.

Entre outras coisas, os dias que um povo celebra, são parte da sua herança cultural ou simbolismos históricos. E isso não é exportável, nem mesmo pelos portentosos económicos. Ou não devia ser.

O fado é triste ? tambem nós o somos. Qual é a proposta? passar um disco do Elvis Presley quando alguem de fora quiser saber como "fazemos" a nossa música?

Publicado por: Eufigénio em outubro 29, 2004 04:56 PM