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outubro 13, 2004

Fui ...

As paredes do tempo
esboroam-se
depois estáticas
quedam-se
amontoadas
num escolho parado.

A esteira do mundo
borbulha
em espuma de espanto
desacelera a massa enorme,
e rotunda e morta,
acaba por estancar.

A realidade incrédula
engole-se a si mesma
num turbilhão,
confunde-se de sonhos,
depois nem isso,
nada apenas

As coisas
que fizemos
inelutáveis
deambulam fossilizadas
na velocidade
de um meteoro perdido


Eu parto
E tudo o resto,
tão incrivelmente importante
Afinal morre


A ordem
desordena-se
num estertor
que acaba por finar
em zumbido
calado.

A beleza
envergonha-se
e sem quem a acaricie
esconde-se
com riscos
gritados

A lembrança
esmorece
vai fugindo,
cada vez mais vaga,
ao fundo,
foi

E o amor
enlouquece,
até ele, traindo-se
vendo-se sozinho
de negro escondido
se tinge

Uma chave range
cerra-se a sala
desmazelada
da ébria festa
que súbita
acabou


E fui
deixando a incerteza
se no que foi
fui

Publicado por Eufigénio Lagoa às outubro 13, 2004 01:37 PM

Comentários

Adorei!

e se os blogs existem para nos levarem a escrever, que vivam os blogs!

Acho que te vou imitar e arranjar um para mim tb

um beijo

Publicado por: Ana em outubro 30, 2004 10:08 PM